Agricultura angolana e horticultura quilombola

  • Márcio Costa Corrêa
  • Adelmir Fiabani
Rótulo Agricultura- Horticultura- Quilombo

Resumo

IntroduçãoDesde os primórdios da humanidade, o cultivo de plantas é conhecido pelo homem. O continente africano, berço da humanidade, também é o berço da agricultura. O Egito Antigo produzia trigo para consumo de seus habitantes e exportava o excedente aos povos vizinhos, entre eles, os gregos e romanos. Salienta-se que a mulher africana foi a precursora da agricultura, pois ao homem coube a tarefa de caçar e coletar. Com o tempo, os africanos agregaram novas técnicas de cultivo e espraiaram este conhecimento por onde passaram. No Brasil, os escravos foram obrigados a cultivar cana-de-açúcar utilizando instrumentos rudimentares, e técnicas atrasadas em relação aos povos africanos da época. No quilombo, o ex-cativo pode mostrar que era exímio conhecedor das técnicas agrícolas e extraiu da terra o seu sustento.Objetivos:Esta pesquisa busca resgatar a história da agricultura africana, sobretudo, na região de Angola, grande fornecedora de trabalhadores escravizados para o Brasil. Os escravos foram os responsáveis pela produção agrícola no Brasil por mais de três séculos. Com esta pesquisa, objetivamos identificar influências africanas de angola nas roças brasileiras, sobretudo, nos quilombos.MetodologiaUtilizamos obras produzidas pelos africanistas e artigos em jornais e revistas. Iniciamos com a análise da obra Agricultura africana em Angola, sobretudo, aspectos relacionados ao uso da terra, técnicas agrícolas, espécies cultivadas, épocas de plantio entre outros. A partir destas informações, traçamos um paralelo entre a agricultura africana e a horticultura quilombola no Brasil.  ResultadosEsta pesquisa está em fase embrionária. Concluímos que a influência africana na agricultura ocorreu com mais intensidade nas roças quilombolas, pois o trabalhador escravizado estava livre para colocar em prática suas técnicas e seus conhecimentos. Há profunda relação entre os cultivos africanos e a horticultura quilombola no Brasil. Os africanos subsaarianos praticavam a rotação de cultivos, fato também verificado nos quilombos, quando os trabalhadores escravizados abandonavam as roças por ocasião do esgotamento do solo. A queimada da vegetação antes do plantio também se verificou nos dois continentes.DiscussõesA herança africana pode ser percebida em diversos campos: na música, língua, culinária, dança, estética, agricultura e outros. A agricultura angolana  apresentou características próprias com a adaptação das espécies cultivadas ao clima. Muitos produtos cultivados na América foram para a África e se adaptaram bem, como o caso da mandioca e do milho. As técnicas utilizadas pelos africanos foram implementadas na horticultura quilombola. As roças eram trabalhadas pelas unidades familiares, sendo que a produção destinava-se ao consumo e o excedente era comercializado ou utilizado como troca. ConclusãoConcluímos que a influência africana no Brasil aconteceu com maior intensidade nos quilombos. Nas plantações de cana-de-açúcar e café, os trabalhadores escravizados pouco contribuíram com suas técnicas. A horticultura quilombola melhor representa o legado africano no tocante à agricultura. 

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Publicado
2013-03-15
Como Citar
COSTA CORRÊA, M.; FIABANI, A. Agricultura angolana e horticultura quilombola. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 4, n. 2, 15 mar. 2013.