Inclusão Que Se Materializa: Relato de Experiência no Laboratório de Produção de Materiais Didáticos Inclusivos

Autores

  • Debora Luiz Charao
  • Bruna Nunes de Moura
  • Patricia Forgiarini Firpo
  • Jociani Altmayer

Palavras-chave:

Educação, inclusiva, Materiais, didáticos, acessíveis, Desenho, Universal, para, Aprendizagem, Formação, interdisciplinar, Relato, experiência

Resumo

A educação inclusiva exige mais do que garantir o ingresso do estudante: requer transformar práticas, linguagens, espaços e recursos para contemplar diferentes formas de aprender, participar e expressar conhecimentos. Essa compreensão está alinhada à Lei nº 13.146/2015, que assegura o direito à educação em sistema inclusivo e reforça a eliminação de barreiras à participação. Este trabalho relata a experiência de uma estudante do curso de Zootecnia, bolsista do projeto Laboratório de Produção de Materiais Didáticos Inclusivos para o Ensino de Ciências da Natureza, desenvolvido na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Dom Pedrito. O projeto propõe um espaço permanente para produção e organização de recursos didáticos concretos e multissensoriais, orientados pelos princípios do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA), além de atividades de formação, oficinas, pesquisa e futura circulação de materiais junto à rede de ensino. A proposta considera que os recursos acessíveis devem ser concebidos desde o planejamento, evitando que a acessibilidade seja tratada apenas como adaptação posterior. O DUA contribui para esse processo ao propor múltiplas formas de representação, engajamento, ação e expressão, ampliando as possibilidades de participação e aprendizagem (CAST, 2018). O objetivo deste relato é analisar as aprendizagens construídas pela bolsista e evidenciar o papel formativo, interdisciplinar e inovador da iniciativa. Trata-se de um relato de experiência qualitativo, descritivo e reflexivo, elaborado a partir da sistematização das atividades realizadas no cotidiano do projeto. Entre as ações desenvolvidas destacam-se a criação de materiais didáticos inclusivos, a organização dos recursos e do espaço físico do laboratório e o apoio prestado junto ao Núcleo de Desenvolvimento Educacional (NuDE) e ao espaço pedagógico, com orientação e acolhimento aos estudantes quando necessário. A experiência possibilitou compreender que produzir um material inclusivo não consiste apenas em adaptar um conteúdo pronto, mas em antecipar barreiras e considerar, desde o planejamento, clareza, legibilidade, organização, linguagem direta, recursos visuais e táteis e diferentes possibilidades de interação. Essa compreensão aproxima-se de Mantoan (2015) e Sassaki (2010), para os quais a inclusão pressupõe mudanças nos contextos e nas práticas, e não apenas a adequação do sujeito às estruturas existentes. A organização do laboratório também se mostrou relevante, pois identificar, preservar e ordenar os materiais favorece sua reutilização e permite que produções pontuais componham um acervo institucional. Assim, o laboratório constitui um ambiente de formação, experimentação, planejamento e compartilhamento de práticas inclusivas. O contato com as atividades do NuDE ampliou a compreensão sobre as condições de permanência estudantil e demonstrou que as barreiras podem envolver, além dos materiais didáticos, comunicação, acesso às informações, organização das rotinas acadêmicas, acolhimento e relações institucionais. Como resultado formativo, a bolsista ampliou sua compreensão sobre inclusão e acessibilidade e desenvolveu competências de organização, responsabilidade, criatividade, comunicação, planejamento, trabalho coletivo e escuta. A participação de uma estudante de Zootecnia reforça o caráter interdisciplinar do projeto e evidencia que o compromisso com a inclusão não pertence apenas às licenciaturas ou à Educação Especial, mas deve integrar diferentes áreas de formação profissional, incorporando direitos humanos, responsabilidade social e respeito às diferenças. O potencial inovador do laboratório reside na criação de um circuito institucional entre identificação de barreiras, planejamento, produção, organização e compartilhamento de soluções. Ao articular ensino, pesquisa, extensão, formação acadêmica e inclusão, o projeto contribui para fortalecer uma cultura de acessibilidade no Campus Dom Pedrito. Conclui-se que a iniciativa favorece a formação acadêmica e humana da bolsista e amplia a capacidade institucional de produzir respostas mais acessíveis, acolhedoras e sustentáveis, transformando princípios inclusivos em práticas, materiais e conhecimentos compartilháveis.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Inclusão Que Se Materializa: Relato de Experiência no Laboratório de Produção de Materiais Didáticos Inclusivos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123861. Acesso em: 2 nov. 2026.