Solitária em Cena:curta-metragem,debate e a Importância da Universidade Pública na Vida da Mulher Negra
Palavras-chave:
Universidade, Pública, Mulher, Negra, Educação, AudiovisualResumo
Entende-se que, a literatura brasileira contemporânea constitui-se como ferramenta essencial para dar visibilidade a trajetórias historicamente invisibilizadas e para fomentar o debate sobre desigualdades estruturais de raça,gênero e classe.O livro Solitária,de Eliana Alves Cruz,ocupa lugar central nesse debate ao narrar a história de uma mulher negra,mãe solteira e trabalhadora doméstica,que enfrenta as marcas do racismo e da pobreza enquanto busca a realização do sonho de ingressar na universidade.Partindo dessa premissa,este trabalho foi desenvolvido com os estudantes da turma 311 do terceiro ano do ensino médio da Escola Estadual Getúlio Vargas,sob a orientação na escola da professora Patrícia Roballo regente da turma, e da bolsista Luise Guimarães,em âmbito acadêmico com supervisão de Ronaldo Colvero. O objetivo foi promover a leitura crítica,o debate e a produção audiovisual a partir da obra, utilizando a construção de uma curta-metragem como estratégia pedagógica para aproximar os jovens da realidade retratada e refletir sobre o papel da educação,especialmente do ensino superior público, na transformação social. Metodologicamente,o projeto foi estruturado em duas etapas.A primeira etapa consistiu na apresentação do livro para a turma 311,conduzida pela bolsista e pela professora,seguida de leitura de trechos selecionados,debate e levantamento de dúvidas. Nesse momento foi dada ênfase ao papel da mulher negra na sociedade brasileira e à importância da universidade como espaço de ascensão social e de garantia de direitos. Discutiu-se como a inserção da universidade federal no contexto brasileiro representa uma possibilidade concreta de mudança de vida para a população, em especial para estudantes de baixa renda e para mulheres negras, que historicamente foram excluídas desse espaço. Para fixação do conteúdo, os estudantes produziram rodas de conversas sobre os capítulos lidos e apresentaram suas interpretações aos colegas, o que possibilitou a troca de percepções e o aprofundamento da compreensão sobre as desigualdades retratadas na obra. A segunda etapa teve como foco a prática, por meio da produção da curta-metragem inspirada no livro. Nesta fase os alunos participaram ativamente do processo de atuação, interpretando a protagonista e as demais personagens e construindo cenas que evidenciassem os desafios do trabalho doméstico, da maternidade solo e da luta pelo acesso ao ensino superior. Para que essa etapa fosse concretizada, foi fundamental que os estudantes estivessem familiarizados com o conteúdo do livro e conseguissem traduzir o conhecimento adquirido em linguagem cênica, mostrando por meio da atuação que, apesar das barreiras, a protagonista consegue entrar na universidade e vislumbrar novas possibilidades para sua vida e para a de sua família. Durante as gravações, os estudantes vivenciaram todas as etapas da produção audiovisual, o que contribuiu para o desenvolvimento de habilidades como trabalho em equipe, expressão artística, senso crítico e comunicação. Os resultados apontam que a articulação entre leitura literária, debate e produção de curta-metragem gerou alto engajamento da turma 311 com a temática. Observou-se maior empatia com a personagem e maior compreensão sobre a importância da universidade pública como instrumento de democratização do acesso ao conhecimento e de promoção da equidade racial. Os alunos destacaram, nos debates, como a educação superior pode impactar diretamente a vida de pessoas em situação de vulnerabilidade social, rompendo ciclos de desigualdade. A proposta de transformar o livro em audiovisual tornou a leitura mais significativa e permitiu que os jovens se reconhecessem como sujeitos capazes de produzir cultura e de discutir temas urgentes. Conclui-se que projetos que unem literatura, educação e produção cultural são estratégias fundamentais para a promoção de uma educação antirracista e para a valorização do ensino público. A experiência com "Solitária" na Escola Estadual Getúlio Vargas demonstrou que a escola pode ser um espaço de reflexão sobre o papel da mulher negra, sobre o trabalho doméstico e sobre a importância da universidade na vida das pessoas. A construção da curta-metragem configurou-se, portanto, não apenas como produto final, mas como processo pedagógico que reforçou o direito à educação e a necessidade de se garantir políticas públicas que assegurem o acesso e a permanência de todos na universidade, além de se articular ao tema do siepe desse ano que é Territórios de Saberes: Mulheres, Ciência e Ancestralidade integrando a ancestralidade da mulher negra, seus saberes com a ciência, por meio da educação universitária.Downloads
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Publicado
2026-10-05
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Solitária em Cena:curta-metragem,debate e a Importância da Universidade Pública na Vida da Mulher Negra. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123853. Acesso em: 7 nov. 2026.