Ylê Axé Ogum Avagã: Ancestralidade, Espiritualidade e Resistência.
Palavras-chave:
Religiões, matriz, africana, Ancestralidade, Racismo, religiosoResumo
Este trabalho apresenta um relato de experiência sobre o Ylê Axé Ogum Avagã, localizado no município de Jaguarão/RS, tendo como foco a vivência na casa e uma entrevista realizada com o zelador de santo (esse termo é utilizado para se referir ao dirigente espiritual da casa). As religiões de matriz africana constituem importantes expressões da diversidade cultural e religiosa brasileira, são relacionadas à ancestralidade, à preservação de saberes e à resistência dos povos africanos e afro-brasileiros. Apesar de sua importância histórica e cultural, essas tradições ainda enfrentam manifestações de preconceito, intolerância e racismo religioso. Nesse contexto, o presente trabalho tem suas raízes no eixo de ERER do PET Pedagogia mas segue no contexto atual dos Direitos Humanos. A discussão articula a valorização da ancestralidade e dos saberes de matriz africana ao enfrentamento do racismo religioso e à promoção do respeito à diversidade. O objetivo deste trabalho é compreender a experiência do Ylê Axé Ogum Avagã enquanto espaço de espiritualidade, acolhimento, (re) produção de saberes e resistência, considerando seus fundamentos e ensinamentos e sua contribuição para a preservação da ancestralidade e o enfrentamento ao preconceito e ao racismo religioso. A pesquisa possui abordagem qualitativa, de natureza aplicada, com objetivos exploratórios e descritivos, desenvolvida por meio de um relato de experiência. Como procedimento de coleta de dados, foi realizada uma entrevista semiestruturada com o zelador de santo, selecionado de forma intencional por sua responsabilidade pela casa e por seu conhecimento sobre sua trajetória, fundamentos e práticas. A entrevista abordou aspectos relacionados à história do Ylê, sua tradição religiosa, ancestralidade, fundamentos, ensinamentos, acolhimento, preconceito e racismo religioso. Os relatos foram organizados e analisados de forma interpretativa, articulando as informações obtidas à experiência vivenciada e ao referencial teórico selecionado. Os resultados possibilitaram compreender o Ylê Axé Ogum Avagã como um espaço que ultrapassa a dimensão exclusivamente religiosa, constituindo-se também como lugar de acolhimento, convivência, aprendizagem, preservação da ancestralidade e resistência. Os ensinamentos desenvolvidos na casa estão relacionados ao respeito aos Orixás, à humildade, à caridade, à responsabilidade e à valorização da ancestralidade. A transmissão dos conhecimentos ocorre principalmente pela oralidade, pela observação, pela convivência e pela participação, evidenciando diferentes formas de aprendizagem e construção de saberes. A experiência também permitiu compreender que a continuidade dos fundamentos e das práticas da casa constitui uma forma de resistência cultural e religiosa diante de processos históricos de preconceito e marginalização. Embora o zelador não tenha relatado agressões diretas contra o Ylê, foram reconhecidos julgamentos e ataques direcionados a outras comunidades religiosas, demonstrando a permanência do racismo religioso. Conclui-se que o Ylê Axé Ogum Avagã contribui para a preservação da ancestralidade, para a transmissão de conhecimentos e para a construção de vínculos comunitários, constituindo-se como espaço de espiritualidade, acolhimento, aprendizagem e resistência. A experiência também contribui para a formação em Pedagogia ao possibilitar o reconhecimento do terreiro como espaço de produção de saberes e reforçar a importância de uma educação comprometida com a valorização da diversidade cultural e religiosa e com o enfrentamento ao racismo religioso.Downloads
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Publicado
2026-10-05
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Ylê Axé Ogum Avagã: Ancestralidade, Espiritualidade e Resistência. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123859. Acesso em: 28 out. 2026.