Vivências de Monitoria: O Olhar de uma Bolsista Licenciada

Autores

  • Beatriz Silva
  • Jociani Altmayer

Palavras-chave:

Educação, Inclusiva, Acessibilidade, Aprendizagem

Resumo

A educação inclusiva se configura como um direito básico e um pilar fundamental para um ensino público de qualidade. Ela abrange não somente o ingresso de alunos, mas também a garantia de que todos permaneçam, participem ativamente e aprendam de forma significativa, sem distinção de suas particularidades ou necessidades. Neste sentido o objetivo deste relato é expor minhas experiências vividas durante o monitoramento, realizado com a bolsa da Divisão de Educação Inclusiva e Acessibilidade (DEIA), núcleo vinculado à Pró-Reitoria de Comunidades, Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão (PROCADI) da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Esse setor tem como propósito criar condições de permanência e desenvolvimento acadêmico para estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades, buscando minimizar barreiras pedagógicas, acadêmicas, de comunicação, sociais e culturais. A minha experiência se difere por um ponto crucial: uma formação anterior em Licenciatura. Isso me forneceu uma base teórica, metodológica e prática sobre o ensino e a aprendizagem, a diversidade e a educação inclusiva, impactando diretamente na maneira como eu monitorei alguns alunos. Durante a minha bolsa auxiliei inúmeros alunos com solicitações distintas, entretanto fiquei responsável pelo monitoramento direto de duas alunas com perfis e necessidades bem diferentes: a primeira possui retardo mental moderado, associado a Transtorno Global do Desenvolvimento e Transtorno do Espectro Autista (TEA), apresentando um ritmos e estilo de aprendizado próprio, formas particulares de comunicação mas com uma excelente interação social, além de necessitar de organização e suporte para lidar com situações que causavam ansiedade. A segunda possuía deficiências múltiplas, o que implicava nos desafios de mobilidade bem mais que na comunicação, cuidados ao acesso do conhecimento, demandando acompanhamento lado a lado e atenção contínua. A convivência diária com essas alunas me permitiu constatar que a inclusão não se resolve com soluções padronizadas, mas com sensibilidade, conhecimento, flexibilidade e o reconhecimento que cada indivíduo é único. A abordagem utilizada baseou-se nos ideais da educação inclusiva e nos saberes pedagógicos adquiridos durante a minha graduação, organizando suporte individual, acompanhamento em sala de aula, colaboração com os professores das disciplinas, e o contato da equipe da DEIA junto aos responsáveis. No que compete à primeira aluna, meu foco inicial foi entender sua maneira de se expressar, dedicando tempo e à criação de um laço de confiança, trabalhamos seu entendimento das aulas ministradas, e como ela conseguia expressar tal entendimento. Quanto à segunda aluna, meu contato foi menor, entretanto a prioridade era a sua locomoção, auxílio na leitura e escrita de atividades acadêmicas. Em ambos os cenários, foram mantidas conversas contínuas com os professores para troca de orientações e sugestões de adaptações, contato frequente com a equipe da DEIA para relatar progressos, obstáculos e necessidades, e uma relação cordial com as famílias, acolhendo suas visões e compartilhando informações relevantes dentro das atribuições estabelecidas. A formação em Licenciatura me permitiu, desde o início, perceber a relevância de organizar o conhecimento, de usar vocabulário claro, de reconhecer que cada desafio pode morar no contexto ou na maneira de apresentar a informação e não unicamente no indivíduo, e de estabelecer um vínculo de acolhimento e confiança como base de todo aprendizado.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Vivências de Monitoria: O Olhar de uma Bolsista Licenciada. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123863. Acesso em: 4 nov. 2026.