Acessibilidade Digital no Ensino Superior: Barreiras e Desafios na Unipampa - Campus São Borja

Autores

  • Ana Pinheiro
  • Jefferson Soares Rodrigues dos Santos
  • Gilvane Belem Correia

Palavras-chave:

Acessibilidade, Inclusão, Tecnologia

Resumo

A acessibilidade digital no ensino superior representa um elemento fundamental para garantir a inclusão e a autonomia das pessoas com deficiência. Com a crescente utilização de plataformas digitais, sites institucionais e ambientes virtuais de aprendizagem, assegurar que essas ferramentas possam ser utilizadas por todos os estudantes torna-se indispensável para a efetivação do direito à educação. Nesse contexto, a questão que norteia esta pesquisa é: quais são as principais barreiras de acessibilidade digital presentes na Universidade Federal do Pampa, e de que forma elas interferem na participação e permanência dos estudantes com deficiência e outras necessidades específicas? A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, exploratória e descritiva, desenvolvida a partir da análise dos recursos digitais utilizados no cotidiano acadêmico da Unipampa, com ênfase no site institucional, no sistema de Gestão Unificada de Recursos Institucionais (GURI) e no Moodle. Foram considerados aspectos relacionados à acessibilidade, como por exemplo a organização de informações, ferramentas de acessibilidade e tecnologias assistivas. Os resultados foram confrontados com os princípios estabelecidos pela Lei n° 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência) e a ABNT NBR 17225, considerando parâmetros relacionados à eliminação de barreiras e à promoção da acessibilidade digital. A análise evidencia que a existência de recursos de acessibilidade não garante por si só uma experiência digital acessível. O site da Unipampa não atende integralmente às necessidades dos usuários, especialmente quando comparado com o site da USP, por exemplo, que disponibiliza maior diversidade de recursos de acessibilidade, como por ferramentas de navegação adaptadas para pessoas com dislexia e baixa visão, e suporte à utilização de leitores de tela. Além disso, estudantes neurodivergentes e pessoas com deficiência sensorial podem encontrar dificuldades relacionadas à organização e ao processamento das informações, comprometendo a autonomia e a participação acadêmica. No caso do GURI, várias de suas características e a forma como o sistema é organizado podem dificultar a localização de informações e a realização de determinadas atividades. Um exemplo é a realização da matrícula para o próximo semestre, tarefa que alguns estudantes não conseguem realizar sem auxílio. A disposição dos menus, a quantidade de informações apresentadas na tela e a necessidade de acessar uma aba específica para conseguir chegar a outra podem tornar a navegação menos intuitiva, principalmente para usuários que apresentam dificuldades de leitura e atenção. Quanto ao Moodle, embora estejam disponíveis recursos como alteração de contraste e tamanho da fonte, foram observadas limitações relacionadas à permanência dessas configurações durante a navegação, uma vez que os recursos podem retornar à configuração padrão após o acesso a determinadas atividades. Quando comparado ao Google Sala de Aula, uma plataforma que também é utilizada para atividades acadêmicas, o Sala de Aula possui ferramentas que permitem a sua utilização com tecnologias assistivas e recursos de acessibilidade oferecidos pelo navegador e pelo próprio dispositivo do estudante, por exemplo: leitores de tela, zoom e ampliação, legendas em vídeos, atalhos de teclado, entre outros. O Moodle também possui esse tipo de instrumento voltado para a acessibilidade, incluindo suporte à navegação por teclado e compatibilidade com tecnologias assistivas, além de ferramentas que podem auxiliar na adaptação da apresentação de conteúdo. Porém, essa disponibilidade depende da configuração feita pela instituição e de como os professores organizam os conteúdos dentro da plataforma. Sendo assim, apesar de possuir essas ferramentas, ele apresenta dificuldades relacionadas à sua utilização tanto para estudantes quanto para professores. Para os alunos, a quantidade de informações, menus, atividades e conteúdos disponíveis pode tornar a navegação mais complexa, principalmente quando as disciplinas não têm um padrão de organização e cada professor arruma de sua maneira. Embora o Moodle apresente uma possibilidade maior para a organização do ensino, essa mesma complexidade acaba colocando-o no mesmo problema do GURI: ambas as experiências se tornam muito complexas. Finalizando, a complexidade excessiva dos sistemas pode construir uma barreira mesmo quando existem recursos destinados à acessibilidade. É necessário desenvolver e aprimorar as plataformas institucionais a partir das necessidades reais dos usuários, com interfaces mais simples e objetivas. Nesse sentido, a adoção do princípio de que menos é mais pode contribuir para reduzir as barreiras digitais e ampliar a autonomia e participação dos estudantes no ambiente acadêmico.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Acessibilidade Digital no Ensino Superior: Barreiras e Desafios na Unipampa - Campus São Borja. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123875. Acesso em: 24 out. 2026.