Gênero, Participação e Formação Docente em Um Projeto de Voleibol do Pibid
Palavras-chave:
Equidade, Mediação, Pedagógica, Práticas, Corporais, Educação, Física, EscolarResumo
No ambiente escolar, o voleibol pode constituir um espaço de interação, aprendizagem e participação. Entretanto, a presença de meninas e meninos em uma mesma atividade não garante igualdade nas oportunidades de envolvimento. As relações de gênero podem influenciar a distribuição dos estudantes no espaço, o acesso à bola, a liberdade para experimentar movimentos e a ocupação de posições de protagonismo. Nas práticas esportivas, essas diferenças podem manifestar-se de maneira explícita ou sutil, exigindo mediação docente para que as atividades não reproduzam hierarquias e estereótipos. No Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), a inserção dos licenciandos no cotidiano escolar proporciona experiências de planejamento, observação, intervenção e reflexão sobre essas relações. Este trabalho tem como objetivo relatar uma experiência desenvolvida por bolsistas do PIBID Educação Física em um projeto de voleibol, refletindo sobre como as relações de gênero influenciam as formas de participação e ocupação dos espaços por meninas e meninos e sobre as aprendizagens proporcionadas à formação inicial docente. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, caracterizado como relato de experiência, desenvolvido em uma escola municipal situada em uma região periférica de Uruguaiana, Rio Grande do Sul. Participaram do projeto estudantes do 8º e do 9º ano do Ensino Fundamental. A experiência foi construída a partir do acompanhamento das atividades e das observações realizadas pelos bolsistas durante as aulas de voleibol. O olhar dos licenciandos voltou-se para as formas de participação, a ocupação dos espaços, os posicionamentos assumidos, a liberdade para experimentar movimentos, as interações entre meninas e meninos e as estratégias utilizadas para favorecer o envolvimento da turma. As situações vivenciadas foram debatidas pelos bolsistas, permitindo relacionar as observações ao planejamento das aulas. Os resultados mostraram que a participação não se reduz à presença de meninas e meninos na mesma atividade, pois envolve acesso às ações do jogo, possibilidade de tomar decisões, experimentar movimentos, ocupar diferentes posições e errar sem constrangimento. Foi necessário observar como cada estudante se envolvia, quais espaços ocupava, como interagia e quais oportunidades possuía para experimentar os fundamentos do voleibol. Essa mudança no olhar permitiu reconhecer que a participação não se resume à presença física, pois envolve o acesso às ações do jogo, a possibilidade de tomar decisões e a segurança para tentar e errar. A observação das relações de gênero levou os bolsistas a refletirem sobre a organização das equipes, a distribuição dos estudantes no espaço e a necessidade de acompanhar as interações. Também evidenciou que a formação de grupos mistos não assegura automaticamente uma participação equitativa, tornando necessária a mediação pedagógica. Nesse sentido, o planejamento passou a considerar condições para que todos pudessem assumir diferentes posições, experimentar movimentos e participar das decisões coletivas. A experiência mostrou que escolhas relacionadas às regras, à organização dos grupos, à circulação da bola e à ocupação do espaço interferem nas possibilidades de participação. Ao mesmo tempo, demonstrou que essas estratégias precisam ser avaliadas durante as aulas, considerando as respostas dos estudantes e evitando expor aqueles que participam de maneira menos ativa. A experiência permitiu problematizar como as meninas ocupam os espaços de aprendizagem em práticas esportivas historicamente atravessadas por relações de gênero. Para os bolsistas, acompanhar essas situações contribuiu para compreender que as relações de gênero atravessam as práticas corporais e exigem uma atuação docente intencional. A experiência também favoreceu a construção de um olhar mais atento para situações que poderiam ser naturalizadas, como a concentração das ações em determinados participantes, a ocupação desigual dos espaços ou a menor liberdade para demonstrar habilidades. Sendo assim é necessário observar quem participa das ações, quem ocupa os espaços, quem se sente autorizado a experimentar e quais barreiras limitam o envolvimento. No PIBID, a experiência contribuiu para a formação inicial ao permitir que os licenciandos refletissem sobre suas escolhas e compreendessem a docência como prática de mediação e enfrentamento das desigualdades. Desse modo, o projeto reafirma a importância de uma Educação Física que reconheça as relações de gênero e produza condições para que todos participem das práticas corporais com autonomia, respeito e pertencimento.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Gênero, Participação e Formação Docente em Um Projeto de Voleibol do Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123673. Acesso em: 31 out. 2026.