SOTAQUES DO VIOLÃO GAÚCHO: Um Relato de Experiência sobre a Formação Acadêmica e Técnica

Autores

  • Matheus Esmerio
  • José Daniel Telles dos Santos

Palavras-chave:

Violão, Gaúcho, Formação, Acadêmica, Relato, Experiência, Intercâmbio, Cultural

Resumo

A participação em eventos acadêmico-culturais e festivais especializados desempenha um papel fundamental na construção da identidade musical, no aprimoramento técnico e na expansão do repertório profissional de estudantes de nível superior. O projeto "Sotaques do Violão", idealizado em 2017 pelo violonista, compositor e produtor Fernando Graciola, surgiu originalmente sob o formato de uma websérie dedicada a promover diálogos e performances com destacados violonistas gaúchos, perpassando manifestações que vão do folclore ao universo erudito. Com o passar dos anos, a iniciativa expandiu suas fronteiras ao integrar músicos convidados de diversos outros estados do Brasil e da Argentina, consolidando um panorama plural da riqueza interpretativa do instrumento. Em 2026, a proposta foi ampliada e se transformou no 1º Festival Sotaques do Violão Gaúcho, evento itinerante focado na descentralização e difusão da música instrumental para violãono Rio Grande do Sul em municípios como Montenegro, Encantado, Farroupilha, Lajeado e Porto Alegre. Nesse contexto, a vivência presencial em imersões dessa magnitude ganha relevância central para discentes da graduação, como no caso da integração de acadêmicos do curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), que encontram nesses ambientes, um espaço privilegiado de escuta, reflexão pedagógica e desenvolvimento profissional. O presente trabalho tem como objetivo central relatar e analisar minha vivência acadêmico-artística obtida durante a participação no 1º Festival Sotaques do Violão Gaúcho, realizado nos dias 19 e 20 de junho de 2026, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Busca-se examinar a relevância do evento para minha formação técnica, teórica, artística e pedagógica na trajetória universitária, destacando a importância da troca direta de experiências com profissionais renomados e o impacto do intercâmbio cultural fora do ecossistema acadêmico habitual. A metodologia adota uma abordagem de natureza qualitativa, estruturada sob a forma de um relato de experiência crítico-reflexivo com observação participante. Ao longo de dois dias, o evento ofereceu uma programação intensiva e inteiramente gratuita, que reuniu atividades formativas durante o dia e apresentações artísticas à noite. No primeiro dia (19 de junho), as atividades tiveram início às 10h15min com um ciclo de oficinas temáticas focadas na diversidade teórica e prática do instrumento, abordando tópicos essenciais como: "Unhas para músicos", "Os desafios em amplificar o violão em palco", "Arranjo para violão solo no contexto da canção popular", "Violão no choro e seus gêneros correlatos", "Gerenciamento de carreira para violonistas" e "Crie! Uma conversa sobre criatividade musical". À noite, realizou-se a apreciação estética do recital "Um concerto construído de cordas e identidades", protagonizado pelos violonistas Daniel Sá, José Daniel dos Santos (integrante do corpo docente da Licenciatura em Música da UNIPAMPA), Daniel Wolff e Maurício Marques. No segundo dia (20 de junho), a coleta de dados e o aprendizado prático prosseguiram nas oficinas sobre "A relação entre Luthier e violonista", "Prosa, mate e violão", "Sistema CAGED mapeando o braço do violão", "Roda de violão na Travessa dos Cataventos", "O violão em estúdio: processos de gravação" e "Otimizando a técnica: uso dos grandes grupos musculares". A vivência encerrou-se com a apreciação do recital focado na identidade regional, apresentado por Fernando Graciola, Thiago Colombo, Lucio Yanel e Lucas Volpato. A imersão no festival proporcionou resultados significativos tanto no âmbito técnico quanto na expansão da visão profissional. O aprendizado direto nas oficinas dedicadas à fisiologia e saúde da performance ("Unhas para músicos" e "Uso dos grandes grupos musculares") ofereceu ferramentas práticas para a prevenção de lesões e otimização da postura ao violão. No campo metodológico e teórico, a compreensão do Sistema CAGED e dos processos de gravação em estúdio agregou um repertório prático indispensável para o trabalho com o instrumento. Além disso, as discussões sobre gerenciamento de carreira e amplificação em palco trouxeram noções concretas sobre a sustentabilidade e a atuação no mercado da música popular e erudita. Do ponto de vista artístico e pedagógico, a oportunidade de assistir e interagir diretamente com referências da música instrumental, incluindo docentes da própria instituição de origem (UNIPAMPA) e mestres consagrados do violão gaúcho e sul-americano, evidenciou como a arte ganha amplitude através da troca de conhecimentos. Conclui-se que o acesso a estes novos horizontes artístico-pedagógicos fortaleceu minha bagagem profissional e acadêmica, redefinindo minha relação com a prática do violão e demonstrando que a inserção em espaços de intercâmbio cultural é um pilar indispensável para a formação de educadores e instrumentistas conscientes de seu papel social, artístico e cultural.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

SOTAQUES DO VIOLÃO GAÚCHO: Um Relato de Experiência sobre a Formação Acadêmica e Técnica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123839. Acesso em: 23 out. 2026.