Sala de Espera na Atenção Primária Saúde: Educação em Saúde para o Cuidado às Mulheridades

Autores

  • Livia Maria Terra da Silva
  • Maria Luísa Hipólito Gundim dos Santos
  • Juliana Fagundes de Lima
  • Guilherme Henrique Larssen de Aquino
  • Brian Kenji Toda Kisaki
  • Samuel Romero

Palavras-chave:

Educação, saúde, Infecções, Sexualmente, Transmissíveis, Saúde, Mulher,    

Resumo

A educação em saúde na Atenção Primária à Saúde constitui importante estratégia para aproximar e sensibilizar conhecimentos científicos acerca das demandas da comunidade e estimular a participação dos usuários no autocuidado e na promoção da saúde. Nesse contexto, foi realizada uma ação extensionista na Estratégia Saúde da Família (ESF) 18 Profilurb, em Uruguaiana-RS, durante a segunda semana de outubro de 2025, no contexto das atividades práticas da disciplina de Saúde Coletiva IV, do curso de Medicina, e do estágio curricular na unidade. A intervenção suscitou a promoção da educação em saúde sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), sexualidade e cuidados com a saúde da mulher por meio de uma abordagem participativa em sala de espera, pautada nos princípios da Educação Popular em Saúde. A atividade foi planejada e desenvolvida por seis acadêmicos do quarto semestre de Medicina da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), com apoio e orientação docente, e contou com a participação de aproximadamente 25 usuários da unidade, com predominância de mulheres adultas e também com 5 integrantes da equipe multiprofissional da ESF. A ação foi estruturada a partir da dinâmica Mitos e Verdades, composta por 20 afirmações, sendo dez relacionadas às ISTs e dez à saúde da mulher. A cada assertiva, os participantes eram incentivados a manifestar suas percepções, por meio de falas espontâneas ou levantando a mão, classificando-as como verdadeiras ou falsas; em seguida, os acadêmicos apresentavam a resposta adequada, acompanhada de breve explicação e discussão sobre o tema. Foram abordadas questões relacionadas à prevenção combinada, sintomas e transmissão das ISTs, uso correto de preservativos, testes rápidos e autotestes, além de temas essenciais à saúde feminina, como a importância e indicação do exame citopatológico, mamografia, rastreamento dos cânceres de mama e de colo do útero, métodos anticoncepcionais, além de elementos sobre autocuidado, autoestima e autonomia corporal. Além disso, a atividade integrou a campanha do Outubro Rosa, potencializando a conscientização sobre rastreamento precoce e articulando as informações abordadas com o incentivo ao cuidado pessoal e com os serviços de saúde ofertados pela unidade. Como estratégias complementares, foram distribuídos cerca de 50 folders informativos e utilizados dois cartazes educativos ilustrados, um sobre ISTs e outro relacionado à saúde da mulher, produzidos pelos acadêmicos com apoio docente, os quais permaneceram na unidade para disponibilização à comunidade e utilização pela equipe conforme a demanda. Durante a atividade, observou-se atenção e interesse dos usuários, com participação espontânea por meio de respostas, perguntas, comentários e relatos, além de manifestações de surpresa e curiosidade diante da desconstrução de crenças populares. Assim, a dinâmica favoreceu a identificação de conhecimentos prévios e percepções equivocadas sobre os temas abordados, como o reconhecimento de ISTs e a periodicidade dos exames preventivos,  permitindo direcionar as explicações às demandas manifestadas pelos usuários.  A abordagem também possibilitou divulgar orientações atualizadas alinhadas às diretrizes do Ministério da Saúde, contribuindo para a democratização do acesso à informação de qualidade, especialmente para os usuários que ainda não haviam tomado conhecimento acerca destas. Dessa forma, a participação ativa da comunidade reforçou o caráter dialógico da atividade, desmistificando temas relacionados à sexualidade e ao cuidado com o próprio corpo.  Por fim, durante a distribuição dos materiais, os participantes agradeceram e enalteceram a relevância da iniciativa, juntamente com a equipe da ESF que também avaliou positivamente a ação, destacando o engajamento dos acadêmicos, a relevância dos temas e a dinamização do tempo de espera na unidade, além de fotografar a atividade para divulgação digital. A experiência evidenciou o potencial de metodologias participativas em salas de espera para estimular o diálogo, identificar dúvidas, esclarecer mitos e aproximar informações qualificadas das demandas da comunidade, fortalecendo a educação em saúde e a integração entre universidade, serviço e comunidade. A permanência dos materiais educativos na unidade também ampliou a possibilidade de continuidade das orientações para além do momento da atividade, favorecendo sua incorporação ao cotidiano do serviço. Já na perspectiva dos acadêmicos, essa vivência contribui significativamente em sua formação ao proporcionar vivência prática de comunicação em saúde, escuta qualificada e construção compartilhada de conhecimentos no território,ampliando as competências vinculadas ao cuidado no serviço público de saúde.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Sala de Espera na Atenção Primária Saúde: Educação em Saúde para o Cuidado às Mulheridades. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123691. Acesso em: 6 nov. 2026.