Bagé em Mapas Afetivos: memória urbana e produção artística local

Autores

  • Rhayssa Carvalho da Silva

Palavras-chave:

Patrimônio, cultural, publicação, independente, PROARTE, fomento

Resumo

Este trabalho apresenta o relato de experiência do projeto "Mapa Afetivo, Bagé por Ilustrações e Poesias", contemplado na Chamada Interna nº 03/2025 do Programa de Fomento à Criação Artística, o PROARTE 2025, da Universidade Federal do Pampa. A proposta consistiu na produção de um zine independente que reunisse pintura em aquarela e poesia de escritores locais, tomando a cidade de Bagé não como um espaço delimitado geograficamente, mas como um território construído por memórias, experiências e afetos. A ideia central foi representar os lugares pelos quais circulamos diariamente a partir das relações que estabelecemos com eles, de modo que ruas, construções e paisagens cotidianas aparecessem carregadas de sentidos que ultrapassam sua dimensão física. O trabalho se desenvolveu entre julho e agosto de 2025 e foi organizado em três frentes principais. A primeira consistiu na produção das ilustrações, com a criação de dez pinturas em aquarela tradicional tendo como referência lugares, elementos e paisagens associados à cidade, entre eles as praças principais da cidade, como a Praça do Coreto; igrejas, como a Catedral de São Sebastião; e ruas marcantes, como a Avenida General Rondon. A escolha dos espaços partiu de vínculos pessoais e de percursos frequentes pela cidade, e não de um recorte turístico ou institucional, o que resultou em um conjunto que mistura marcos reconhecíveis e cenas comuns do cotidiano bageense. Durante a execução das pinturas, as decisões de enquadramento, paleta e nível de detalhamento foram tomadas considerando tanto as características visuais dos espaços quanto a memória associada a cada um deles, sendo utilizados tinta aquarela tradicional, papel de aquarela e tratamento posterior digital. A segunda frente envolveu a articulação com o grupo Cultura Sul, formado por escritores da cidade, a quem foi apresentada a proposta do zine e feito o convite para a cessão de textos. Foram selecionados 14 poemas de 14 autores, com o propósito de incorporar diferentes perspectivas sobre Bagé e ampliar o caráter coletivo da publicação, evitando que a representação da cidade se restringisse a uma única experiência individual. A terceira frente foi a organização editorial do material, etapa em que pinturas e poemas foram reunidos e sequenciados. A montagem buscou estabelecer relações entre imagem e texto sem tratá-los como ilustração ou legenda um do outro, aproximando produções que compartilham semelhanças entre si com pinturas mistas das referências mencionadas nos textos, o que em alguns casos gerou aproximações inesperadas entre um poema e uma paisagem que não haviam sido criados a partir do mesmo lugar. A aquarela tradicional foi mantida como elemento central da identidade visual, incluindo capa e elementos gráficos. Como resultado, foi produzido o zine "Mapa Afetivo, Bagé por Ilustrações e Poesias", com 22 páginas e divulgação feita no ambiente virtual através da plataforma Hey Zine após o lançamento junto ao grupo no ponto de cultura Guapamala Artesanal. A publicação materializa o encontro entre artistas visuais e escritores da região e apresenta uma leitura da cidade construída a partir de múltiplas sensibilidades, na qual a paisagem urbana se relaciona com lembranças, sentimentos de pertencimento e diferentes experiências de quem vive em Bagé ou mantém vínculos com ela. Entre as observações reunidas durante o processo, um dos autores mencionou "o quanto as palmeiras pareciam passear pela avenida" e outra integrante disse da "sensibilidade de ver a cidade com olhar de turista". O percurso evidenciou as possibilidades do zine como meio de circulação da produção artística local, uma vez que permitiu reunir em um único objeto cultural linguagens distintas e autores com formas diversas de observar o território, sem depender de estruturas editoriais convencionais e a um custo compatível com a realidade de artistas em início de trajetória. Ao deslocar o olhar dos limites exclusivamente físicos para as experiências construídas nos lugares, o projeto permitiu compreender o mapa como uma representação também subjetiva, formada por relações sociais, memórias e afetos. Conclui-se que a proposta submetida ao edital foi cumprida ao transformar percepções e vínculos com Bagé em uma produção cultural coletiva, contribuindo para a valorização do patrimônio material e imaterial da cidade e para a divulgação de artistas e escritores locais, além de estimular novos olhares sobre espaços que já são percorridos diariamente.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

Bagé em Mapas Afetivos: memória urbana e produção artística local. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123809. Acesso em: 22 out. 2026.