Educação Matemática Crítica na Formação Docente: Relato e Análise de Uma Ação Extensionista com Professores
Palavras-chave:
Matemática, ação, Formação, professores, Prática, extensionistaResumo
No seio da sociedade capitalista emerge uma dualidade entre desenvolvimento tecnológico e progresso social sem precedentes na história da humanidade. Ao mesmo tempo que se tem o pináculo do desenvolvimento científico e tecnológico, contradições como a crise climática e social revelam os limites de um modelo de desenvolvimento centrado no lucro, na concentração de riqueza e na exploração da força de trabalho, cujos avanços não se traduzem, necessariamente, em melhores condições de vida para a maioria da população. Frente a isso, a Educação Matemática Crítica (EMC), fundamentada em Ole Skovsmose (2004), convida professores e estudantes a questionar os modelos matemáticos que reproduzem tais contradições, para a qual a matemática é utilizada como um instrumento de investigação, diálogo e interpretação da realidade social. Diante desse contexto, este estudo busca relatar e analisar a experiência extensionista vivenciada junto a professores que ensinam matemática, no desenvolvimento da oficina Educação Matemática Crítica em ação: fundamentos para uma perspectiva crítica em Educação Matemática, realizada no âmbito do projeto de extensão INSPIRA, na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) - Campus Bagé/RS. Embora o relato e a análise sejam pautados na experiência do ministrante da ação extensionista, cabe destacar que a formação buscou aprofundar conceitos centrais da EMC, por meio da problematização do ensino e aprendizagem em matemática, refletindo sobre suas contribuições para o desenvolvimento de uma consciência matemática crítica e coletiva, alinhada à promoção da justiça social e ambiental, da democracia e dos Direitos Humanos. A análise da experiência foi organizada em dois eixos: (1) Desenvolvimento da oficina e práticas em EMC; e (2) Contribuições e desafios da experiência extensionista para a formação docente. No primeiro eixo, destacaram-se os conceitos explorados da não neutralidade da matemática, da matemática em ação, foreground e background, milieus de aprendizagem, cenários para investigação e matemacia. As discussões e atividades propostas possibilitaram problematizar a presença da matemática na sociedade, seus usos e efeitos, questionando quem de fato é beneficiado ou prejudicado por determinadas aplicações e modelos matemáticos. A oficina também explorou exemplos históricos e contemporâneos, evidenciando que a matemática pode não apenas produzir avanços científicos e tecnológicos, mas também contribuir para processos de exclusão e desigualdade. No segundo eixo, destacaram-se contribuições da experiência extensionista para a formação docente, especialmente pela criação de espaços de diálogo e reflexão sobre o papel social e político da matemática. As discussões ajudaram a refletir sobre a matemática, para além da mera reprodução de fórmulas e procedimentos, valorizando principalmente o diálogo, a investigação e a relação com os fenômenos que decorrem da sociedade. A abordagem dos foregrounds e backgrounds também possibilitou problematizar sobre as histórias de vida, os contextos sociais e as perspectivas futuras de estudantes de matemática, como elementos que influenciam diretamente na intencionalidade e, portanto, no processo de aprendizagem. Nesse âmbito, a extensão universitária mostrou-se fundamental para o desenvolvimento da atividade proposta, ao aproximar a universidade da comunidade e favorecer espaços de diálogo, construção coletiva de saberes e reflexão sobre possibilidades de transformação das práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas. A experiência proporcionou a articulação entre conhecimentos acadêmicos e saberes construídos no contexto da prática docente e fortaleceu o intercâmbio entre universidade e educação básica. Entre os principais desafios identificados no desenvolvimento da atividade, destacam-se a superação da concepção tradicional e neutra da matemática, ainda presente em diferentes contextos da formação inicial e da educação básica, bem como as condições de trabalho dos professores, relacionadas à valorização da carreira, ao tempo destinado ao ensino e ao planejamento, à formação inicial e continuada, aos currículos, à disponibilidade de recursos didáticos e tecnológicos e às diferentes realidades vivenciadas pelos estudantes. Dessa forma, conclui-se que a oficina mostrou-se relevante, no que diz respeito ao potencial da extensão universitária e da EMC em promover espaços formativos para os quais, o conhecimento matemático seja compreendido não apenas como um mero procedimento mecânico e desvinculado da realidade, mas como um instrumento utilizado como um meio para interpretar, compreender e transformar essa realidade.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Educação Matemática Crítica na Formação Docente: Relato e Análise de Uma Ação Extensionista com Professores. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123702. Acesso em: 6 nov. 2026.