Tecnologia Assistiva e Comunicação Aumentativa e Alternativa para Aprendizagem e Inclusão no Ensino Superior.

Autores

  • Cimone Halberstadt
  • Lisete Dias Funari
  • Franceli Brizolla

Palavras-chave:

Paralisia, Cerebral, Acessibilidade, Pedagógica, Inclusão, No, Ensino, Superior

Resumo

A inclusão de estudantes com deficiência no ensino superior demanda a revisão de práticas pedagógicas, recursos e formas de participação, de modo a garantir não apenas o acesso, mas condições efetivas de aprendizagem. Este trabalho analisa as contribuições da Tecnologia Assistiva (TA) e da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) para a participação e a aprendizagem de um estudante com paralisia cerebral e comunicação não verbal, matriculado em um componente curricular do curso de Licenciatura em Música de uma Universidade Federal localizada no extremo sul do Rio Grande do Sul. O objetivo foi analisar de que modo recursos tecnológicos e estratégias de comunicação, articulados às práticas pedagógicas, favoreceram o acesso aos conteúdos, a expressão, a interação e a autonomia acadêmica. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, desenvolvido a partir da análise de registros das atividades pedagógicas realizadas durante o componente curricular, dos materiais acessíveis produzidos e das interações estabelecidas entre estudante, docente e colegas. O estudante já utilizava computador com controle ocular e recursos de CAA desde o Ensino Médio Técnico, os quais foram incorporados às atividades acadêmicas. A análise evidenciou que o computador com controle ocular possibilitou acessar conteúdos, selecionar informações, produzir respostas e realizar atividades com maior autonomia. Os recursos de CAA ampliaram as possibilidades de expressão, permitindo ao estudante comunicar ideias, escolhas e conhecimentos e participar das interações em sala de aula. A produção de materiais pedagógicos acessíveis contribuiu para adequar a apresentação dos conteúdos às suas formas de acesso e participação. Entretanto, a disponibilidade da tecnologia, isoladamente, não garante a inclusão. Algumas ferramentas inicialmente utilizadas mostraram-se pouco funcionais por exigirem ações incompatíveis com a forma de controle ocular empregada pelo estudante. A identificação dessas barreiras levou à reorganização das estratégias e à busca de alternativas mais adequadas, mediante observação, diálogo e experimentação. Nesse processo, a TA e a CAA passaram a constituir elementos de mediação entre o estudante, os conteúdos, as atividades, a docente e os colegas. Destaca-se a elaboração, pelo próprio estudante, de uma prancha de comunicação utilizando software específico, evidenciando a ampliação de seu papel de usuário para autor e participante ativo na construção dos recursos necessários à sua comunicação. Os resultados indicam que a efetividade da TA e da CAA esteve relacionada à sua articulação com práticas pedagógicas flexíveis, acessíveis e centradas nas possibilidades de participação do estudante. A escuta de suas formas de comunicação, a consideração de conhecimentos construídos em sua trajetória educacional e a disposição docente para adaptar propostas foram fatores relevantes para superar barreiras encontradas no cotidiano acadêmico. Conclui-se que TA e CAA pode contribuir significativamente para a qualidade do ensino e da aprendizagem no ensino superior ao ampliar as condições de comunicação, acesso aos conteúdos, interação, expressão e autonomia. Mais do que disponibilizar recursos, a inclusão requer planejamento pedagógico, acompanhamento e reorganização das estratégias diante das necessidades e potencialidades dos estudantes. A análise reforça, assim, a importância de práticas pedagógicas inovadoras e acessíveis, nas quais a tecnologia esteja integrada ao processo educativo e não seja compreendida apenas como instrumento compensatório.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2026-10-05

Como Citar

Tecnologia Assistiva e Comunicação Aumentativa e Alternativa para Aprendizagem e Inclusão no Ensino Superior. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123870. Acesso em: 28 out. 2026.