O Futsal Como Prática Pedagógica em Uma Escola Periférica de Uruguaiana/rs
Palavras-chave:
Inclusão, Pedagogia, esporte, Formação, docenteResumo
O ensino do futsal no ambiente escolar pode ultrapassar a aprendizagem dos fundamentos técnicos e constituir uma prática pedagógica voltada ao desenvolvimento motor, cognitivo e social. Para isso, a modalidade precisa ser abordada de maneira lúdica, inclusiva e contextualizada, possibilitando que os estudantes compreendam o jogo, tomem decisões e participem das atividades independentemente de suas experiências anteriores. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre uma experiência de ensino do futsal desenvolvida por bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) em uma escola pública situada em uma região periférica de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. A proposta foi inicialmente destinada a estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental e buscou proporcionar a aprendizagem da modalidade por meio de atividades lúdicas e colaborativas, articulando fundamentos técnicos, situações de jogo e tomada de decisão. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, construído a partir das observações e intervenções realizadas por licenciandos em Educação Física durante oficinas de futsal. As atividades foram organizadas progressivamente e contemplaram passe, condução, domínio e finalização, além de situações de jogo com diferentes condições de vantagem e desvantagem numérica. Essas modificações buscaram estimular a compreensão da dinâmica do futsal e a tomada de decisões diante dos problemas apresentados pelo jogo. Também foram desenvolvidas atividades relacionadas à coordenação motora, à cooperação e à organização coletiva. Durante as oficinas, observou-se ampla participação e interesse dos estudantes. Ao longo das intervenções, os bolsistas perceberam avanços na realização do passe, na condução da bola e na organização durante as situações de jogo. Como não foram empregados instrumentos específicos de avaliação, essas mudanças correspondem às percepções produzidas durante o acompanhamento e não representam medidas objetivas de evolução técnica ou tática. A participação das meninas mostrou-se expressiva, contribuindo para um ambiente mais inclusivo e para o questionamento da compreensão do futsal como prática predominantemente masculina. A experiência evidenciou que oferecer a mesma atividade não garante igualdade de participação, tornando necessárias mediações que favoreçam o acesso à bola, a liberdade para experimentar e o reconhecimento das diferentes habilidades. Embora a proposta tivesse como público inicial o 6º ano, estudantes do 8º e do 9º ano demonstraram interesse e foram incorporados às oficinas. A inclusão desses participantes exigiu adaptações nas regras, na organização dos grupos e na complexidade das atividades, buscando evitar que as diferenças de idade e experiência limitassem a participação dos mais jovens. Essa situação evidenciou a importância da flexibilidade pedagógica e da avaliação contínua do planejamento. Para os licenciandos, a experiência aproximou os conhecimentos construídos na universidade das situações vivenciadas na escola, favorecendo aprendizagens sobre planejamento, mediação, inclusão e tomada de decisões. As oficinas também permitiram compreender que o conhecimento técnico da modalidade precisa estar articulado à leitura do contexto, às necessidades dos estudantes e aos objetivos educacionais. Entre os desafios encontrados, destacam-se as condições estruturais da escola e do entorno. Em períodos de chuva, o acesso ao espaço destinado às atividades era prejudicado por alagamentos e pelas condições inadequadas da quadra, ocasionando o cancelamento de algumas oficinas. Essas interrupções afetaram a continuidade do projeto e demonstraram que a infraestrutura interfere diretamente nas oportunidades de acesso às práticas corporais. Embora as adaptações tenham permitido desenvolver parte das atividades, elas não substituem a necessidade de espaços seguros e adequados para a Educação Física. Conclui-se que o futsal, quando ensinado de maneira planejada, lúdica e contextualizada, pode contribuir para a aprendizagem de fundamentos e situações de jogo, bem como para a cooperação, a participação e a inclusão. A experiência demonstrou a importância de organizar propostas que não se limitam à reprodução do jogo formal nem valorizam somente os estudantes com maior domínio técnico. No âmbito do PIBID, as oficinas contribuíram para a formação inicial ao aproximar universidade e escola pública e permitir que os licenciandos construíssem saberes docentes por meio do planejamento, da intervenção e da reflexão sobre os desafios vivenciados.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
O Futsal Como Prática Pedagógica em Uma Escola Periférica de Uruguaiana/rs. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123712. Acesso em: 24 out. 2026.