Saberes Ancestrais: o Papel das Benzedeiras na Cultura São-borjense

Autores

  • Vivianne Tamylys Nascimento da Silva
  • Vivianne Tamylys Nascimento da Silva
  • Gabriella de Almeida Dornelles
  • Louise Lima Castilho
  • Luise Santos Guimarães
  • Gabrieli Dorneles Carvalho
  • Pablo de Oliveira Carvalho
  • Pamela de Miranda Dorneles
  • Evelin Vitória da Silva
  • Patrícia Roballo
  • Ronaldo Colvero

Palavras-chave:

Benzedeiras, espiritual, benzer

Resumo

O benzimento no Brasil tem registros desde o período colonial e, ao longo do tempo, tornou-se uma prática tradicional presente em diferentes comunidades. O estado do Rio Grande do Sul (RS) possui uma presença marcante de práticas tradicionais que fazem parte da vida social e cultural de diferentes comunidades. Entre essas práticas, destaca-se o ato de benzer, realizado por homens e mulheres conhecidos como benzedeiros e benzedeiras. A palavra benzer tem origem no Latim benedicere, que significa abençoar, e está relacionada ao chamado de benção e proteção divina sobre pessoas, objetos ou lugares. O benzimento pode envolver diferentes práticas, como o uso de rezas, chás, banhos e unguentos preparados com ervas específicas, além da imposição das mãos, e da queima de velas. Esses elementos são utilizados, de acordo com as crenças e conhecimentos herdados de cada benzedeira, busca espiritual e física, na proteção contra energias negativas, na purificação de ambientes e no reequilíbrio mental e emocional de quem as procura, e também as rezas que orientam a fé na cura, uma vez que lhes proporciona bem-estar geral. Atualmente, observa-se que essa tradição também vem sendo incorporada pelas novas gerações, que contribuem para romper alguns estereótipos associados às benzedeiras do passado. Muitas conciliam a prática do benzimento com a vida pessoal, o trabalho remunerado e as relações familiares, além de enfrentarem preconceitos que ainda persistem. Também utilizam as redes sociais como espaço para compartilhar suas experiências e conhecimentos. Em uma matéria publicada pelo site GZH, intitulada Estamos em extinção. São apresentadas as histórias de benzedeira do Rio Grande do Sul. Entre elas, encontra-se Fernanda da Silva Fagundes, de 48 anos, que concilia sua rotina profissional como funcionária pública com a vida profissional e os momentos de lazer com a família. Apesar da rotina, ela afirma encontrar tempo para realizar benzimentos, práticas que herdou dos avós maternos, Reinoldo e Maria Gloria da Silva. Dessa forma, percebe-se que a prática do benzimento permanece presente mesmo diante das transformações da sociedade. Seja por meio da herança familiar, seja pelo chamado espiritual, muitas pessoas assumem essa prática e passam a conciliar os conhecimentos tradicionais com as demandas da vida contemporânea. A matéria citada anteriormente representa apenas uma tantas outras histórias de benzedeiras que podem ser encontradas no Brasil e, especialmente, no Rio Grande do Sul. Após está introdução, será realizado uma pesquisa mista de caráter qualitativo e campo, por meio de entrevistas com benzedeiras, com o objetivo de valorizar e destacar suas vivências, experiências, práticas e cotidiano das pessoas envolvidas. A pesquisa também busca compreender como essas mulheres conciliam a prática do benzimento com suas vidas pessoais, familiares, os preconceitos que sofrem até mesmo pelos seus parentes, além de conhecer as formas de transmissão e preservação dessa tradição. Ao recordar suas vivências, construíram acontecimentos e, ao compartilhá-los, construíram histórias e atribuem novos significados às suas experiências. Por meio de suas vozes, torna-se possível conhecer e registrar uma prática extremamente rica, que faz parte da cultura imaterial da sociedade brasileira e que, diante das transformações sociais, corre risco de desaparecer, pelo menos em alguns lugares. Uma prática que se manteve viva ao longo das gerações por meio da oralidade e da crença no poder das rezas.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Saberes Ancestrais: o Papel das Benzedeiras na Cultura São-borjense. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123812. Acesso em: 27 out. 2026.