Da Representatividade Ao Enfrentamento: os Papéis de Um Comitê de Gênero e Sexualidade

Autores

  • Oliver Schlosser Werner
  • Angelo Ramos Junior
  • Adalvane Nobres Damaceno
  • Liamara Denise Ubessi

Palavras-chave:

homofobia, diversidade, universidade

Resumo

A atuação como bolsista do Comitê Institucional de Gênero e Sexualidade da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Uruguaiana, possui vigência de 08 de junho de 2026 até 31 de dezembro de 2026. Este relato apresenta experiências iniciais, com foco na promoção da diversidade e enfrentamento às violências de gênero e sexualidade. Trata-se de relato descritivo, elaborado a partir da participação em atividades, registros de debates, organização de ações, produção de materiais e acompanhamento de demandas institucionais. Em junho de 2026, o Comitê participou da 1ª Conferência Livre LGBTQIAPN+ em Saúde de Uruguaiana, um evento preparatório para a conferência municipal de saúde, que reuniu representantes de movimentos sociais, instituições e demais profissionais. A atividade discutiu os eixos da conferência, reafirmando os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) na defesa da população LGBTQIAPN+ e redução das desigualdades, com participação de diferentes iniciativas sociais e institucionais. Ainda em junho, foi realizada no Campus Uruguaiana a atividade CINE Debate: Apresentação de curta-metragem, com exibição do curta francês PD e posterior roda de conversa. Apesar da divulgação, participaram apenas quatro pessoas, sendo três estudantes e uma profissional da higienização. A baixa participação evidencia desafios para a construção e consolidação de espaços de discussão sobre gênero e sexualidade, podendo estar relacionada a barreiras como receio de exposição ou até mesmo desinteresse. A experiência reforçou a necessidade de ações contínuas de sensibilização e acolhimento, para que pessoas LGBTQIAPN+ possam entender a universidade como um espaço seguro de participação, representatividade e de pertencimento. Findada a atividade, bandeiras e balões coloridos foram reorganizados no saguão do Prédio 700, como forma de intervenção alusiva ao Mês do Orgulho LGBTQIAPN+. Poucos dias depois, as bandeiras foram completamente removidas. O ocorrido foi comunicado, pelo bolsista, à coordenação e à equipe executiva do Comitê, sem identificação dos responsáveis. A situação demonstra, portanto, que a homofobia, apesar de constituir um crime, está mais presente do que se imagina mesmo dentro das universidade. A situação possibilitou refletir sobre manifestações de LGBTfobia e sobre a importância de estratégias institucionais de prevenção e de enfrentamento às violências. Em julho, o bolsista acompanhou o início do encaminhamento de uma denúncia de assédio envolvendo uma estudante de Medicina e, sob orientação da coordenação, participou da elaboração de uma nota oficial para divulgação nas redes sociais, respeitando os limites e procedimentos institucionais. Também acompanhou o recebimento de uma denúncia envolvendo transfobia e assédio moral relacionada a integrantes da Residência em Saúde Mental Coletiva, encaminhada ao Comitê para ciência e início das apurações. Essas situações evidenciam que as desigualdades de gênero e identidade de gênero permanecem presentes e frequentes em instituições que deveriam constituir ambientes de respeito, formação e proteção. Nesse contexto, a atuação de Comitês de Gênero e Sexualidade nas universidades assume papel fundamental no enfrentamento dessas violências, por constituir espaço institucional de orientação, acolhimento e encaminhamento de relatos. A existência desses espaços contribui para romper com a naturalização das violências e fortalecer uma cultura institucional baseada no respeito à diversidade, na equidade e na garantia de direitos. Além de promover ações educativas, o Comitê oferece visibilidade às pessoas que vivenciam violência, reconhecendo que o enfrentamento das desigualdades de gênero e da LGBTfobia exige não apenas uma responsabilização individual, mas também mudanças nas estruturas e relações de poder que sustentam essas práticas. Como resultados, as experiências possibilitaram o desenvolvimento de competências de organização de eventos, comunicação institucional e digital, registro, articulação entre setores e acompanhamento de demandas. Conclui-se que a atuação como bolsista possibilitou não apenas a participação na construção de ações de promoção da diversidade, mas também o contato direto com situações que evidenciam a permanência da LGBTfobia, da transfobia e da violência contra as mulheres em espaços educacionais. As experiências demonstraram que essas violências podem manifestar-se desde a retirada de símbolos de representatividade até situações que demandam acolhimento e encaminhamento institucional. Dessa forma, reforçou-se a importância da atuação contínua do Comitê na construção de espaços universitários mais seguros, inclusivos e comprometidos com o respeito à diversidade e ao enfrentamento das desigualdades.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Da Representatividade Ao Enfrentamento: os Papéis de Um Comitê de Gênero e Sexualidade. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123887. Acesso em: 28 out. 2026.