Flora do Bioma Pampa Retratada em Arte na Universidade Federal do Pampa, Campus São Gabriel
Palavras-chave:
Pampa, Gaúcho, Pintura, Muralista, Conservação, BotânicaResumo
O bioma pampa é um patrimônio natural único que abrange a metade meridional do Rio Grande do Sul, além de territórios do Uruguai e da Argentina, caracterizando-se por campos sulinos sob clima subtropical úmido. Apresentando relevo aplainado a suavemente ondulado e altíssima biodiversidade vegetal com mais de 3.500 espécies campestres catalogadas, este ecossistema encontra-se sob ameaça devido à rápida conversão de áreas nativas para agricultura e silvicultura. Além disso, é um bioma pouco conhecido e valorizado por sua própria população. Visando enfrentar esse desconhecimento e promover a preservação ambiental, a arte atua como ferramenta de externalização de sentimentos e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), desempenha papel significativo no bem-estar físico e mental. Nesse contexto, o projeto "A Flora do Bioma Pampa Retratada em Arte na Universidade Federal do Pampa, Campus São Gabriel" propõe a criação de painéis artísticos para integrar a riqueza ecológica à vida cotidiana da comunidade. Essa proposta de ação social visa principalmente promover a valorização da flora nativa do bioma pampa através de pontes pedagógicas e culturais por meio da pintura, servindo como veículo de divulgação científica e sensibilização da identidade regional. Para atingir tais objetivos, a metodologia do projeto fundamenta-se no desenvolvimento de painéis de pintura em espaços internos e externos de grande visibilidade no campus de São Gabriel. A execução é coordenada por uma artista local, que é técnica-administrativa em educação na instituição, contando com o auxílio de bolsista e discentes voluntários de cursos de graduação. A seleção botânica é baseada em pesquisas bibliográficas e catálogos virtuais, como o Flora campestre e a Flora e Funga do Brasil. Entre as espécies nativas representadas figuram Adesmia riograndensis, Aspilia montevidensis, Butia lallemantii, Calydorea minuana, Campuloclinium megacephalum, Cortaderia selloana, Eryngium pandanifolium, Glandularia peruviana, Kelissa brasiliensis, Opuntia elata, Parodia gaucha, Pavonia glechomoides, Turnera sidoides, Vernonanthura nudiflora, Monteverdia ilicifolia, Jodina rhombifolia, Campomanesia aurea, Erythrina crista-galli e Vachellia caven. A pintura ocorre em dias secos e com temperatura amena para assegurar a qualidade estética das obras, levando de dois a cinco dias por mural. Cada representação artística de planta é acompanhada do seu epíteto científico correspondente, propiciando a identificação botânica direta de forma didática. Até o momento, já foram produzidos dois painéis, apresentando as espécies: Aspilia montevidensis, Calydorea minuana e Opuntia elata. São escolhidos lugares com alto fluxo de alunos para a sua visualização, buscando incentivar a educação ambiental e a valorização das espécies nativas e transformação da atmosfera de ambientes acadêmicos. Essas espécies podem ser encontradas no campus e arredores. A participação da comunidade acadêmica se faz fundamental através de sugestões e voluntários durante a criação dos painéis. A avaliação final do projeto prevê a coleta de dados com questionários estruturados aplicados à comunidade acadêmica e à equipe executora. Como resultados esperados da iniciativa, evidencia-se a significativa contribuição para o ensino e aprendizagem nos cursos correlatos a área da botânica. O viés artístico dos painéis serve como ferramenta visual e didática interdisciplinar para componentes curriculares de diversos cursos de graduação do campus, tais como Ciências Biológicas, Engenharia Florestal, Gestão Ambiental e Fruticultura, permitindo que os discentes visualizem na prática estética o que é ensinado em sala de aula. Socioculturalmente, o projeto reconhece e valoriza o talento do artista local e a flora nativa do pampa, aproximando a universidade da comunidade externa através do embelezamento estético e conforto visual dos ambientes de convivência. Conclui-se que a proposta demonstra a eficácia de articular artes plásticas, como a pintura mural, e a taxonomia científica na educação ambiental e divulgação da ciência. O projeto transcende o papel estético de embelezamento, consolidando-se como uma metodologia pedagógica inovadora capaz de estimular a preservação do Pampa, fomentar o aprendizado integrado das ciências naturais e promover o bem-estar coletivo.Downloads
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Publicado
2026-10-05
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Flora do Bioma Pampa Retratada em Arte na Universidade Federal do Pampa, Campus São Gabriel. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123844. Acesso em: 28 out. 2026.