4° corrida de Orientação da Unipampa e caminhada: descobrindo a geobiosociodiversidade de Caçapava do Sul

Autores

  • Ana Paula Souza Corrêa
  • Ricardo da Costa Pereira
  • Vinicius Matte

Palavras-chave:

Esporte, turismo, aerolevantamento, Geoparque, Caçapava

Resumo

A corrida de orientação é uma modalidade esportiva que combina navegação terrestre, deslocamento em ambientes naturais e rápida tomada de decisão, exigindo mapas de grande escala com elevada precisão planialtimétrica e detalhamento de feições de relevo, hidrografia, vegetação e elementos antrópicos. Embora dados LiDAR (Light Detection and Ranging) sejam amplamente empregados na cartografia de orientação em países europeus, sua utilização no Brasil ainda é pouco documentada. Este trabalho apresenta a elaboração e a validação prática de um mapa de corrida de orientação produzido com dados LiDAR em uma área rural de 2,02 km², situada no município de Caçapava do Sul (RS), no território do Geoparque Caçapava, buscando avaliar as vantagens dessa tecnologia para a cartografia esportiva em ambientes brasileiros. O levantamento aéreo com LiDAR acoplado a drone e aerofotogrametria RGB foi realizado entre setembro e outubro de 2025. Os dados foram processados para geração de modelo digital de terreno, curvas de nível e ortofotomosaico. A elaboração preliminar do mapa foi realizada no QGIS 3.40, utilizando curvas de nível com equidistância de 5 m, modelo digital de terreno e relevo sombreado multidirecional para interpretação de drenagens, formas de relevo e feições rochosas. Foram estruturadas 58 camadas correspondentes aos diferentes elementos cartográficos. O mapeamento de campo ocorreu durante nove dias, totalizando aproximadamente 40 horas e 92 km percorridos a pé, com correções do mapa preliminar e registro de feições pontuais, lineares e poligonais. Posteriormente, as camadas foram importadas para o OpenOrienteering Mapper 0.9.5, na escala 1:7.500, para adequação à Simbologia Internacional para Mapas de Orientação (ISOM 2017-2), e a edição final foi realizada no Adobe Illustrator. A validação prática ocorreu durante a 4ª Corrida de Orientação da Unipampa, realizada em 13 de dezembro de 2025, com 43 atletas, além de nove participantes na modalidade de orientação acompanhada. Após o evento, foi aplicado questionário com 25 questões sobre a experiência dos atletas e, especialmente, a qualidade do mapa, obtendo-se 19 respostas. Como resultados, o LiDAR possibilitou representar as curvas de nível sem necessidade de refinamento de campo, com boa correspondência entre mapa e terreno e detalhamento de microformas como pequenos talvegues e colinas. Em comparação às curvas derivadas de SRTM e da aerofotogrametria RGB, os dados LiDAR apresentaram detalhamento superior, sobretudo em drenagens recobertas por vegetação densa. A combinação entre modelo digital de terreno e relevo sombreado também permitiu identificar com precisão drenagens, barrancos de terra e penhascos rochosos. O mapeamento virtual produziu uma base próxima do produto final, embora o trabalho de campo tenha permanecido indispensável para conferir feições pontuais e, principalmente, classificar a transitabilidade da vegetação, cuja interpretação por imagens aéreas pode ser prejudicada pelo mosaico campo-floresta e pelo pastoreio do gado. Ao todo, a produção do mapa demandou aproximadamente 104 horas, equivalentes a 52 h/km², representando redução relevante em relação a métodos convencionais utilizados em terrenos complexos. A validação durante o evento indicou que 63,2% dos respondentes consideraram a dificuldade física dentro do esperado e 68,4% avaliaram da mesma forma a dificuldade técnica. As curvas de nível tiveram papel expressivo na navegação: 42,1% dos participantes afirmaram utilizá-las como principal referência por mais da metade do tempo de prova e 47,4% as utilizaram de forma recorrente. Além disso, 63,1% relataram ter apreciado aspectos da geodiversidade e biodiversidade durante boa parte ou todo o percurso. Conclui-se que o uso de LiDAR proporcionou ganhos expressivos na precisão e no detalhamento altimétrico, permitindo construir uma base cartográfica robusta para mapas de orientação e reduzir o tempo necessário para sua elaboração. Apesar disso, o levantamento terrestre continua essencial, sobretudo para caracterização da vegetação. A aplicação prática confirmou a adequação técnica do mapa e demonstrou o potencial da integração entre tecnologias de sensoriamento remoto, cartografia esportiva e valorização do patrimônio natural. A ampliação do uso do LiDAR, associada à escolha de períodos sazonais favoráveis ao levantamento e à futura automação da classificação da vegetação, a partir de softwares mais robustos e pagos como o OCAD, pode contribuir para elevar o padrão técnico dos mapas de orientação e fortalecer a modalidade no Brasil.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

4° corrida de Orientação da Unipampa e caminhada: descobrindo a geobiosociodiversidade de Caçapava do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 5, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123807. Acesso em: 28 out. 2026.