Maternidade e Permanência Universitária: a Experiência do Projeto Mães Estudantes no Campus Bagé da Unipampa

Autores

  • Fernanda Garcia
  • Isabel Freitas Magalhães
  • Aghnes de Oliveira Santiago
  • Cristiano Peres Oliveira

Palavras-chave:

Assistência, estudantil, Acolhimento, institucional, Espaço, Maternagem

Resumo

A permanência de mulheres que estão vivendo a maternidade enquanto estudam é um desafio que vai além do simples acesso à universidade. Envolve a criação de condições reais para que consigam equilibrar a formação acadêmica, as responsabilidades parentais, as tarefas domésticas e, muitas vezes, um trabalho remunerado. A desigualdade na distribuição do trabalho de cuidado pode criar obstáculos à participação em aulas, atividades de pesquisa e extensão, estágios e eventos científicos. Por isso, é fundamental desenvolver políticas institucionais que reconheçam as particularidades da maternidade no contexto universitário. Nesse cenário, este trabalho tem como objetivo apresentar e analisar a experiência do projeto Mães Estudantes: uma iniciativa de acolhimento e apoio às estudantes da UNIPAMPA Campus Bagé, que vem sendo desenvolvido desde 2024, no âmbito das ações da Pró-Reitoria de Comunidades, Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão (PROCADI) e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Assistência Estudantil (PRODAE) da Universidade Federal do Pampa. Este relato de experiência, de caráter exploratório e descritivo, foi construído a partir das atividades realizadas pelo projeto, que incluíram a identificação das demandas das mães estudantes, a aplicação de questionários, a divulgação da iniciativa junto à comunidade acadêmica, o contato direto com as estudantes interessadas e ações de escuta, orientação e acolhimento individual, além da organização de um ambiente dedicado ao acolhimento de crianças no Campus Bagé. Essas ações permitiram conhecer mais de perto diferentes realidades vivenciadas pelas mães estudantes e desenvolver formas de apoio que contribuam para a difícil tarefa de conciliar a maternidade com a rotina acadêmica. Como parte das ações desenvolvidas pelo projeto, destaca-se a implementação do Espaço Maternagem no Campus Bagé, criado para oferecer um ambiente de acolhimento às crianças e contribuir para que mães estudantes possam participar de suas atividades acadêmicas enquanto seus filhos permanecem em um espaço adequado dentro da própria Universidade. Entretanto, a atuação do projeto não se restringe à existência desse ambiente físico, envolvendo também o contato e o acolhimento das estudantes a partir das necessidades apresentadas individualmente. O atendimento às crianças ocorre de forma contínua, com procura praticamente todas as semanas durante o período letivo e também durante as férias acadêmicas, especialmente em razão da oferta de componentes curriculares em período especial. Essa procura demonstra que a necessidade de apoio às mães não se limita ao calendário acadêmico regular e reforça a importância da continuidade do serviço. A própria ampliação da equipe acompanha esse processo: inicialmente, o projeto contava com duas bolsistas e, atualmente, dispõe de três, possibilitando a oferta de atendimento nos turnos da manhã, tarde e noite, ampliando as possibilidades de utilização do espaço pelas estudantes. Além dos atendimentos realizados no cotidiano acadêmico, o projeto também participa de atividades institucionais. Durante o 17º Salão de Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão (SIEPE), realizado no Campus Bagé em 2025, o Espaço Maternagem foi disponibilizado aos participantes acompanhados de crianças e recebeu mais de dez crianças somente nos dois primeiros dias do evento. A experiência no SIEPE foi uma importante oportunidade de ampliar a visibilidade do projeto e demonstrar que a necessidade de acolhimento também está presente em eventos acadêmicos, somando-se ao trabalho desenvolvido continuamente ao longo do ano. O conjunto das experiências realizadas desde 2024 mostra que as necessidades das mães estudantes são diversas e que o apoio à permanência universitária não pode se limitar a uma única ação. Escutar essas mulheres, compreender suas diferentes realidades, oferecer acolhimento às crianças e construir uma rede de apoio são iniciativas que podem tornar a trajetória universitária mais acessível para quem precisa conciliar estudo e maternidade. Essas ações também estão alinhadas à Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024, que criou o Programa de Permanência Parental na Educação (Propepe) e reconhece a importância de iniciativas voltadas às necessidades materno e paterno-infantis das famílias de estudantes. A experiência desenvolvida no Campus Bagé demonstra, portanto, que apoiar mães estudantes vai além de disponibilizar um espaço físico: significa reconhecer as dificuldades presentes em suas trajetórias e construir, dentro da Universidade, condições concretas de acolhimento, participação e permanência. Dessa forma, a continuidade e o fortalecimento do projeto podem contribuir para uma universidade mais inclusiva e sensível às diferentes realidades de sua comunidade acadêmica, reafirmando o compromisso da instituição com a equidade e com o direito à educação.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Maternidade e Permanência Universitária: a Experiência do Projeto Mães Estudantes no Campus Bagé da Unipampa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123908. Acesso em: 29 out. 2026.