Sustentabilidade e Gestão Financeira: Diagnóstico e Captação de Recursos no Terceiro Setor
Palavras-chave:
Sustentabilidade, Financeira, Organização, Não, Governamental, Extensão, UniversitáriaResumo
O Terceiro Setor desempenha papel crucial no atendimento a demandas sociais negligenciadas, contudo enfrenta desafios constantes de sustentabilidade econômica e profissionalização da gestão. Nesse contexto, a Associação Rosas de Ouro, sediada em Sant'Ana do Livramento/RS, é uma organização sociocultural sem fins lucrativos atuante na fronteira Brasil-Uruguai que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade por meio de projetos socioeducativos e culturais. Apesar do amplo reconhecimento comunitário e institucional, a entidade enfrenta sérias restrições financeiras decorrentes da dependência de recursos governamentais vinculados a projetos específicos, inviabilizando o custeio de despesas operacionais fixas e a manutenção adequada de sua sede. Diante dessa problemática, este trabalho tem como objetivo propor ações voltadas ao fortalecimento da gestão financeira e a captação de recursos da Associação Rosas de Ouro, contribuindo para sua sustentabilidade e para a continuidade das ações sociais desenvolvidas junto à comunidade fronteiriça. Para subsidiar a elaboração dessas propostas, foi realizado um diagnóstico dos gastos financeiros da organização para compreender sua realidade financeira, bem como para verificar suas limitações relacionadas aos gastos com as atividades e, para assim identificar oportunidades de aprimoramento na gestão de recursos. A realização deste trabalho justifica-se pela importância de fortalecer a sustentabilidade financeira da Associação Rosas de Ouro, para assegurar a continuidade de seus projetos e do impacto social gerado na comunidade. Desta forma, se evidencia como a aplicação de ferramentas administrativas e financeiras junto ao desenvolvimento de estratégias compatíveis com a realidade da organização, podem contribuir para uma gestão mais eficiente, transparente e sustentável, favorecendo a permanência e o crescimento das ações promovidas pela instituição. A metodologia adotada fundamentou-se em uma abordagem mista, combinando técnicas qualitativas e quantitativas. Inicialmente, realizou-se uma pesquisa qualitativa exploratória por meio de observação participante durante reuniões com a diretoria e responsáveis pela instituição, permitindo mapear os principais gastos operacionais e a percepção dos gestores em relação às suas atividades financeiras. Em seguida, efetuou-se uma análise documental para identificar as despesas (gastos fixos e variáveis) e as receitas (editais de fomento contemplados pela instituição e doações). Esses dados permitiram a estruturação de uma ferramenta de Fluxo de Caixa, abrangendo o período de janeiro a maio de 2026, a partir do levantamento, classificação e categorização das receitas, despesas (administrativas e tributárias) e investimentos realizados, a fim de mensurar a saúde financeira e o grau de dependência de recursos externos. Os resultados apontaram uma vulnerabilidade financeira da instituição. No período analisado, a única receita registrada ocorreu em janeiro de 2026, proveniente de uma emenda impositiva no valor de R$ 10.000,00, sem entrada de novos recursos nos meses seguintes e sem registros de doações de pessoas físicas ou jurídicas. Em janeiro, R$ 8.495,32 foi alocado em investimentos no ativo imobilizado para estruturação física da sede, contemplando mobiliários, divisórias, tatames e equipamentos. As despesas fixas operacionais apuradas (água, energia elétrica, segurança privada, seguro contra incêndio, IPTU, serviços de transporte e atendimento contábil) variaram entre R$ 901,08 e R$ 1.151,08 mensais, gerando um saldo deficitário acumulado de R$ 3.538,56 ao final do período analisado. A análise revelou que os gastos fixos são frequentemente custeados pela própria diretoria. Por isso, elaborou-se um plano estratégico em três eixos: a) o Programa de Padrinhos Recorrentes, focado em captar doações mensais recorrentes de pessoas físicas, por meio de PIX e plataformas de financiamento coletivo; b) a consolidação de Parcerias Empresariais e a implantação de Cofrinhos Solidários no comércio local da fronteira, possibilitando o apadrinhamento direto de contas de consumo por empresas parceiras; e, c) a inclusão de Despesas Operacionais nos orçamentos dos projetos submetidos a editais futuros, desde que essa previsão seja permitida pelos respectivos regulamentos. Os eixos propostos buscam ativar canais de captação de recursos junto à comunidade e à iniciativa privada, ampliando a sustentabilidade financeira da organização. Conclui-se que a intervenção extensionista fortaleceu a integração entre universidade e sociedade ao promover a Associação Rosas de Ouro ferramentas de gestão financeira e alternativas para sua autonomia econômica. Para a formação das discentes, a atuação extensionista possibilitou a aplicação prática dos conhecimentos da Administração e o desenvolvimento da capacidade decisória diante de limitações de dados, reforçando o papel da extensão universitária na aproximação entre a academia e o Terceiro Setor.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Sustentabilidade e Gestão Financeira: Diagnóstico e Captação de Recursos no Terceiro Setor. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123723. Acesso em: 22 out. 2026.