A conquista da soberania do Kosovo: um estudo do processo
Palavras-chave:
Kosovo, Iugoslávia, desintegração, diversidade étnica, OTANResumo
Este artigo é a parte inicial de um estudo sobre as relações internacionais dos países do leste europeu, precisamente da região dos Bálcãs. Damos aqui ênfase ao processo vivido pela República do Kosovo. Em 2008 foi declarada unilateralmente a independência do Kosovo, até então província autônoma da Sérvia. Entretanto, este fato não pode ser dissociado do contexto de desintegração da Federação da Iugoslávia. Com a morte do presidente Josip Broz Tito em 1980, a unidade alcançada pela federação foi sendo dissolvida pela emergência dos nacionalismos das repúblicas que a constituíam em meio à crise econômica vivenciada pelos países socialistas. Com a ascensão de Slobodan Milosevic ao poder e suas políticas de caráter chauvinista não havia ambiente político onde a maioria albanesa do Kosovo pudesse continuar sob o jugo sérvio, iniciando nos primeiros anos da década de 1990 um processo que tem seu capítulo mais recente em 2012 com o reconhecimento da soberania plena kosovar pela Organização das Nações Unidas e diversos países. A relevância desta pesquisa se dá pela necessidade de compreender os processos políticos pelos quais este Estado passou para que sejam entendidos seu papel e sua atuação no cenário internacional. O Estudo tem por objetivo compreender as dinâmicas que deram origem à configuração política atual dos países do leste europeu, precisamente da região dos Bálcãs. Aqui é dada ênfase ao processo de independência da República do Kosovo. A metodologia utilizada para a sua elaboração foi a pesquisa histórico-documental estruturada em levantamento bibliográfico, coleta de dados de organismos internacionais, seleção das variáveis abordadas (política, econômica e social) e sistematização de dados. O objeto de estudo abordado é a independência do dito país, para cuja causa foram levantadas hipóteses que consideram fatores externos, o interesse internacional nas propriedades minerais e estratégico-securitárias da região; fatores internos, o apelo político nacionalista de Slobodan Milosevic a partir da década de 1980 e o embate entre as etnias da população do antigo Estado sérvio. Até o momento, a pesquisa demonstra que além das já levantadas prováveis causas endógenas, o modelo constitucional de divisão do poder político instaurado em 1974, mas que só foi efetivado a partir de 1980, permitia que as repúblicas da federação iugoslava desenvolvessem individualidades que somadas às diferenças étnicas da população e desprovidas de uma liderança como a do Marechal Tito, podem ser determinantes catalisadoras das independências destas repúblicas, e assim, da República do Kosovo. Tais resultados serão posteriormente confrontados teórica e historicamente de modo a testar a sua solidez. Posteriormente os demais fatores observados passarão pelo mesmo crivo e aqueles que se mostrarem efetivamente relevantes para o processo em ênfase serão tomados como os vetores da independência deste país. À altura dos estudos, é possível concluir que, quando se tratando de dinâmicas políticas, análises a partir de variáveis únicas se mostram insuficientes. É necessário diferenciar fatores internos e externos que geram o acontecimento, mas considerar influência de elementos de ambas as ordens sobre este.Downloads
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Publicado
2013-03-15
Edição
Seção
Ciências Sociais Aplicadas
Como Citar
A conquista da soberania do Kosovo: um estudo do processo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 4, n. 2, 2013. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/60132. Acesso em: 21 abr. 2026.