Quero-horta: Diferentes Configurações para o Cultivo Doméstico de Hortaliças em Pequenos Espaços
Palavras-chave:
Agricultura, urbana, autoconsumo, sustentabilidadeResumo
O cultivo doméstico de hortaliças representa uma alternativa para aproximar as pessoas da produção dos próprios alimentos, possibilitando o acesso a produtos frescos e a realização de uma atividade de lazer mesmo em ambientes com área reduzida. Publicações técnicas demonstram que a produção de hortaliças pode ser realizada em diferentes ambientes domésticos, como quintais, varandas e sacadas, desde que sejam consideradas condições básicas para o desenvolvimento das plantas, como disponibilidade de luz, água, nutrientes e espaço adequado. Entretanto, a implantação de uma horta doméstica não depende apenas da possibilidade técnica de cultivo, uma vez que fatores relacionados à disponibilidade de espaço e tempo, conhecimento sobre o manejo e características individuais dos interessados podem limitar sua adoção. Nesse contexto, o presente trabalho tem como objetivo entender e mostrar que a maioria das pessoas gostariam de ter seu espaço de cultivo, mas não acreditam na possibilidade, também testará modelos adaptados a pequenos espaços. Para caracterizar o interesse e as principais limitações relacionadas ao cultivo doméstico, foi realizado um diagnóstico exploratório por meio de questionário on-line, composto por questões relacionadas à experiência prévia com cultivo, interesse em possuir uma horta, espaço disponível, disponibilidade para realização do manejo, principais dificuldades, espécies de interesse e fatores que poderiam facilitar a adoção da prática. Foram obtidas 30 respostas. Paralelamente ao levantamento, foram definidas quatro configurações demonstrativas de cultivo, sendo duas dispostas verticalmente e duas horizontalmente, contemplando, em ambas as disposições, uma alternativa de cultivo em substrato e outra baseada em cultivo hidropônico. A utilização de diferentes configurações busca demonstrar que a implantação de uma horta não necessita estar associada a um único modelo construtivo, podendo ser ajustada às características do ambiente e aos recursos disponíveis ao usuário. Busca-se ainda priorizar, quando possível, o aproveitamento de materiais já disponíveis, permitindo adaptações de acordo com a realidade de cada ambiente. Os resultados preliminares do questionário demonstraram que 46,7% dos participantes já cultivavam alguma planta comestível em casa, enquanto 90% manifestaram interesse em realizar esse tipo de cultivo e os demais 10% responderam que talvez tivessem interesse. Essa diferença indica que o interesse existente nem sempre se transforma na implantação efetiva de uma horta doméstica. Entre as principais dificuldades identificadas destacaram-se a falta de conhecimento sobre cultivo, apontada por 50% dos respondentes, a falta de tempo, indicada por 43,3%, a falta de espaço, mencionada por 36,7%, e a preocupação com a ocorrência de pragas e doenças, também indicada por 36,7%. Em relação às condições disponíveis, 50% dos participantes declararam possuir varanda ou quintal pequeno. Quanto à disponibilidade para os cuidados com uma horta, 40% indicaram que poderiam realizar o manejo algumas vezes por semana, 33,3% apenas nos finais de semana e 26,7% disponibilizariam alguns minutos diariamente. Esses dados demonstram que, além do espaço ocupado, a frequência necessária de manejo deve ser considerada na escolha de uma alternativa de cultivo. Entre as motivações para o cultivo destacaram-se a obtenção de alimentos frescos, indicada por 90% dos participantes, a melhoria da alimentação, com 66,7%, o cultivo de alimentos de preferência pessoal, com 63,3%, e a utilização da atividade como lazer ou hobby, indicada por 50%. As categorias de plantas de maior interesse foram temperos, apontados por 83,3% dos respondentes, hortaliças folhosas, por 66,7%, hortaliças-fruto, por 53,3%, e plantas medicinais e chás, por 50%. Quando questionados se a disponibilidade de um sistema simples, adaptável ao espaço existente e acompanhado de orientações de cultivo aumentaria o interesse em possuir uma horta doméstica, 83,3% responderam afirmativamente e 16,7% responderam talvez, não sendo registradas respostas negativas. Os resultados parciais evidenciam que existe interesse pelo cultivo doméstico, mas também limitações que dificultam sua realização. Nesse sentido, a construção e demonstração das configurações verticais e horizontais, em substrato e hidroponia, busca apresentar diferentes possibilidades que possam ser selecionadas ou adaptadas conforme o espaço, os recursos e a disponibilidade para manejo de cada usuário. Conclui-se, a partir do diagnóstico inicial, que propostas simples, adaptáveis e acompanhadas de orientação podem contribuir para aproximar o cultivo de hortaliças da realidade dos interessados. A continuidade do trabalho, com a implantação e acompanhamento das quatro configurações, permitirá avaliar suas características práticas de instalação e manejo e utilizar essas experiências na elaboração de orientações para hortas em pequenos espaços.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Quero-horta: Diferentes Configurações para o Cultivo Doméstico de Hortaliças em Pequenos Espaços. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123749. Acesso em: 23 out. 2026.