Entre Teoria e Prática: Desafios da Iniciação Docência na Educação Física Escolar
Palavras-chave:
Formação, inicial, PIBID, Prática, pedagógicaResumo
Um dos momentos mais desafiadores da formação inicial docente é o encontro entre os conhecimentos construídos na universidade e as situações do cotidiano escolar. Planejamentos podem exigir modificações diante de turmas heterogêneas, espaços limitados, indisponibilidade de materiais, condições climáticas e acontecimentos não previstos. Isso não significa que a teoria esteja separada da prática, mas que os conhecimentos acadêmicos precisam ser interpretados e ressignificados em cada contexto. Nesse processo, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) proporciona aos licenciandos oportunidades de observar, planejar, intervir e refletir sobre a atuação docente durante a graduação. Este trabalho tem como objetivo refletir sobre os desafios encontrados na articulação entre formação acadêmica e prática pedagógica, com base na experiência de um bolsista do PIBID em aulas de Educação Física desenvolvidas com estudantes de 6 a 14 anos. O estudo apresenta abordagem qualitativa e caracteriza-se como relato de experiência descritivo e reflexivo. As vivências ocorreram entre maio e julho de 2026, na Escola Estadual de Ensino Médio Dom Hermeto, em Uruguaiana/RS, envolvendo turmas do 2º, 5º, 6º e 7º ano do Ensino Fundamental. A inserção foi organizada em três etapas: observação participante, planejamento conjunto e regências compartilhadas e autônomas. As experiências foram registradas por meio da observação direta, dos planejamentos confrontados com sua execução e de anotações reflexivas produzidas após as intervenções. Posteriormente, os registros foram retomados mediante leitura interpretativa, buscando identificar modificações no planejamento, dificuldades de gestão das turmas e aprendizagens construídas diante das condições da escola. A reflexão foi organizada em três eixos: planejamento e adaptação; comunicação e mediação com as turmas; e condições materiais e organização das aulas. No primeiro eixo, observou-se que parte das atividades realizadas com as turmas do 5º, 6º e 7º ano ocorreu de maneira próxima ao planejamento, com compreensão das orientações e participação dos estudantes. Na turma do 2º ano, foi necessário reduzir o tempo das explicações, ampliar as demonstrações e reorganizar tarefas para manter o envolvimento das crianças. Essas diferenças evidenciaram que um mesmo planejamento não pode ser aplicado de forma idêntica em grupos com características e experiências distintas. Também se percebeu que a avaliação da aula não deveria se limitar ao cumprimento do que estava escrito, pois as respostas dos estudantes forneciam elementos para revisar as escolhas pedagógicas. No segundo eixo, destacou-se o desafio de construir formas de comunicação e mediação adequadas às diferentes turmas. Enquanto alguns grupos acompanhavam orientações mais longas e atividades com maior autonomia, outros demandavam explicações breves, demonstrações frequentes e acompanhamento próximo. As diferenças não foram atribuídas somente à idade, pois também estavam relacionadas às características coletivas, aos vínculos e às experiências anteriores. A gestão da turma não corresponde apenas à imposição de regras ou ao controle dos comportamentos, pois envolve clareza na comunicação, organização do espaço, construção de combinados, escuta e intervenção diante de conflitos e dispersões. Essas aprendizagens foram desenvolvidas à medida que o bolsista conhecia os estudantes e avaliava suas formas de conduzir as aulas. No terceiro eixo, destacaram-se situações em que a falta de materiais ou as condições climáticas impediram a execução das atividades conforme o planejamento inicial. Nesses momentos, tornou-se necessário reorganizar o espaço, substituir materiais e propor outras formas de trabalhar os conteúdos. A capacidade de adaptação não deve ser compreendida como improvisação sem objetivos, mas como resposta pedagógica fundamentada nas condições encontradas. A experiência evidenciou que parte dos saberes docentes é construída ao tomar decisões, observar seus resultados e refletir sobre as escolhas realizadas. Os resultados indicam que a articulação entre teoria e prática não ocorre pela simples aplicação dos conhecimentos acadêmicos na escola. Ela é construída quando o licenciando utiliza esses conhecimentos para interpretar situações, elaborar propostas, avaliar respostas e reformular sua atuação. As dificuldades iniciais produziram insegurança, mas favoreceram maior autonomia, atenção às características das turmas e compreensão sobre a complexidade do trabalho docente. Conclui-se que o PIBID contribuiu para aproximar o bolsista das situações concretas da Educação Física escolar e transformar desafios cotidianos em oportunidades de aprendizagem profissional. A experiência reforçou que planejamento, mediação e reflexão são dimensões articuladas da docência e que a formação do professor se constrói no diálogo entre conhecimentos acadêmicos, realidade escolar e relações estabelecidas com os estudantes.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Entre Teoria e Prática: Desafios da Iniciação Docência na Educação Física Escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123690. Acesso em: 28 out. 2026.