A Escola Como Espaço de Formação: Experiências no Pibid a Partir do Ensino do Futsal

Autores

  • Mikael Aguirre Wesz
  • Renata Trindade Thoma
  • José Nicolas Graziadei
  • Loreanne dos Santos Silva
  • Diego de Matos Noronha
  • Marta Íris Camargo Messias da Silveira

Palavras-chave:

Saberes, docentes, Formação, inicial, Esporte, escolar

Resumo

A aproximação entre universidade e escola pública proporcionada pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) permite aos licenciandos vivenciar situações da docência e articular os conhecimentos da formação às demandas do cotidiano escolar. Nesse processo, a escola constitui um espaço de formação e produção de saberes docentes, pois o contato com os estudantes, o planejamento e os desafios das intervenções exigem reflexão e decisões. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre as aprendizagens construídas por um bolsista do PIBID durante atividades de futsal na Escola Municipal de Educação Básica General Osório, em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, considerando as contribuições da experiência para sua formação docente. Trata-se de um estudo qualitativo, caracterizado como relato de experiência, construído a partir da participação do autor principal em atividades de observação, planejamento, intervenção e reflexão sobre a prática. As ações foram realizadas com estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e tiveram como conteúdo o futsal, incluindo a preparação para os Jogos Escolares do Rio Grande do Sul (JERGS). As atividades contemplaram fundamentos da modalidade, regras, organização coletiva e situações de jogo, considerando as características dos estudantes e as condições disponíveis. A preparação para a competição foi compreendida como parte do processo pedagógico, sem limitar as ações à busca por resultados ou ao desempenho técnico. Procurou-se articular a aprendizagem do futsal à cooperação, ao respeito, à responsabilidade e ao compromisso com o grupo. Durante a experiência, o bolsista participou do planejamento e da condução das atividades, vivenciando situações que exigiram adequações das propostas às respostas dos estudantes e às condições da escola. O acompanhamento das aulas evidenciou que o planejamento constitui uma orientação necessária, mas não pode ser uma estrutura rígida, pois a atuação docente demanda leitura do contexto e capacidade de reorganizar atividades, explicações, tempos e formas de participação. Entre os resultados percebidos, destacou-se o envolvimento dos estudantes com as atividades de futsal e com a preparação para os jogos escolares. Ao longo das intervenções, foram observados avanços na compreensão das regras, na organização durante as situações de jogo e na participação coletiva. Como não foram utilizados instrumentos específicos de avaliação, essas mudanças correspondem às percepções produzidas durante o acompanhamento e não representam medidas objetivas de desempenho. Para além das aprendizagens da modalidade, as situações vivenciadas demonstraram que o ensino do esporte exige atenção às relações entre os estudantes, às diferenças de habilidade e às oportunidades de participação. A preparação para os JERGS também possibilitou refletir sobre o lugar da competição na escola. Embora possa mobilizar interesse, estabelecer metas e produzir experiências significativas, a competição precisa ser pedagogicamente mediada para não valorizar apenas os estudantes com maior desempenho, nem transformar a vitória no único sentido da prática. A atuação do bolsista envolveu ensinar fundamentos e organizar situações de jogo, mas também orientar comportamentos, mediar relações, incentivar a cooperação e favorecer a responsabilidade coletiva. Na formação inicial, a experiência proporcionou aprendizagens relacionadas à organização das aulas, à comunicação, à observação das necessidades da turma e à tomada de decisões. A inserção na escola aproximou os conhecimentos da graduação das situações da Educação Básica, evidenciando que parte dos saberes docentes é produzida e ressignificada na experiência. O contato com os estudantes contribuiu para reconhecer que uma mesma estratégia não produz resultados iguais para todos e que o professor precisa observar, escutar e adaptar sua intervenção em relação ao planejado. Assim, o conhecimento técnico sobre o futsal mostrou-se importante, mas insuficiente quando separado dos conhecimentos pedagógicos e da compreensão do contexto. Conclui-se que a participação no PIBID, por meio do ensino do futsal, ampliou a compreensão do bolsista sobre a atuação do professor de Educação Física e os desafios do planejamento e das intervenções. A escola mostrou-se não apenas como local de aplicação de conhecimentos adquiridos na universidade, mas como território formativo no qual novos saberes são construídos por meio das relações, das decisões e da reflexão sobre a prática. A experiência reafirma a importância do PIBID na aproximação entre universidade e Educação Básica e na construção da identidade docente, demonstrando que aprender a ensinar envolve conhecer o conteúdo, compreender os estudantes e produzir respostas pedagógicas coerentes com a realidade escolar.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

A Escola Como Espaço de Formação: Experiências no Pibid a Partir do Ensino do Futsal. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123709. Acesso em: 24 out. 2026.