Descobrindo o Sus: Uma Experiência Extensionista com Adolescentes no Ambiente Escolar
Palavras-chave:
Educação, saúde, Letramento, Extensão, universitáriaResumo
O Sistema Único de Saúde (SUS) integra diferentes ações de promoção, prevenção, assistência e vigilância, porém sua amplitude nem sempre é reconhecida pelos adolescentes, que frequentemente o associam apenas a consultas, hospitais e vacinação. Considerando que o direito à saúde da população infantojuvenil pressupõe não somente a existência de serviços, mas também o conhecimento sobre seu funcionamento e suas formas de acesso, a escola constitui um cenário estratégico para dialogar sobre cidadania, participação social e cuidado. Nesse contexto, o projeto de extensão Debatendo o SUS no Ambiente Escolar foi organizado com a finalidade de aproximar adolescentes do sistema público de saúde por meio de atividades educativas relacionadas às suas vivências. Este trabalho objetiva relatar e analisar a experiência de acadêmicos de Medicina na realização de uma ação sobre a presença do SUS no cotidiano, desenvolvida com estudantes de uma escola pública situada em um município da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. O projeto contempla oito encontros sobre temas como princípios e diretrizes do SUS, organização dos serviços, saúde mental, promoção da saúde, participação social e enfrentamento da desinformação. Para este relato, foram consideradas as etapas iniciais da proposta: a apresentação à coordenação escolar e o primeiro encontro com os estudantes, realizado em 25 de junho de 2026, na Escola Moacyr R. Martins, com a participação de 48 alunos do 9º ano do ensino fundamental. A atividade foi conduzida mediante exposição dialogada, perguntas mobilizadoras e recursos lúdicos. Inicialmente, apresentaram-se imagens e situações próximas da realidade dos participantes, incluindo atendimento por ambulância, urgência e emergência, vacinação, vigilância sanitária, acesso à água potável, fiscalização de restaurantes e aquisição de medicamentos. Diante de cada exemplo, os adolescentes eram convidados a indicar oralmente se reconheciam ou não a relação da situação com o SUS; na sequência, as respostas eram problematizadas coletivamente. Para retomar os conteúdos, utilizaram-se ainda palavras cruzadas e caça-palavras elaborados a partir dos serviços e ações discutidos. A observação da participação, das respostas e das perguntas formuladas durante o encontro subsidiou a análise descritiva da experiência. A atividade revelou que muitos participantes possuíam uma compreensão parcial do sistema, concentrada sobretudo nos serviços assistenciais mais conhecidos, como hospitais, unidades básicas de saúde e imunização. Alguns relataram não se perceber como usuários por não procurarem regularmente atendimento nas unidades de saúde, demonstrando desconhecimento sobre ações coletivas e intersetoriais que também compõem o SUS. Ao relacionar o conteúdo a situações comuns como consumir água tratada, frequentar estabelecimentos fiscalizados e utilizar serviços de emergência foi possível ampliar a percepção acerca da presença do sistema na vida diária. Os estudantes demonstraram curiosidade e envolvimento, participaram das discussões e apresentaram dúvidas espontâneas sobre seus direitos e sobre a utilização dos serviços. Entre os questionamentos, destacou-se a possibilidade de o adolescente buscar atendimento na Estratégia Saúde da Família sem estar acompanhado por responsável, o que evidenciou a pertinência de abordar autonomia, acolhimento e acesso à atenção primária. As respostas às dinâmicas também permitiram reconhecer saberes prévios e esclarecer interpretações equivocadas em linguagem acessível. Embora os achados se refiram ao primeiro encontro e não permitam avaliar mudanças de conhecimento em longo prazo, indicam que estratégias participativas e conectadas à realidade favorecem o interesse dos adolescentes e criam oportunidades para fortalecer o letramento em saúde. A experiência reafirma a escola como espaço potente para a circulação de informações qualificadas e para a aproximação entre jovens e serviços públicos. Para os acadêmicos de Medicina, a ação proporcionou contato com demandas concretas da comunidade, exercício de escuta, planejamento educativo, trabalho coletivo e adequação da comunicação científica ao público adolescente. Conclui-se que iniciativas extensionistas dessa natureza contribuem para ampliar a compreensão dos jovens sobre o SUS, seus direitos e possibilidades de cuidado, ao mesmo tempo que favorecem uma formação médica crítica, humanizada e comprometida com a promoção da saúde e com a defesa do sistema público. A continuidade dos encontros poderá aprofundar os temas identificados como lacunas e apoiar formas mais autônomas e conscientes de utilização e participação no SUS.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Descobrindo o Sus: Uma Experiência Extensionista com Adolescentes no Ambiente Escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123686. Acesso em: 2 nov. 2026.