O Núcleo de Estudo Afro-brasileiros e Indígenas Diva Rodrigues - Uma Visão Retrospectiva

Autores

  • Aline Mello Bernardes
  • Míriam Susane Dias
  • Ana Paula da Silva Figueiredo
  • Letícia Lopes Lausmann
  • Paulo Roberto Cardoso da Silveira

Palavras-chave:

NEABI, ERER, Educação, Anti-Racista

Resumo

Em 31 de outubro de 2016, o Conselho Universitário da UNIPAMPA - CONSUNI aprovou a resolução 161 que determina que cada campus da UNIPAMPA deve ter um NEABI (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas). Em 17 de Abril de 2017, no campus de Itaqui, cria-se o NEABI que foi denominado Diva Rodrigues em homenagem a uma mulher negra conhecida na sociedade itaquiense e que simboliza a luta cotidiana de negros e negras contra o preconceito racial e o racismo. Objetiva-se com a criação deste Núcleo promover o debate na comunidade acadêmica sobre a necessidade de fortalecimento das ações afirmativas e agir no combate contra o racismo e outras formas de discriminação. Busca-se, em seu trabalho, atuar junto à comunidade de Itaqui, propondo espaços de reflexão sobre as desigualdades étnico-raciais. Tem sido dado ênfase neste processo à formação de professores das redes públicas municipal e estadual, contribuindo para a implementação da Lei Federal 10.639/03 que torna obrigatório a abordagem curricular da história e cultura africana e afro-brasileira, nos níveis fundamental e médio de educação; após, a Lei 11.645/08, inclui a obrigatoriedade da história e cultura indígena, inserindo-se no trabalho realizado. Este trabalho, em uma visão retrospectiva, visa refletir sobre o caminho trilhado nestes quase dez anos de existência do NEABI Diva Rodrigues; baseia-se em relatórios de projetos e relatos/registros das atividades realizadas. Observa-se que foram desenvolvidas um conjunto de ações de Educação para as Relações Étnico-raciais: momentos na comunidade acadêmica que proporcionaram a reflexão sobre as relações de gênero, orientação sexual e intolerância religiosa, as quais estão imersas em um contexto social de discriminação e preconceito; espaços de resgate da história e cultura africana, afro-brasileira e indígenas (no campus e em instituições diversas da sociedade local); oficinas sobre ritmo, dança, capoeira, literatura, objetivando maior conhecimento da produção cultural de matriz africana; realização de seminário de nível nacional sobre os povos originários; formações virtuais de abrangência nacional sobre a tradição de matriz africana em parceria com outras instituições; participação efetiva nos espaços escolares no mês de novembro (atividades alusivas à consciencia negra); além de atividades de interação com a comunidade local e regional, via meios radiofônicos ou via redes sociais. Pode-se inferir muitos desafios para o trabalho a realizar-se: a pouca adesão de discentes, docentes e TAEs aos eventos promovidos no campus; a falta de interesse dos estudantes sobre a temática étnico-racial que dificulta no tocante a pessoal envolvido; a não inserção da ERER nos PPCs dos cursos (algo ainda não assumido pela gestão superior da UNIPAMPA); a prática das escolas da educação básica em apenas trabalhar os conteúdos referentes aos afro-brasileiros e indígenas nas datas comemorativas, inviabilizando um trabalho mais sistemático e consistente. No entanto, percebe-se avanços na pesquisa sobre a presença negra e indígena na região, as parcerias estabelecidas para ações junto aos povos de terreiro e comunidades periféricas; ressalta-se as parcerias com os órgãos responsáveis pela educação no município e na região (Coordenadoria Regional de Educação). A perspectiva futura é ampliar a participação de membros externos à comunidade acadêmica e efetivar ações mais sistemáticas de formação interna e junto à educação básica, realizando uma mostra de trabalhos no Mês de novembro no campus, onde serão apresentados resultados dos trabalhos desenvolvidos nas escolas com a contribuição da UNIPAMPA ou que já vem sendo realizados pelas instituições escolares. Pretende-se, também, promover atividades junto aos terreiros de Umbanda ou Batuque, e junto às escolas de samba, visando a interação de saberes acadêmicos e tradicionais; percebe-se a necessidade de aprofundar o trabalho relativo aos povos originários. Todas estas demandas surgem de um processo de escuta junto aos parceiros e envolvidos nas ações do NEABI Diva Rodrigues. Deve-se afirmar que o NEABI Diva Rodrigues tem um papel fundamental em suas ações educativas, pois observa-se a persistência do racismo estrutural e institucional.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

O Núcleo de Estudo Afro-brasileiros e Indígenas Diva Rodrigues - Uma Visão Retrospectiva. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123901. Acesso em: 30 out. 2026.