A Montagem Audiovisual de Documentário Socioambiental Como Experiência Formativa no Pet Ppc

Autores

  • Luiz Oscar Vieira Petry
  • Hiago Jovenal da Silva
  • Gabriel Martiliano Barrence Ferreira
  • Diego Allan de Souza Neves
  • Sandro Martins Costa Mendes

Palavras-chave:

Produção, Cultural, Montagem, Audiovisual, Documentário, Arroio, Gelo

Resumo

O presente trabalho relata e analisa criticamente a experiência prática de organização de acervo, decupagem de imagens e execução do primeiro corte (rough cut) do documentário independente "Arroio do Gelo - Isso não é uma valeta", idealizado pelo coletivo Câmera Verde da cidade do Rio Grande, ao longo de 2025. Esta etapa técnica foi desenvolvida como parte das ações do Programa de Educação Tutorial (PET) do Bacharelado em Produção e Política Cultural (PPC) no primeiro semestre de 2026, a partir de uma articulação institucional entre os idealizadores do projeto e a tutoria do programa. A equipe do documentário não havia conseguido parceria que pudesse realizar a organização das imagens e áudios e realizar um primeiro corte. O documentário registra as drásticas transformações espaciais e os impactos socioambientais gerados pelas obras de pavimentação e drenagem no Balneário Cassino. A narrativa foca no contraste entre a supressão da vegetação nativa para o entubamento do arroio e as manifestações de resistência da comunidade, marcadas por intervenções artísticas e depoimentos de moradores. A contribuição do PET teve como objetivo, nesta etapa inaugural, viabilizar a transposição inicial do argumento textual para a linguagem audiovisual, fornecendo uma base rítmica e narrativa que testasse a viabilidade da proposta da direção e, ao mesmo tempo, pudesse suprimir horas de trabalho e custos com uma edição particular. A metodologia fundamentou-se na estruturação deste rough cut utilizando o software de edição Final Cut Pro X, iniciando pela rigorosa organização, renomeação e sincronização de um vasto e diverso volume de mídias brutas. O acervo englobava captações de vídeo em câmeras Panasonic 3CCD, imagens aéreas de drone, fotografias de celulares e registros de áudio direto, abrangendo depoimentos de moradores do entorno, o ruído de maquinário e sons da fauna local (pássaros, rãs, grilos). A estruturação dessa linha do tempo foi guiada por um roteiro detalhado em nove partes, previamente definido pela direção, exigindo soluções técnicas para adequar o ritmo e construir transições coesas entre blocos estéticos distintos: imagens poéticas da foz do arroio, registros factuais de devastação, performances artísticas de protesto (como a "Marcha do entubamento") e entrevistas. O principal desafio deste processo de montagem preliminar foi validar a estrutura sugerida pelo roteiro, organizando as imagens e áudios de forma mais "crua", mas logicamente encadeada, para que a direção pudesse visualizar concretamente a atmosfera melancólica e combativa pretendida. Como resultados parciais, destaca-se a entrega bem-sucedida dessa primeira versão contínua do filme. Este material estruturado serviu como um modelo essencial de visualização, permitindo que o coletivo avaliasse o fluxo narrativo antes que o projeto fosse encaminhado para uma produtora privada encarregada da edição, tratamento de cor, mixagem de som e finalização final. A experiência evidencia a centralidade da prática técnica de edição de vídeo na formação cidadã e profissional do produtor cultural, demonstrando como a etapa do rough cut não é meramente mecânica, mas um exercício analítico e interpretativo fundamental. A estruturação prévia do discurso audiovisual comprova ser uma ferramenta estratégica vital para a viabilização de produtos estéticos independentes voltados à denúncia de violações ambientais, auxiliando coletivos culturais na validação de suas narrativas e no fortalecimento das lutas territoriais. O documentário já foi finalizado no segundo semestre de 2026 e tem sido exibido em escolas, instituições e mostras, acompanhados de debate sobre o tema abordado.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

A Montagem Audiovisual de Documentário Socioambiental Como Experiência Formativa no Pet Ppc. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123735. Acesso em: 21 out. 2026.