O Que Você Cala: Protagonismo Juvenil e Diálogo Sobre a Violência Contra a Mulher na Escola Pública

Autores

  • Leticia Lucas
  • Taileine Lorena Freire Campos

Palavras-chave:

Palavras-chave, Violência, gênero, Participação, juvenil, Educação, direitos, humanos

Resumo

A violência contra a mulher constitui uma temática de relevância social que demanda ações de conscientização, diálogo e reflexão também no espaço escolar. Nesse contexto, o projeto desenvolvido na Escola Nossa Senhora das Graças, no município de Aceguá-RS, teve como objetivo promover a reflexão dos estudantes sobre a violência contra a mulher, suas diferentes manifestações e formas de enfrentamento, por meio de diferentes linguagens e estratégias educativas, em uma proposta interdisciplinar integrada às atividades da escola. A iniciativa surgiu a partir de uma demanda apresentada pelos próprios estudantes em uma roda de conversa e foi desenvolvida entre março e dezembro, envolvendo aproximadamente 20 estudantes, com participação variável nos encontros, sob a coordenação de uma professora com formação em Atendimento Educacional Especializado e um professor com formação em História, atuante nos anos finais do Ensino Fundamental. As atividades foram organizadas de forma participativa, buscando favorecer o protagonismo estudantil na construção e no desenvolvimento das ações. Foram realizadas rodas de conversa utilizando filmes, notícias, dados sobre violência contra a mulher, debates e dinâmicas relacionadas a situações da realidade, além de momentos de escuta, relatos e dramatizações. Os estudantes também participaram da criação e produção de materiais de divulgação, como banner, camisetas, mural de pano para assinaturas e registros, panfletos e materiais destinados à divulgação na comunidade. Por meio de votação, o grupo definiu o nome e a identidade visual do projeto e foi organizado em grupos responsáveis pelas áreas de mídias, arte e teatro, assumindo tarefas relacionadas à elaboração de textos, ensaios, cenários, gravações e edição de vídeos. Entre as produções, destaca-se a elaboração de um podcast sobre a violência contra a mulher, inicialmente produzido pelos estudantes e posteriormente ampliado com a participação de convidados, incluindo profissionais do Conselho Tutelar do município, psicólogo da Unidade Básica de Saúde, representante da Secretaria da Mulher de Bagé e um grupo de residentes da Fiocruz do Rio de Janeiro que se encontrava no município durante o período do projeto, cuja participação foi articulada a partir da indicação de uma profissional da assistência social inicialmente convidada para uma das atividades. Também foram criados um perfil no Instagram e um canal no YouTube para divulgação das produções. Como parte das ações, foi realizada uma apresentação teatral para a escola e a comunidade, representando situações relacionadas a diferentes tipos de violência e suas repercussões na vivência de uma estudante no espaço escolar. Como resultados, observou-se o envolvimento dos estudantes na organização, produção e divulgação das ações, assumindo responsabilidades nas diferentes etapas do projeto. Após as atividades, a temática permaneceu presente nas conversas dos estudantes, sendo observada também a preocupação em compartilhar notícias relacionadas ao assunto nas redes sociais. O perfil criado no Instagram permaneceu em funcionamento e o projeto teve continuidade posteriormente, com a escolha de uma nova temática. Como desdobramentos da experiência, foram instituídos murais inclusivos na escola, com apresentação mensal de banners sobre diferentes temáticas, e a psicóloga escolar passou a desenvolver rodas de conversa nas turmas. A experiência possibilitou articular diálogo, arte, teatro, produção audiovisual, mídias digitais e participação comunitária, evidenciando a interdisciplinaridade da proposta e ampliando as possibilidades de abordagem de uma temática socialmente relevante no espaço escolar. Conclui-se que o projeto contribuiu para ampliar os espaços de diálogo sobre a violência contra a mulher e fortalecer a participação estudantil na construção de ações de conscientização, além de favorecer a continuidade das discussões e a incorporação de novas ações à rotina escolar.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

O Que Você Cala”: Protagonismo Juvenil e Diálogo Sobre a Violência Contra a Mulher na Escola Pública. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123894. Acesso em: 24 out. 2026.