Ifmsa Brazil/unipampa: Projeto Adolescer na Promoção da Saúde Sexual e da Cidadania no Ambiente Escolar
Palavras-chave:
Adolescente, Promoção, Saúde, Extensão, universitária, medicinaResumo
A IFMSA Brazil (International Federation of Medical Students' Associations of Brazil) é uma organização sem fins lucrativos conduzida e organizada por estudantes de medicina e ancorada pela supervisão de professores. Seu propósito é promover a saúde, prevenir doenças e conduzir à formação de profissionais humanizados, proativos e resilientes por meio de ensino, pesquisa e extensão. Na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), a instituição atua por meio do Comitê Permanente de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos, incluindo HIV e AIDS (SCORA), o qual assume a liderança e a aplicação do Projeto Adolescer, focado na educação sexual e reprodutiva. O projeto estabelece um espaço seguro para o compartilhamento de saberes, visando prevenir comportamentos de risco, além de promover e sensibilizar a autonomia dos jovens no exercício de seus direitos. Assim, este relato de experiência foi desenvolvido por acadêmicos de medicina da UNIPAMPA em conjunto com os professores orientadores, com o objetivo de descrever uma ação de extensão do Projeto Adolescer que conduz a reflexões e intervenções no território do cuidado sexual, reprodutivo e dos direitos humanos. O ensaio caracteriza-se como um relato de experiência sob aspectos de descrição discente e com observações ao cenário e objetivos da ação em voga. A natureza da experiência está associada à conformação dos ideários da educação em saúde na IFMSA Unipampa e é problematizada por meio de reuniões constantes, cuja intenção é o planejamento dos processos de trabalho, a notabilidade da autonomia dos estudantes e a incursão dos aprendizados adquiridos nos diversos componentes do curso, sob respaldo de evidências e orientação docente permanente. O desenvolvimento da atividade contou com 50 alunos do oitavo ano do ensino fundamental e foi realizada em junho de 2026 em uma escola pública municipal de Uruguaiana-RS. Previamente, os discentes de medicina participaram de uma capacitação ministrada por um docente de Saúde Coletiva, abordando oratória, mediação de grupos, manejo de tabus, transformações biopsicossociais da adolescência, consentimento e relações saudáveis, sucedida pelo desenvolvimento de material didático, suporte, dinâmicas e modelos avaliativos. A intervenção foi dividida em quatro momentos, Inicialmente, realizou-se uma apresentação dialogada voltada ao acolhimento, mapeamento dos conhecimentos prévios e contextualização do encontro, seguida por divisão da turma em quatro grupos, foi aplicado quiz interativo composto por dez questões de múltipla escolha com quatro alternativas, cada resposta dada, exibia-se a pontuação e a classificação parcial das equipes, utilizando a gamificação para aumentar o interesse e a participação dos estudantes. Além disso, cada questão era debatida coletivamente para criar-se a troca de saberes e a construção do conhecimento. Por fim, foi premiado simbolicamente o grupo que alcançou a primeira colocação. Após, foi aplicada uma dinâmica sobre a perspectiva do consentimento nas relações cotidianas a partir de frases e discussões sobre silêncio, insistência, pressão emocional, pessoa alcoolizada ou sob efeito de substâncias e medo de decepcionar, demonstrando que a ausência de um "não" explícito não significa consentimento e premiando as respostas mais robustas. Por último foi realizado a conscientização sobre responsabilização legal, desconstruindo a falsa percepção de impunidade pela menoridade ao expor ramificações jurídicas como cyberbullying, difamação, injúria, omissão e assédio por meio do estudo de quatro personagens fictícios (o aluno A, que criou a imagem vexatória; o aluno B, que riu e compartilhou em grupo privado; o aluno C, que curtiu a publicação no Instagram; e o aluno D, que presenciou o evento e optou pelo silêncio). A execução do projeto permitiu observar o impacto positivo da educação em saúde no público adolescente: durante o quiz, observaram-se estratificados níveis de conhecimento e abriu-se um espaço seguro para sanar dúvidas. Na reflexão sobre consentimento, notou-se um amadurecimento gradativo da turma, que percebeu que o consentimento deve ser livre, claro, reversível e respeitado e a análise dos personagens levou ao reconhecimento da responsabilização legal não apenas dos agressores, mas também da omissão e do incentivo velado como perpetuadores de estigmas. Assim, o Projeto Adolescer cumpriu seu objetivo ao promover a educação em saúde de forma crítica, transversal e acolhedora, evidenciando que metodologias ativas e ancoradas no cotidiano dos jovens são ferramentas poderosas para desnaturalizar tabus e superar a falsa sensação de impunidade no ambiente digital, reforçando a relevância da extensão universitária e da atuação dos acadêmicos de medicina nas escolas públicas como agentes transformadores para o empoderamento juvenil, a prevenção de violências e a formação de cidadãos mais conscientes e respeitosos.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Ifmsa Brazil/unipampa: Projeto Adolescer na Promoção da Saúde Sexual e da Cidadania no Ambiente Escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123672. Acesso em: 28 out. 2026.