Entre a Universidade e a Escola: Contribuições do Pibid para a Construção da Identidade Docente

Autores

  • Rafaelly Barbosa
  • Maria Fernanda Bayon Dinis
  • Naomy Borges Dornelles
  • Silvan Staudt Ribas
  • Diego de Matos Noronha
  • Marta Íris Camargo Messias da Silveira

Palavras-chave:

Formação, inicial, Identidade, docente, PIBID

Resumo

O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) constitui um importante espaço de aproximação entre universidade e Educação Básica, possibilitando aos estudantes dos cursos de licenciatura conhecer e vivenciar o cotidiano escolar durante a formação inicial. Na Educação Física, essa inserção permite observar diferentes realidades, participar do planejamento e desenvolvimento das aulas e refletir sobre os desafios e as possibilidades presentes na atuação profissional. A identidade docente, nesse processo, não é compreendida como algo pronto, mas como uma construção permanente, constituída pelas experiências, relações e aprendizagens desenvolvidas ao longo da trajetória formativa. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre as contribuições das experiências desenvolvidas no PIBID para a formação inicial e para a construção da identidade docente em Educação Física. O estudo apresenta abordagem qualitativa e caracteriza-se como relato de experiência, elaborado a partir das vivências realizadas entre os meses de março e junho em uma escola pública da rede estadual de ensino. As ações envolveram turmas do 1º, 5º e 7º anos do Ensino Fundamental e compreenderam observação do cotidiano escolar, planejamento coletivo, intervenções pedagógicas e reflexão sobre as práticas desenvolvidas. As propostas contemplaram jogos, brincadeiras e diferentes práticas corporais, planejadas conforme as características das turmas e adaptadas para favorecer a participação dos estudantes. Entre as experiências realizadas, destacou-se uma atividade de sensibilização relacionada às barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência, mesmo não havendo estudantes com deficiência nas turmas participantes. Na proposta, foram estabelecidas limitações na realização de determinadas tarefas e, posteriormente, promoveu-se uma reflexão com os estudantes sobre barreiras, acessibilidade, respeito às diferenças e inclusão. A atividade não teve a intenção de reproduzir ou simular a experiência de uma pessoa com deficiência, mas de utilizar as práticas corporais como ponto de partida para discutir as condições que podem limitar a participação. O desenvolvimento das intervenções em diferentes anos escolares permitiu perceber que cada turma apresenta características próprias e demanda distintas formas de comunicação, organização e condução das atividades. Com os estudantes do 1º ano, observou-se maior necessidade de explicações simples, demonstrações e propostas dinâmicas. Nas turmas do 5º e do 7º anos, foi possível ampliar gradativamente a complexidade das atividades, das regras e das orientações. Ao longo das intervenções, também foram realizadas adaptações nos jogos e nas brincadeiras para favorecer o envolvimento coletivo, demonstrando que o planejamento precisa ser flexível e considerar as respostas dos estudantes durante as aulas. Os momentos de planejamento e diálogo entre bolsistas, professor supervisor e professores coordenadores foram importantes para analisar as práticas, compartilhar dificuldades e elaborar novas possibilidades de intervenção. Como resultados da experiência, destacam-se o desenvolvimento de maior segurança para conduzir as atividades, comunicar as propostas e modificar o planejamento diante das situações encontradas, além da ampliação da compreensão sobre as diferenças entre as turmas e sobre a necessidade de criar condições para a participação dos estudantes. As vivências também possibilitaram compreender que a atuação docente não consiste apenas no domínio e na transmissão de conteúdos, pois envolve observar, planejar, dialogar, mediar conflitos, tomar decisões e refletir continuamente sobre a própria prática. A relação entre planejamento, intervenção e reflexão aproximou os conhecimentos construídos na universidade das situações concretas encontradas na escola e contribuiu para ressignificar concepções anteriores sobre o trabalho do professor de Educação Física. A convivência com os estudantes e profissionais da escola também evidenciou que os saberes docentes são construídos de maneira coletiva, por meio das relações estabelecidas e das decisões tomadas no cotidiano. Nesse processo, a identidade docente foi sendo fortalecida à medida que os bolsistas passaram a reconhecer responsabilidades, desafios e possibilidades relacionados à profissão. Conclui-se que as experiências proporcionadas pelo PIBID contribuíram para a formação inicial e para a construção da identidade docente em Educação Física. O contato com diferentes anos do Ensino Fundamental, os desafios encontrados nas intervenções, a adaptação das propostas e os momentos de reflexão possibilitaram ampliar a compreensão sobre o papel do professor. A experiência permitiu reconhecer a docência como um processo de aprendizagem permanente, construído na relação entre formação acadêmica, realidade escolar, trabalho coletivo e prática pedagógica.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Entre a Universidade e a Escola: Contribuições do Pibid para a Construção da Identidade Docente. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123710. Acesso em: 22 out. 2026.