Unisports: Protagonismo Feminino e Representatividade na Comunicação Esportiva Universitária

Autores

  • Alexya Cibelli Teixeira Guimarães
  • Pérola Oliveira Ferreira
  • Eduarda Cardoso Rabelo
  • Aimee da Rosa Fagundes
  • Barbara Vasconcelos Toledo
  • Pauline Gonçalves Santos
  • Sara Alves Feitosa

Palavras-chave:

Jornalismo, Esportivo, Equidade, Gênero, Protagonismo, Feminino, Podcast

Resumo

O trabalho apresenta um relato de experiência de ação cultural sobre o projeto Unisports, vinculado ao Projeto Rádio Laboratório da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). O projeto surge diante da histórica sub-representação e do questionamento sistemático da legitimidade das mulheres no jornalismo esportivo ambiente hegemonizado por homens , justificando-se pela necessidade de democratizar a comunicação e promover a equidade de gênero no meio acadêmico e social. Em alinhamento com a temática do SIEPE 2026, "Território de saberes, mulheres, ciência e ancestralidade", o trabalho fundamenta-se nos conceitos de lugar de fala e epistemologias feministas (Ribeiro, 2017; Fraser, 2002), associados ao debate sobre a democratização da comunicação pública e a justiça representativa nos meios regionais e comunitários. O ecossistema de mídia universitário surge, assim, como um espaço fértil para desafiar e desconstruir as narrativas androcêntricas que historicamente moldaram a cobertura do esporte na imprensa brasileira, descentralizando a produção de informação e abrindo espaço para visões plurais sobre a cultura corporal e a prática esportiva. O objetivo geral é analisar a contribuição do Unisports para o fortalecimento do protagonismo e da autonomia feminina no ecossistema de mídia universitário. Metodologicamente, trata-se de um estudo de abordagem qualitativa e descritiva baseado na vivência prática de uma equipe majoritariamente feminina, criada em 2026 por iniciativa de estudantes veteranas e integrada por calouras, estabelecendo uma rede intergeracional de mentoria, acolhimento, aprendizado mútuo e fortalecimento coletivo no ambiente acadêmico. Esse modelo de gestão colaborativa minimiza as barreiras hierárquicas tradicionais da formação universitária e estimula a experimentação prática segura desde os primeiros semestres da graduação. A práxis do projeto articula duas frentes principais: a produção audiovisual em formato de podcast, com dois episódios semanais sendo as quartas-feiras dedicadas a programas conduzidos exclusivamente pela equipe feminina (garantindo autonomia de pauta, escolha de fontes, enquadramentos conceituais e análise crítica) e às sextas-feiras com bancada de vozes mistas , e a cobertura jornalística in loco. Essa estrutura dual garante simultaneamente um espaço seguro para o desenvolvimento da voz, da autoridade crítica e da autoconfiança editorial das mulheres, ao mesmo tempo em que promove o exercício de coexistência, liderança e debate de ideias em um ambiente misto e plural. Como principal campo de atuação prática, destaca-se a participação na cobertura dos Jogos Universitários de 2026, em São Borja, onde as integrantes desempenharam funções técnicas e editoriais de narração, reportagem, comentário, operação de áudio e imagem, edição rápida e videomaking. Os programas e coberturas abrangem diversas modalidades (futebol, vôlei, basquete, automobilismo, esportes olímpicos e paralímpicos), priorizando abordagens analíticas e reflexivas que transcendem o simples relato dos placares ou do entretenimento superficial para pautar visibilidade, inclusão, superação de preconceitos e respeito às atletas. Os resultados demonstram que a ocupação efetiva desses espaços de fala rompe com estereótipos de gênero historicamente naturalizados, valida o conhecimento técnico-crítico das estudantes, desmistifica o uso de tecnologias de transmissão e edição por mulheres e aproxima a formação acadêmica das exigências do mercado profissional. Observa-se também um fortalecimento substancial na autoconfiança das estudantes, no aperfeiçoamento das técnicas de oratória e comunicação pública, no desenvolvimento de competências de liderança e no engajamento direto da comunidade acadêmica com a pauta da igualdade de oportunidades. Mais do que um produto midiático, o Unisports consolida-se como um território de formação intelectual, de difusão cultural, de experimentação pedagógica e de incentivo ao protagonismo jovem feminino, reafirmando que a ciência, a produção audiovisual e a universidade pública se fortalecem quando promovem a diversidade, a igualdade de oportunidades e a transformação social.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Unisports: Protagonismo Feminino e Representatividade na Comunicação Esportiva Universitária. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123828. Acesso em: 23 out. 2026.