Movimentos que Aproximam: o Clube de Xadrez da Unipampa como ação extensionista
Palavras-chave:
Extensão, universitária, Pertencimento, AcessibilidadeResumo
As universidades, além de serem espaços de formação acadêmica, também são locais de convivência, integração e construção de vínculos. O Plano Nacional de Extensão Universitária, estabelecido em 2000, relata que a extensão universitária articula o ensino e a pesquisa, possibilitando uma relação transformadora entre universidade e sociedade. A extensão cumpre papel essencial na formação dos indivíduos, favorecendo uma compreensão integrada da realidade social. Considerado um dos jogos de tabuleiro mais antigos, o xadrez é uma modalidade esportiva capaz de promover o desenvolvimento de habilidades, assim como proporcionar lazer e socialização. Para fomentar o xadrez na Universidade Federal do Pampa, no Campus Uruguaiana, foi criado o Clube de Xadrez da Unipampa, projeto de extensão que visa integrar discentes e demais interessados em praticar ou aprender xadrez, além de ampliar suas ações para a comunidade externa. Portanto, o objetivo do presente trabalho é relatar a experiência do Clube de Xadrez da Unipampa enquanto ação extensionista, destacando suas contribuições para a integração universitária e sua aproximação com a comunidade externa. O Clube de Xadrez foi criado e implementado formalmente em junho de 2026. Desde o início das atividades, foram realizados oito encontros semanais na universidade para a prática do xadrez, com participação média de oito pessoas por encontro. Atualmente, a gestão do projeto é composta por dois docentes e três discentes. Foram criados canais de comunicação, como perfil em rede social e e-mail, para divulgação das atividades e comunicação com os integrantes. Ao final do semestre letivo, foi aplicado um formulário de avaliação do projeto aos participantes, resultando em seis respostas, posteriormente analisadas de forma descritiva. Concomitantemente às atividades do Clube de Xadrez, foram realizados cinco encontros presenciais na Associação Amigos dos Deficientes Físicos de Uruguaiana (AADUR). Os encontros foram realizados como ação piloto, combinada entre o docente responsável e o presidente da associação, para avaliar o interesse dos membros e verificar a possibilidade de continuidade das atividades por meio de um projeto específico. Participaram, em média, quatro pessoas por encontro, incluindo pessoas com deficiência visual e física. Inicialmente, realizou-se uma abordagem introdutória sobre o xadrez, seguida da apresentação do tabuleiro, das peças e de seus respectivos movimentos, contemplando conceitos básicos, uma vez que os participantes não possuíam conhecimento prévio acerca do jogo. Ao final do período letivo, os participantes do Clube de Xadrez foram convidados a avaliar as atividades desenvolvidas. Entre os que responderam ao formulário, a avaliação da experiência apresentou resultados positivos, com 66,7% atribuindo nota 5 à experiência e 33,3% atribuindo nota 4. Quanto às principais contribuições apontadas, destacaram-se a oportunidade de ter um momento de lazer (100%), conhecer novas pessoas (83,3%), aprender mais sobre xadrez (50%) e sentir-se integrado à universidade (50%). Além disso, 83,3% manifestaram intenção de continuar no projeto no semestre seguinte. Estes resultados sugerem que o Clube de Xadrez pode contribuir para o fortalecimento do sentimento de pertencimento dos discentes à universidade, especialmente por proporcionar momentos de lazer, integração e socialização. Nesse sentido, a iniciativa apresenta potencial como estratégia complementar de enfrentamento à evasão universitária, ao propiciar a construção de vínculos e a permanência dos estudantes no ambiente acadêmico. Paralelamente, nas ações executadas junto à AADUR, observou-se evolução na percepção e exploração do tabuleiro pelos participantes com deficiência visual, embora ainda fossem notadas dificuldades relacionadas à orientação espacial e à localização das peças, especialmente as pertencentes ao adversário. Além do aprendizado dos conceitos, os encontros proporcionaram interação e troca entre os participantes e integrantes do projeto, envolvendo conversas, compartilhamento de experiências e histórias. Segundo o presidente da AADUR, as atividades apresentaram boa aceitação entre os membros, havendo interesse na ampliação e continuidade do projeto. Diante das dificuldades de acessibilidade observadas, também está sendo avaliada a possibilidade de inserção de tabuleiros adaptados para encontros futuros. Dessa forma, a experiência do Clube de Xadrez da Unipampa demonstrou potencial como ação extensionista voltada à integração universitária e à aproximação entre universidade e comunidade. As atividades propiciaram lazer, socialização e aprendizado, além de permitirem identificar demandas de acessibilidade na AADUR. Nesse sentido, a continuidade e ampliação do projeto, incluindo a possibilidade de novas ações junto à comunidade, como em instituições de ensino, poderá contribuir para o fortalecimento das ações inclusivas, da troca de saberes e da aproximação entre universidade e sociedade.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Movimentos que Aproximam: o Clube de Xadrez da Unipampa como ação extensionista. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123715. Acesso em: 22 out. 2026.