Autonomia Acadêmica e Letramento Digital: Relato de Experiência na Licenciatura em Educação do Campo
Palavras-chave:
Educação, Campo, Letramento, digital, Autonomia, acadêmica, Tempo, Universidade, Relato, experiênciaResumo
A participação na vida universitária exige, além do acesso às aulas e aos conteúdos curriculares, a capacidade de compreender e utilizar sistemas, documentos e canais institucionais que organizam a trajetória acadêmica. Na Educação do Campo - Licenciatura da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Dom Pedrito, essa necessidade apresenta particularidades relacionadas ao regime de alternância, que articula Tempo Universidade e Tempo Comunidade e reúne estudantes provenientes de diferentes municípios, comunidades e territórios. A proposta das oficinas surgiu da observação compartilhada pela Coordenação Acadêmica e por servidoras integrantes do Núcleo de Desenvolvimento Educacional (NuDE) de que muitos estudantes apresentavam baixo domínio dos sistemas acadêmicos e insegurança para realizar procedimentos sem auxílio. As dificuldades envolviam o acesso ao GURI pelo celular, a localização de documentos, a compreensão do histórico escolar, da integralização, do Projeto Pedagógico de Curso (PPC), das matrizes curriculares e das equivalências entre diferentes versões do PPC. Este trabalho tem como objetivo relatar e analisar a experiência de planejamento e desenvolvimento de oficinas de letramento digital voltadas ao fortalecimento da autonomia acadêmica dos estudantes durante o Tempo Universidade de julho de 2026. O trabalho caracteriza-se como relato de experiência, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-reflexivo, fundamentado na observação pedagógica das dificuldades manifestadas, nos registros do planejamento e da realização das atividades e na análise dos materiais produzidos. A ação foi estruturada em três encontros, nos dias 16, 23 e 30 de julho de 2026, sendo os resultados apresentados referentes aos dois primeiros encontros e o terceiro destinado à retomada e à consolidação das aprendizagens. Foram confeccionadas duas apostilas de orientação discente. A primeira abordou o uso do GURI pelo celular, com linguagem simples, imagens de telas reais e orientações sobre login, Portal do Aluno, relatórios, comprovante de matrícula, histórico escolar, integralização, planos de ensino, solicitações, assistência estudantil, biblioteca e resolução de dificuldades comuns. A segunda tratou do PPC, da matriz curricular, da matriz de equivalências, do acompanhamento da matrícula e da integralização, dos componentes curriculares complementares, das estruturas curriculares de 2016/2019 e 2023/2025, além de apresentar checklists e glossário acadêmico. Os materiais foram disponibilizados digitalmente e entregues impressos aos participantes, considerando diferentes condições de acesso, preferências de estudo e níveis de familiaridade com recursos digitais. Em razão do número expressivo de interessados e da necessidade de acompanhamento individualizado, os estudantes foram organizados em duas turmas, o que permitiu respeitar ritmos distintos, repetir procedimentos e ampliar o espaço destinado às dúvidas. A condução das oficinas adotou uma abordagem prática e dialógica: os procedimentos eram demonstrados enquanto os participantes realizavam as ações em seus próprios celulares, relacionando cada recurso à sua utilidade na vida acadêmica. Os encontros evidenciaram que as dificuldades não se restringiam ao acesso inicial ao GURI, pois parte dos estudantes conseguia entrar no sistema, mas não reconhecia a finalidade das abas, não localizava documentos ou apresentava insegurança para interpretar termos como PPC, crédito, equivalência e integralização. A prática nos próprios aparelhos tornou visíveis diferenças entre navegadores, tamanhos de tela, velocidade de conexão, recuperação de senha e localização de botões, confirmando a importância da mediação próxima. As apostilas funcionaram como roteiro durante as atividades e permaneceram como material de consulta para o Tempo Comunidade, quando o apoio presencial da universidade não está imediatamente disponível. A experiência indica que a autonomia acadêmica digital não resulta apenas da disponibilização de plataformas, mas de ações formativas contextualizadas, acessíveis e contínuas. Ao aprender a consultar dados, acompanhar solicitações e relacionar histórico, matriz curricular e integralização, o estudante amplia sua participação e reduz a dependência de terceiros em tarefas recorrentes. Conclui-se que as oficinas constituíram uma estratégia de apoio acadêmico e inclusão digital alinhada às necessidades concretas da Licenciatura em Educação do Campo, com potencial para contribuir para a permanência, a segurança na realização de procedimentos institucionais e a compreensão da própria trajetória formativa.Downloads
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Publicado
2026-10-05
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Autonomia Acadêmica e Letramento Digital: Relato de Experiência na Licenciatura em Educação do Campo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123862. Acesso em: 31 out. 2026.