Onde a Terra Guarda a Memória: Arte Sustentável, Ancestralidade e Valorização da Cultura Mbya Guarani
Palavras-chave:
Sustentabilidade, Ancestralidade, Povos, origináriosResumo
A obra Onde a Terra Guarda a Memória constitui uma experiência artística que articula produção cultural, sustentabilidade, educação ambiental e valorização da memória dos povos originários, tendo como referência temática a cultura Mbya Guarani e sua relação com o território, a natureza e a ancestralidade. A proposta parte da compreensão da terra como espaço vivo de permanência de histórias, saberes, identidades e formas de relação com o ambiente, buscando traduzir esses elementos por meio de uma instalação artística em relevo. O trabalho tem como objetivo produzir uma obra visual capaz de sensibilizar o público para a importância da preservação ambiental e da diversidade cultural, estabelecendo também uma reflexão sobre o reaproveitamento de materiais e a possibilidade de transformação de resíduos em elementos de expressão artística. O desenvolvimento da obra foi organizado a partir de pesquisa conceitual sobre ancestralidade, natureza, memória cultural e referências simbólicas relacionadas aos povos originários, seguida pelo levantamento e seleção de materiais recicláveis e elementos naturais disponíveis no contexto local. A composição utiliza como suporte uma base rígida de MDF e emprega técnica mista, reunindo papelão, papel reciclado, papel machê, madeira reaproveitada, sementes, galhos secos, fibras vegetais, barbante, folhas secas, pequenas pedras, areia, tintas acrílicas e verniz. A construção da obra explora diferentes planos, texturas e relevos, de modo a estabelecer uma relação visual entre matéria, território e memória. Como elemento central, a composição apresenta uma grande árvore, concebida como símbolo de vida, continuidade e ancestralidade. Suas raízes representam a conexão entre os povos originários e o território, enquanto o tronco e a copa, produzidos prioritariamente com materiais reaproveitados, expressam a possibilidade de atribuir novos significados a materiais que seriam descartados. Ao redor da árvore, elementos associados à paisagem, como rio, solo, sementes e vegetação, integram a composição e ampliam a reflexão sobre a interdependência entre sociedade e natureza. Como resultados parciais, destaca-se a produção efetiva da própria obra artística, atualmente, permitindo a materialização progressiva dos conceitos de ancestralidade, território, memória e sustentabilidade estabelecidos na proposta. O processo de produção tem possibilitado experimentar diferentes texturas, volumes, formas e possibilidades de reutilização de materiais, transformando elementos que seriam descartados em componentes de uma composição artística com significado cultural e ambiental. Soma-se a esse resultado a seleção do projeto pelo Programa de Arte e Cultura (PROARTE) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), reconhecimento institucional que possibilita a inserção da obra em espaços de apresentação e circulação cultural. Como desdobramento dessa seleção, foi sugerida a apresentação da obra em Jaguarão/RS, no âmbito do 18º SIEPE, ampliando seu potencial de circulação e alcance junto a diferentes públicos. A utilização de materiais recicláveis constitui também uma estratégia de sensibilização ambiental, aproximando a produção artística de princípios de reutilização e valorização dos recursos, em diálogo com conhecimentos relacionados à Gestão Ambiental. A proposta contribui ainda para ampliar a compreensão da arte como instrumento de educação, comunicação e valorização da diversidade cultural, especialmente ao abordar referências relacionadas aos povos originários de maneira respeitosa e contextualizada. A apresentação da obra no âmbito do PROARTE, na Universidade Federal do Pampa, possibilita seu contato com a comunidade acadêmica, estudantes, docentes, técnicos, visitantes e comunidade em geral, enquanto a possibilidade de circulação em Jaguarão poderá ampliar esse alcance. Espera-se que a experiência contribua para despertar sentimentos de pertencimento, responsabilidade socioambiental e respeito à diversidade cultural, estimulando o público a compreender que a preservação do território está relacionada também à preservação de histórias, identidades, saberes e modos de vida. A obra pretende, assim, estabelecer um diálogo entre arte contemporânea, sustentabilidade e memória cultural, demonstrando que materiais reutilizados podem adquirir novos sentidos quando inseridos em uma criação artística. Conclui-se que Onde a Terra Guarda a Memória constitui uma experiência cultural que utiliza a linguagem das artes plásticas para promover reflexão sobre ancestralidade, natureza e transformação, aproximando a produção artística de questões ambientais e culturais presentes na sociedade contemporânea. Ao transformar materiais reaproveitados em uma representação simbólica do território e de suas memórias, a obra busca convidar o público a perceber que cuidar da terra significa também reconhecer e valorizar as histórias, culturas e conhecimentos que nela permanecem vivos.Downloads
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Publicado
2026-10-05
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Onde a Terra Guarda a Memória: Arte Sustentável, Ancestralidade e Valorização da Cultura Mbya Guarani. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123832. Acesso em: 4 nov. 2026.