A Intervenção Artística como Ferramenta de Combate à Violência de Gênero
Palavras-chave:
Carolina, Maria, Jesus, Violência, Gênero, DireitoResumo
O atual contexto de violência enfrentado por mulheres e corpos femininos, inegavelmente evidencia a normalização de comportamentos de opressão e violência, oriundos da construção social que admite a invisibilização da atuação feminina na sociedade. Entretanto, tal resultado é logicamente esperado ao observar as motivações da existência de dispositivos legais para a proteção da mulher, ao considerar que a promulgação da Lei Maria da Penha é a responsabilização do Estado brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, após a publicização da omissão e descaso frente à violência contra a mulher. Diante da necessidade de ampliar o debate sobre violência de gênero e seus impactos nos diferentes setores sociais, desenvolveu-se o Projeto Carolina Maria de Jesus, em homenagem à ilustre autora da obra Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, em que relata de forma visceral a exploração de classes sob a ótica de uma mulher preta e vulnerável socioeconomicamente, escrevendo suas vivências em cadernos que mais tarde tornaram-se um livro. Diante da urgência de expressar a realidade, a arte também foi o meio de fomentar o debate sobre violência de gênero. A inspiração em Carolina Maria de Jesus impulsionou a intervenção artístico-cultural realizada pelos discentes durante a Semana Acadêmica de 2026 no campus de Sant'Ana do Livramento da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Na ocasião, foi construída com materiais recicláveis uma instalação interativa no hall de entrada, simulando o Quarto de Despejo descrito por Carolina. A exposição permitiu que o público pudesse adentrar o espaço para uma experiência imersiva e ter acesso às cartilhas informativas elaboradas pelos alunos realizadores do Projeto. Em linguagem acessível, o material explicava os tipos de violência doméstica (artigo 7º da Lei Maria da Penha), e os canais de denúncia. A atividade recebeu estudantes universitários, docentes, servidores e alunos do Ensino Médio da rede pública local. Assim, a instalação proporcionou o espaço de debate, reflexão e informação visados desde seu planejamento, alcançando diretamente os alunos das escolas, dos quais muitos tiveram o primeiro contato com a literatura de Carolina Maria de Jesus. A invisibilidade do trabalho da mulher, das suas produções acadêmicas e científicas, culturais e artísticas, é normalmente praticada ao longo dos séculos. A prática perpetuada faz com que atualmente a previsão de conteúdos para Literatura seja restrita aos tradicionais autores, todos homens, podendo ter pouquíssimas exceções. Se existem obras de autoras que foram publicadas como de fato sendo delas, possivelmente o fator socioeconômico cooperava, apesar de ser uma grande conquista. Uma mulher preta, pobre e favelada, como Carolina Maria de Jesus se descreve, conseguir estar com sua obra presente mesmo após seu falecimento é um marco. Para tanto, é necessário que ações como essa sejam cada vez mais popularizadas, a fim de que cada vez mais pessoas possam formar o pensamento crítico com base não somente na literatura escolhida para ser clássica, mas naquela que também por muito tempo foi silenciada. Portanto, a interseccionalidade entre arte, cultura e intervenção asseguraram a democratização do conhecimento, dever da Universidade Federal, retornando à sociedade os investimentos feitos na educação. Por fim, a ação evidenciou a importância da arte como ferramenta de transformação social, promovendo a conscientização sobre a violência doméstica nas diferentes esferas sociais.Downloads
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Publicado
2026-10-05
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A Intervenção Artística como Ferramenta de Combate à Violência de Gênero. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123833. Acesso em: 28 out. 2026.