O Voleibol Como Espaço de Protagonismo Feminino: Experiências do Pibid na Educação Física Escolar

Autores

  • Loreanne Silva
  • Jose Nicolas Graziadei
  • Renata Trindade Thoma
  • Mikael Aguirre Wesz
  • Diego de Matos Noronha
  • Marta Íris Camargo Messias da Silveira

Palavras-chave:

Participação, feminina, Autonomia, Formação, docente

Resumo

A Educação Física escolar pode contribuir para a construção da confiança, da autonomia e da participação quando as práticas corporais são organizadas de modo que todos tenham oportunidades de experimentar e desenvolver suas capacidades. Entretanto, as relações de gênero podem influenciar a aproximação das meninas com os esportes, sua segurança para realizar movimentos e a maneira como ocupam esses espaços. Nesse contexto, o voleibol pode ampliar a participação feminina e favorecer experiências nas quais as estudantes assumam posições mais ativas. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre uma experiência desenvolvida no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), buscando compreender como a prática do voleibol pode contribuir para a participação, a interação e o protagonismo de meninas nas aulas de Educação Física. Trata-se de um estudo qualitativo, caracterizado como relato de experiência, realizado com estudantes de aproximadamente 11 e 12 anos na Escola Municipal de Educação Básica General Osório, situada em uma região periférica de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. A experiência foi construída a partir das observações e intervenções realizadas durante atividades de voleibol. As propostas buscaram proporcionar o contato das estudantes com fundamentos e situações da modalidade, contemplando movimentos básicos, controle da bola e interação entre as participantes. Durante as aulas, foram observadas a disposição para realizar as atividades, a interação entre as colegas, a iniciativa para experimentar e a confiança demonstrada. Também foram consideradas as condições estruturais e os materiais disponíveis. Como não foram utilizados instrumentos formais de avaliação, os resultados correspondem às percepções construídas durante o acompanhamento e não representam medidas objetivas de aprendizagem ou desenvolvimento motor. No início da experiência, algumas estudantes demonstravam dificuldade para se envolver nas propostas, principalmente em situações que exigiam exposição diante das colegas ou movimentos que ainda não dominavam. Essas manifestações foram compreendidas não como falta de capacidade ou interesse, mas como parte de um processo de aproximação com uma prática que poderia envolver insegurança, receio de errar e diferentes experiências anteriores. Ao longo das intervenções, observou-se maior disposição para experimentar os movimentos e participar das atividades, além de interação e segurança. Também foi percebido o crescimento do interesse pelo voleibol, expresso no envolvimento com as propostas e na disposição para aprender e repetir movimentos que inicialmente apresentavam dificuldades. Nesse processo, tentar novamente e participar sem que o erro produzisse constrangimento mostrou-se importante para a construção da confiança. O protagonismo feminino foi compreendido não somente como presença nas aulas ou domínio dos fundamentos, mas como a possibilidade de ocupar ativamente o espaço, tomar iniciativas, colaborar com as colegas e reconhecer as próprias capacidades. Assim, o ensino do voleibol ultrapassou a aprendizagem técnica e constituiu uma oportunidade para que as estudantes estabelecessem outras relações com o esporte. Entre os desafios encontrados, destacou-se a disponibilidade limitada de materiais, condição que exigiu adequações no planejamento, na organização das atividades e nos tempos de participação. A inserção em uma escola pública situada em uma região periférica também possibilitou refletir sobre a necessidade de considerar as condições concretas do contexto. As adaptações permitiram realizar as atividades, mas não eliminam a importância de garantir espaços e recursos adequados para o acesso às práticas corporais. Para a bolsista do PIBID, a experiência proporcionou aprendizagens relacionadas à observação da turma, à adequação do planejamento e à avaliação das estratégias utilizadas. Também evidenciou que favorecer a participação feminina exige mais do que oferecer a modalidade, pois envolve construir um ambiente acolhedor, acompanhar as interações e criar oportunidades para que as estudantes experimentem movimentos sem medo de julgamentos. Conclui-se que o voleibol, quando desenvolvido de maneira participativa e pedagogicamente mediada, pode favorecer a interação, a confiança e o protagonismo das meninas. A mudança gradual percebida no envolvimento indicou que a continuidade das intervenções e a valorização de diferentes formas de participação contribuíram para a aproximação com a modalidade. No PIBID, a experiência também se mostrou relevante para a formação inicial, ao aproximar os conhecimentos da universidade das situações vivenciadas na escola e permitir a produção de saberes docentes por meio do planejamento, da intervenção e da reflexão sobre a prática.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

O Voleibol Como Espaço de Protagonismo Feminino: Experiências do Pibid na Educação Física Escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123674. Acesso em: 1 nov. 2026.