Práticas Corporais e Lazer no Cras: Convivência, Participação e Vínculos Comunitários
Palavras-chave:
Proteção, social, Convivência, comunitária, Promoção, saúdeResumo
O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) é uma unidade pública da Proteção Social Básica que atua na prevenção de situações de risco e no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, atendendo famílias e indivíduos em contextos de vulnerabilidade social. Entre as ações desenvolvidas nesse espaço, as práticas corporais e as atividades de lazer constituem possibilidades de cuidado, convivência, inclusão e participação social. Para além de seu caráter recreativo, o lazer é um direito social. Nesse contexto, a Educação Física pode contribuir com propostas adequadas às características dos diferentes públicos atendidos, ampliando o acesso às práticas corporais e aos espaços de convivência comunitária. Este trabalho tem como objetivo relatar uma experiência de auxílio e observação de atividades de lazer desenvolvidas em uma unidade do CRAS de Itaqui, Rio Grande do Sul, no contexto da formação acadêmica em Educação Física, destacando aspectos relacionados à convivência, à participação e aos vínculos comunitários observados durante as atividades. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, caracterizado como relato de experiência, realizado entre janeiro e março de 2026. As atividades ocorreram semanalmente e foram planejadas e conduzidas por um profissional de Educação Física, cabendo ao autor do relato, enquanto graduando em Educação Física, acompanhar os encontros, auxiliar na organização e execução das propostas e observar a participação dos integrantes. O público era formado por crianças, adolescentes, adultos e idosos, com idades entre 5 e 60 anos. Em razão dessa diversidade etária, o planejamento considerou as características e as necessidades dos grupos, com adaptações destinadas a favorecer um ambiente acolhedor, participativo e inclusivo. Foram realizados exercícios funcionais voltados ao fortalecimento muscular, atividades de coordenação motora, equilíbrio e agilidade, jogos cooperativos, brincadeiras tradicionais, música, dança e dinâmicas em grupo. As propostas buscaram estimular a participação ativa, a interação, a cooperação e o contato com práticas corporais e de lazer, respeitando os limites dos participantes. As observações realizadas durante o período indicaram adesão e envolvimento nas atividades, percebidos pela frequência aos encontros e pelo envolvimento nas propostas. As práticas contribuíram para a construção de um ambiente de acolhimento e convivência, no qual os participantes puderam compartilhar experiências, estabelecer vínculos e ampliar sua integração. Também foram percebidas mudanças na segurança demonstrada pelos participantes durante determinadas tarefas que envolviam coordenação motora, equilíbrio e autonomia, sem que essas percepções constituam medidas objetivas de evolução física ou motora. Como não foram empregados instrumentos específicos de avaliação, essas percepções não podem ser interpretadas como medidas objetivas de evolução física ou motora, mas constituem registros produzidos a partir do acompanhamento da experiência. Nas atividades coletivas, observaram-se ainda manifestações de comunicação, ajuda mútua, respeito às diferenças e cooperação. A diversidade das propostas mostrou-se importante para atender interesses distintos e possibilitar que pessoas de diferentes idades participassem de uma mesma ação, mediante as adaptações necessárias. Para parte do público atendido, os encontros constituíram uma oportunidade de acesso orientado ao lazer e à convivência comunitária, dimensões que podem ser limitadas pelas desigualdades sociais e pela ausência de espaços, recursos e políticas acessíveis nos territórios. A experiência evidenciou que o lazer não deve ser compreendido apenas como ocupação do tempo livre ou diversão, mas como direito relacionado à cidadania, à participação social e à dignidade.Nesse sentido, as práticas corporais desenvolvidas no CRAS possibilitaram oportunidades de encontro, expressão e construção coletiva, além de favorecerem experiências relacionadas ao cuidado e à participação social. O convívio proporcionado também favoreceu o sentimento de pertencimento e a valorização das relações sociais, sem substituir outras medidas de proteção e acompanhamento próprias da política de assistência social. A experiência possibilitou compreender que a atuação da Educação Física em espaços socioassistenciais exige conhecimentos que ultrapassam a execução de exercícios. São necessários planejamento, escuta, adaptação, sensibilidade às desigualdades e articulação com os objetivos da Proteção Social Básica, evitando práticas excludentes ou descontextualizadas. Conclui-se que as atividades de lazer acompanhadas constituíram um espaço relevante de convivência, participação e fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. A variedade das práticas e sua adequação aos diferentes públicos favoreceram a participação e a construção de experiências significativas.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Práticas Corporais e Lazer no Cras: Convivência, Participação e Vínculos Comunitários. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123688. Acesso em: 6 nov. 2026.