Entre Práticas e Evidências: Mapeando a Educação Inclusiva em uma Escola de Bagé/RS

Autores

  • Tamires Dornelles
  • Claudete Martins

Palavras-chave:

Educação, inclusiva, Formação, docente, Gestão, escolar

Resumo

A educação inclusiva constitui um dos principais debates das instituições de ensino, exigindo reflexão sobre políticas institucionais consistentes e práticas pedagógicas fundamentadas em conhecimento científico atualizado. Este trabalho tem por objetivo apresentar os dados de uma pesquisa de campo com abordagem qualitativa, desenvolvida no período de agosto a junho de 2026 realizada em uma instituição privada de ensino localizada em Bagé/RS, mapeando as ações inclusivas ali existentes, identificando os desafios enfrentados e analisando as percepções sobre acessibilidade e inclusão na escola pesquisada. A investigação constitui-se como um recorte da primeira etapa do projeto Tertúlias Inclusivas do Pampa. Participaram como sujeitos da pesquisa uma docente e uma gestora. A coleta de dados ocorreu mediante a aplicação de dois instrumentos de questionário pré-tertúlia. A análise dados revelou que a gestão da escola considera a instituição inclusiva, considerando a presença de profissionais habilitados e pelo reconhecimento da escola como referência na cidade, conceituando a inclusão educacional como o direito de frequentar a escola regular associado às adaptações curriculares necessárias, ao respeito às diferenças e à garantia de acessibilidade para uma aprendizagem significativa em conformidade com a Lei Brasileira de Inclusão (Brasil, 2015). Constatou-se que a instituição possui políticas e programas voltados para a inclusão, contemplando adaptações curriculares, formação continuada aos docentes, apoio de profissionais especializados, produção de recursos didáticos acessíveis e projetos de ensino voltados à inclusão, planejados por meio de estudos de caso e reuniões periódicas envolvendo toda a equipe escolar, com avaliação contínua e formativa. Percebe-se que a escola adota uma perspectiva de trabalho colaborativo possibilitando desenvolver estratégias pedagógicas compartilhadas (Rodrigues,2006). As motivações para as ações inclusivas foram atribuídas simultaneamente à exigência legal, à demanda da comunidade escolar e à iniciativa da equipe gestora, evidenciando que o processo inclusivo ocorre para além da exigência legal prevista. A receptividade da comunidade escolar em relação às práticas inclusivas foi avaliada como positiva, segundo a gestão escolar, embora a fundamentação científica das práticas ocorra apenas parcialmente, através de formações continuadas, grupos de estudos e participação em eventos acadêmicos, porém a parceria com a universidade não foi respondida como uma estratégia para o acesso aos conhecimentos científicos ainda que a escola possua orientações pedagógicas institucionais que incentivam práticas baseadas em evidências científicas. Sob a perspectiva docente, o nível de inclusão educacional da escola foi avaliado como muito bom, contudo a resistência da comunidade escolar apontada como principal barreira. Entre os benefícios percebidos que a educação inclusiva traz para a escola destacam-se o desenvolvimento social e emocional dos estudantes e a promoção da inclusão de todos no ambiente escolar. Para além da presença física, a convivência contínua com a diversidade favorece a construção da empatia e pode reduzir atitudes capacitistas. O docente relatou que a escola está parcialmente preparada para promover acessibilidade e inclusão, utiliza estratégias pedagógicas inclusivas em sala de aula, com destaque para a adaptação de materiais didáticos, o trabalho colaborativo entre colegas, o uso de recursos de tecnologia assistiva e o planejamento individualizado, além de recursos digitais adaptados e atuação conjunta com livros ou materiais em braille. Para a implementação de práticas inclusivas é necessário o trabalho em parceria entre coordenadores pedagógicos e profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE) cuidadores e monitores, resultando na inclusão total dos estudantes com deficiência nas atividades escolares (Mantoan,2003).A fundamentação científica da prática docente sustenta-se na formação continuada, em leituras e em grupos de pesquisa. Os professores consultam com frequência autores como Vigotski e Paulo Freire e utilizam tecnologia assistiva e softwares de comunicação como práticas inclusivas cientificamente embasadas no cotidiano escolar. Como ação, para colaborar com a divulgação científica na área da educação, indicam palestras, oficinas práticas e formação de grupos de estudo. Conclui-se que a instituição apresenta um processo de inclusão educacional institucionalizado, ainda que persistam desafios relacionados ao fortalecimento da fundamentação científica das ações e ao enfrentamento da resistência de parte da comunidade escolar, reforçando a relevância de iniciativas como as Tertúlias Inclusivas do Pampa na aproximação entre a produção acadêmica da Unipampa e as práticas pedagógicas inclusivas.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Entre Práticas e Evidências: Mapeando a Educação Inclusiva em uma Escola de Bagé/RS. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123877. Acesso em: 24 out. 2026.