Ritmos e Desafios: vivências à frente de uma banda escolar

Autores

  • Nicolas Braga
  • Carla Lopardo

Palavras-chave:

Educação, Musical, Banda, Escolar, Percussão

Resumo

Meu nome é Nícolas da Silva Braga, tenho 22 anos e atualmente estou no último semestre do curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Venho relatar uma experiência vivenciada durante o ano de 2024 e o início de 2025, período em que estive à frente da banda da Escola Municipal de Ensino Fundamental Creusa Brito Giorgis. Essa experiência teve início quando vi que estavam abertas as inscrições para vagas por meio do programa CIEE-RS, um programa de estágios para quem está iniciando no mercado de trabalho. Verifiquei que havia vagas para a Prefeitura Municipal de Bagé, mais especificamente para a Secretaria Municipal da Educação de Bagé- RS (SMED Bagé/RS), na área de música. Realizei minha inscrição, fui aprovado no processo seletivo e passei a estagiar na Secretaria de Educação. Foi nesse espaço que tive meu primeiro contato, como discente, com uma experiência profissional na área da música, não diretamente vinculada à universidade, atuando como regente em um ambiente escolar. Quando comecei, nos primeiros dias e semanas de ensaio, o trabalho apresentou alguns desafios. Cheguei à escola aproximadamente dois meses antes do desfile de 7 de setembro e precisava preparar a banda da escola para a apresentação. O que me surpreendeu foi perceber que já existia uma banda, formada por um grupo de percussão. Além disso, os próprios alunos da escola atuavam na organização e na regência do grupo. Embora houvesse alguns pontos que precisavam ser organizados, os alunos já haviam criado suas próprias batidas, tinham definido os ritmos e demonstravam interesse em tocar. Dessa forma, quando cheguei, os ritmos já estavam definidos. O que era necessário era um treinamento maior, um olhar mais específico para as questões rítmicas e auxílio na organização, tanto para o dia do desfile quanto para a execução dos ritmos. Como não havia instrumentos melódicos, o trabalho era realizado somente com instrumentos de percussão. Nas primeiras semanas, busquei compreender como desenvolver esse trabalho e ao mesmo tempo, procurei auxílio dos professores da universidade, que contribuíram com opiniões e sugestões. Também procurei valorizar o trabalho que já havia sido realizado pelos próprios alunos. Aproveitei as batidas que eles já haviam criado e trabalhado, buscando aperfeiçoá-las e organizá-las para a apresentação. Além disso, a experiência possibilitou perceber a banda escolar como um importante espaço de acesso à cultura. Muitos dos alunos envolvidos provavelmente não teriam contato com instrumentos musicais e com esse tipo de prática artística se não fosse por meio da escola. O acesso às manifestações culturais e à aprendizagem musical ainda pode ser dificultado para estudantes de regiões e contextos socioeconômicos menos favorecidos, tornando a escola um espaço fundamental para a democratização do acesso à cultura. Nesse sentido, a banda não representava apenas um grupo destinado às apresentações e aos desfiles, mas também uma oportunidade para que os estudantes tivessem contato com a música, com os instrumentos de percussão e com uma manifestação cultural presente no espaço escolar. O trabalho foi desenvolvido até o desfile de 7 de setembro, que representou, naquele momento, o resultado do processo realizado tanto por mim quanto pelos alunos. Um dos aspectos que mais me impressionou nessa experiência foi saber que os alunos haviam permanecido dois anos sem um regente de percussão. Durante esse período, eles mesmos buscaram se organizar e criar as batidas da maneira que conheciam, sem a presença de um regente. Contando também com o auxílio da equipe diretiva e dos professores da escola. Essa autonomia dos alunos dialoga com Vieira Junior, Montandon e Marins (2018), que identificaram, em uma banda escolar, que os estudantes utilizavam diferentes estratégias próprias para sua aprendizagem musical, enquanto o professor atuava principalmente como incentivador e auxiliar no esclarecimento de dúvidas. A experiência também me permitiu perceber algumas dificuldades relacionadas às bandas escolares, especialmente a falta de contratos específicos para professores ou profissionais capacitados na área da música para atuar com bandas e fanfarras. Ao mesmo tempo, essa vivência demonstrou a importância da participação e da autonomia dos alunos na construção das práticas musicais dentro da escola. A experiência à frente da banda da Escola Municipal de Ensino Fundamental Creusa Brito Giorgis possibilitou meu primeiro contato profissional como professor e regente em um ambiente escolar, contribuindo para minha formação e permitindo relacionar conhecimentos adquiridos durante a graduação com uma experiência prática na área da educação musical.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Ritmos e Desafios: vivências à frente de uma banda escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123845. Acesso em: 2 nov. 2026.