CÂMARA DE LUZ NEGRA COMO ESTRATÉGIA EDUCATIVA PARA FOTOPROTEÇÃO E PREVENÇÃO DO CÂNCER DE PELE

Autores

  • Nilton da Costa Batista
  • Sandra Haas

Palavras-chave:

Fotoprotetor, ultravioleta, prevenção

Resumo

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, em média, sejam registrados cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo o câncer de pele a neoplasia mais incidente, correspondendo a aproximadamente 30% desse total. A elevada incidência desse tumor está relacionada principalmente à exposição cumulativa e desprotegida à radiação ultravioleta do sol, que pode provocar alterações no material genético das células cutâneas e favorecer o desenvolvimento de lesões malignas. Entre os principais tipos estão o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma, sendo este último considerado o mais agressivo devido ao seu elevado potencial de metástase. A radiação UV, por sua vez, é constituída principalmente pelos raios UVA e UVB, que apresentam diferentes efeitos sobre a pele: enquanto os UVA estão mais relacionados ao fotoenvelhecimento, os UVB provocam danos ao DNA celular e estão diretamente associados ao desenvolvimento do câncer de pele. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo destacar as ações extensionistas do Projeto Fotoeducação na promoção da fotoproteção e do uso adequado do filtro solar, considerado um importante recurso para a proteção contra a radiação ultravioleta e para a prevenção de neoplasias cutâneas. As ações foram desenvolvidas em escolas e em eventos abertos ao público, possibilitando a abordagem da temática junto a diferentes faixas etárias e contextos sociais. Durante as intervenções, foram realizadas atividades educativas sobre fotoproteção e prevenção do câncer de pele, incluindo exposições, dinâmicas interativas e distribuição de materiais informativos, buscando estimular o diálogo e ampliar a compreensão sobre os cuidados necessários diante da exposição solar. Dentre os recursos utilizados, ressalta-se a utilização da câmara de luz negra para demonstrar, de forma visual e prática, o uso correto do protetor solar. A câmara foi confeccionada a partir de uma caixa de papelão reciclado, com uma fonte de luz LED ultravioleta acoplada em seu interior. Externamente, possui uma cortina que envolve a cabeça do participante, reduzindo a incidência de luz externa e facilitando a percepção do fenômeno. O dispositivo possui três aberturas: uma destinada à visualização da parte interna e duas para a inserção das mãos. Durante a atividade, os participantes foram orientados a aplicar o protetor solar corretamente em uma das mãos, enquanto a outra permanece sem aplicação do produto para fins de comparação. Em seguida, ambas foram inseridas no interior da câmara e expostas à luz UV, possibilitando observar o contraste entre a região protegida e aquela sem aplicação do produto. Nessas condições, a área onde o protetor foi aplicado apresentava contraste visual distinto, evidenciando sua presença e distribuição sobre a pele. A demonstração também permitiu identificar regiões com cobertura insuficiente ou irregular, o que reforça as orientações quanto à importância da aplicação uniforme e do uso de quantidade adequada. Essa comparação favorece uma aprendizagem ativa do conteúdo teórico apresentado, permitindo visualizar um fenômeno que normalmente não é perceptível a olho nu e tornando mais compreensível a relação entre a aplicação do protetor solar e a proteção contra a radiação UV. Ademais, durante a utilização da câmara, observou-se grande engajamento dos participantes, evidenciado por manifestações de curiosidade, questionamentos, comentários e diálogo entre crianças, adolescentes e familiares. A abordagem visual da demonstração despertou o interesse do público, que se mostrou envolvido ao observar o contraste produzido pela presença do protetor solar sob a luz UV e ao compreender a importância de sua aplicação adequada. Conclui-se, portanto, que a câmara de luz negra apresentou-se como um recurso educativo visual, interativo e de baixo custo, capaz de tornar conceitos relacionados à fotoproteção mais didáticos e compreensíveis ao público. O instrumento contribuiu para estimular a curiosidade e o intercâmbio de saberes com a comunidade, além de reforçar conhecimentos relacionados ao uso correto do protetor solar. A experiência evidencia, assim, o potencial de ferramentas educativas simples e acessíveis para o desenvolvimento de ações de alfabetização científica, conscientização e promoção da saúde, especialmente no contexto da prevenção dos danos associados à exposição à radiação ultravioleta.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

CÂMARA DE LUZ NEGRA COMO ESTRATÉGIA EDUCATIVA PARA FOTOPROTEÇÃO E PREVENÇÃO DO CÂNCER DE PELE. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123677. Acesso em: 3 nov. 2026.