Descolonizando o Currículo Escolar Através da Erer e Valorização da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha

Autores

  • Suzan Michella Costa de Paula
  • Jenifer Duarte da Costa Moraes
  • Patricia dos Santos Moura

Palavras-chave:

Educação, para, as, Relações, Étnico-Raciais, Descolonização, currículo, antirracista, Quilombo, Madeira, Mulheres, quilombolas, Ancestralidade, Representatividade, PIBID

Resumo

O trabalho Descolonizando o currículo escolar através da Educação para as Relações Étnico-Raciais tendo como foco a valorização da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha foi desenvolvido em uma turma de pré-escola, com crianças de 4 e 5 anos, no contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Teve como objetivo promover uma educação inclusiva, antirracista e comprometida com a valorização da diversidade, da ancestralidade, da identidade e dos direitos humanos. A proposta buscou contribuir para a descolonização do currículo escolar por meio da valorização de conhecimentos e histórias de povos africanos, afro-brasileiros e quilombolas. As atividades tiveram como foco a história, a cultura e os saberes do Quilombo Madeira, localizado em Jaguarão/RS, aproximando as crianças da realidade de uma comunidade quilombola existente em seu território. Nesse processo, destacou-se o protagonismo das mulheres quilombolas e a importância da matriarca conhecida como Vó Maria, na preservação das memórias, dos conhecimentos, das tradições e da ancestralidade da comunidade. A valorização de sua trajetória possibilitou apresentar a mulher negra e quilombola como sujeito histórico, produtora de conhecimentos e protagonista na construção e manutenção de sua comunidade. Inicialmente, foi realizada uma roda de conversa para identificar os conhecimentos prévios das crianças sobre quilombos e comunidades quilombolas. Em seguida, foi realizada a contação da história do Quilombo Madeira, utilizando cartazes ilustrados para tornar o conteúdo mais acessível e significativo. Foram abordados aspectos relacionados à cultura, à ancestralidade, à relação com a terra e aos modos de vida da comunidade, estimulando a participação e a construção coletiva de conhecimentos. Também foram desenvolvidas atividades práticas, como o plantio de mudas de feijão, possibilitando reflexões sobre a relação com a terra, a natureza, a alimentação e os conhecimentos ancestrais. A atividade permitiu aproximar os saberes escolares dos conhecimentos transmitidos entre gerações, reconhecendo diferentes formas de produção de conhecimento. Foi apresentada ainda a logo do Quilombo Madeira, posteriormente colorida pelas crianças, favorecendo a aproximação com a identidade cultural da comunidade. As propostas contemplaram também atividades relacionadas à consciência fonológica, escrita e quantificação, articulando os conteúdos pedagógicos ao tema das relações étnico-raciais. Dessa forma, buscou-se compreender a educação antirracista como uma prática que pode estar presente nos diferentes momentos da rotina escolar. Ao final, as crianças confeccionaram cartões destinados aos moradores do Quilombo Madeira, expressando carinho, respeito e reconhecimento pela história e pelos saberes da comunidade. A experiência foi compartilhada com toda a comunidade escolar por meio de uma apresentação sobre o Quilombo Madeira, seguida da exibição de um trecho do documentário Quilombo de Fronteira e de uma roda de conversa com integrantes da comunidade. O momento possibilitou aproximar escola, universidade e comunidade, fortalecendo o diálogo e a valorização dos conhecimentos e das memórias quilombolas. Posteriormente, foi apresentada a trajetória da professora e pesquisadora Gládis Kaercher e os gizes de cera Pintkor, destacando a importância da representatividade nos materiais pedagógicos. A oficina de autorretrato Qual é a cor da tua cor? possibilitou reflexões sobre a diversidade de tons de pele, cabelos, olhos e características físicas, favorecendo o reconhecimento e a valorização das diferentes identidades. Os resultados demonstraram que as práticas contribuíram para ampliar os conhecimentos das crianças sobre a história e a cultura quilombola, promovendo o respeito às diferenças, a valorização da diversidade e o fortalecimento da identidade. As atividades também possibilitaram abordar, de forma adequada à faixa etária, questões relacionadas ao preconceito, à discriminação racial, à inclusão e aos direitos humanos. A experiência evidenciou a importância de inserir a Educação para as Relações Étnico-Raciais de forma contínua no currículo escolar, e não apenas em datas comemorativas. Ao valorizar a história do Quilombo Madeira e o protagonismo das mulheres negras e quilombolas, foram construídas práticas pedagógicas comprometidas com uma educação antirracista e inclusiva. Nesse percurso, o PIBID mostrou-se fundamental para a formação docente, possibilitando a articulação entre teoria e prática e fortalecendo a aproximação entre universidade, escola e comunidade. Assim, a experiência reafirma que descolonizar o currículo significa reconhecer diferentes sujeitos históricos, ampliar vozes e construir, desde a infância, uma educação pautada na diversidade, na ancestralidade, no respeito e na dignidade de todos.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Descolonizando o Currículo Escolar Através da Erer e Valorização da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 6, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123848. Acesso em: 28 out. 2026.