Diagnóstico e Incentivo Ao Consumo de Vegetais em Famílias Atendidas Pela Pastoral da Criança

Autores

  • Paula Fernanda Pinto da Costa
  • Larissa Marques Pinto
  • Ana Letícia Vargas Barcelos
  • Luciana Zago Ethur
  • Leomar Hackbart da Silva

Palavras-chave:

Educação, Alimentar, Hortas, Domésticas, Extensão, Universitária

Resumo

A Pastoral da Criança é uma organização de ação social que se destaca por sua atuação ecumênica e comunitária na promoção do desenvolvimento integral de crianças, desde a gestação até os seis anos de idade, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Em Itaqui, a entidade atende oito comunidades, onde estão distribuídas 120 famílias, totalizando 168 crianças. São consideradas acompanhadas pela entidade as crianças e gestantes visitadas mensalmente pela líder comunitária. Este trabalho apresenta uma das ações desenvolvidas no projeto de extensão universitária realizado em parceria com a Pastoral da Criança de Itaqui, cujo objetivo geral é fomentar o cultivo doméstico de hortaliças e promover a educação alimentar, contribuindo para a melhoria de hábitos, a segurança alimentar e o fortalecimento da autonomia comunitária. A ação relatada consistiu em um encontro organizado pelas líderes da Pastoral com as mães participantes, docentes coordenadores e estudantes do curso de Nutrição vinculados ao projeto de extensão. Nesta atividade, realizou-se uma roda de conversa sobre a alimentação dos filhos, a aceitação de vegetais pelas crianças, os desafios no preparo dos alimentos e a seletividade alimentar. Em seguida, os participantes foram convidados a acompanhar o preparo de vegetais, como folhas e talos de couve, brócolis, vagem, couve-flor e cenoura. As receitas foram preparadas com o intuito de demonstrar sabor, praticidade, rapidez e economia, eliminando, ao mesmo tempo, crenças limitadoras de consumo, como a dificuldade de preparo, sabor e custo. As participantes e suas crianças puderam provar as receitas e compartilhar experiências. Ao final da atividade, foram distribuídas mudas de couve e fornecidas orientações de cultivo como incentivo à implantação de hortas domésticas. Após as atividades, as participantes responderam a uma pesquisa diagnóstica destinada a caracterizar o perfil das famílias e o consumo de vegetais. O encontro contou com a participação de 23 mães, das quais 17 responderam ao questionário. Os resultados indicaram que a faixa etária da maioria está entre 36 e 45 anos (41%), seguida pelos grupos de 18 a 25 anos (23%) e 26 a 35 anos (24%). Em relação ao número de filhos, 47% relataram ter dois filhos, 23% possuem um, 18% possuem três, 6% possuem quatro ou mais e 6% optaram por não responder. Sobre o consumo de vegetais, 35% das participantes informaram consumir diariamente, 35% de 3 a 5 vezes por semana, 24% raramente (entre uma e duas vezes na semana), enquanto 6% nunca consomem e 6% não responderam. Evidencia-se que 30% das respondentes consome vegetais raramente ou nunca, indicando que, apesar de parte das famílias manter hábitos saudáveis, ainda existe uma parcela relevante de crianças expostas a uma dieta pobre em vegetais. Estudos indicam que uma dieta com escassez de fibras, minerais e vitaminas contribui para o aumento do risco de doenças relacionadas a alterações intestinais, diabetes, obesidade e problemas cardiovasculares. Questionadas sobre os principais vegetais consumidos pelas crianças, os mais citados foram: tomate (n=15), batata (n=12), cenoura (n=9), abóbora (n=9), brócolis (n=9) e couve-flor (n=9), enquanto beterraba (n=7), alface (n=6) e chuchu (n=1) foram os menos consumidos. Tais resultados alinham-se a pesquisas sobre o tema, que associam estas escolhas aos hábitos familiares e à praticidade de preparo. Ademais, o baixo consumo de folhosas e beterraba provavelmente possui um impacto sensorial que contribui para sua rejeição. Estas observações reforçam a necessidade de ações educativas focadas no estímulo sensorial e no engajamento dos cuidadores para diversificar a alimentação infantil. A ação contribuiu para a promoção da educação alimentar, estimulando a produção e inclusão de vegetais nas refeições e ampliando a aceitação de novos sabores. Também favoreceu a troca de saberes entre participantes, permitindo reconhecer a realidade local e orientar futuras iniciativas de extensão. Para os acadêmicos, a atividade fortaleceu a integração entre universidade e comunidade, ampliando a formação prática e o compromisso social.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Diagnóstico e Incentivo Ao Consumo de Vegetais em Famílias Atendidas Pela Pastoral da Criança. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123671. Acesso em: 22 out. 2026.