Práticas Esportivas Não Convencionais na Educação Física Escolar: Experiência do Pibid

Autores

  • Leticia Almeida
  • Maria Eduarda de Oliveira Santana
  • Miriam Raquel de Freitas Monteiro
  • Diego de Matos Noronha
  • Mauren Araujo

Palavras-chave:

Cultura, corporal, Diversificação, curricular, Formação, docente

Resumo

A Educação Física escolar constitui um espaço de construção de conhecimentos e de vivências relacionadas às diferentes manifestações da cultura corporal. Entretanto, a recorrência de modalidades esportivas tradicionais pode limitar o repertório dos(as) estudantes e o contato com outras formas de jogar, movimentar-se e participar. Nesse contexto, as práticas esportivas não convencionais apresentam-se como possibilidade de diversificação dos conteúdos e ampliação das experiências corporais. Este trabalho tem como objetivo relatar e analisar uma experiência pedagógica desenvolvida no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), a partir da utilização dessas práticas nas aulas de Educação Física. Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-reflexivo, desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Cabo Luiz Quevedo, situada em uma região periférica de Uruguaiana/RS, com estudantes do 6º e do 7º ano do Ensino Fundamental. As informações foram produzidas por meio de observação participante, registros das aulas e reflexões dos(as) bolsistas sobre o planejamento e as intervenções. As atividades ocorreram no pátio da escola, considerando que a quadra esportiva utilizada pela instituição está localizada a aproximadamente cinco quadras de sua sede. A proposta resultou da reorganização de uma intervenção inicialmente planejada que apresentou pouca adesão dos(as) estudantes. Diante disso, a professora supervisora sugeriu um projeto voltado às práticas esportivas não convencionais, buscando oferecer experiências diferentes daquelas habitualmente presentes nas aulas. Em uma sequência de encontros, foram trabalhados o frisbee, com aproximações ao Ultimate Frisbee, e o badminton. As aulas foram organizadas progressivamente, iniciando pela apresentação dos materiais, familiarização com seus modos de utilização e explicação e demonstração dos fundamentos e das regras básicas. Posteriormente, foram propostas situações de experimentação, atividades em duplas e pequenos grupos e formas adaptadas de jogo. As regras, as dimensões dos espaços e a organização das equipes foram modificadas quando necessário, considerando o pátio, os materiais disponíveis e as respostas dos(as) estudantes. Nas primeiras atividades com o frisbee, parte da turma demonstrou dificuldade para compreender a dinâmica do jogo, controlar o objeto durante os lançamentos e organizar-se coletivamente, sobretudo por não possuir contato anterior com a prática. A continuidade das experiências favoreceu a compreensão das regras e o desenvolvimento de diferentes formas de lançar, receber e deslocar-se. Nos encontros seguintes, observou-se maior envolvimento e mais iniciativa para experimentar os movimentos e colaborar com os(as) colegas. Alguns(as) estudantes demonstraram entusiasmo e relataram ter gostado das propostas por serem diferentes das modalidades tradicionalmente vivenciadas. No badminton, o contato com as raquetes e as petecas também despertou curiosidade, exigindo um período de exploração dos materiais antes das situações de jogo. As adaptações contribuíram para que as dificuldades técnicas iniciais não impedissem a participação e permitiram reorganizar as atividades conforme os diferentes níveis de experiência e aprendizagem. Os resultados indicam que a novidade dos conteúdos, associada à organização progressiva e à flexibilização das regras, favoreceu o interesse durante as intervenções. A experiência possibilitou aos(às) estudantes conhecer práticas anteriormente ausentes ou pouco presentes em seu cotidiano e compreender que a Educação Física não se restringe às modalidades tradicionais. Para os(as) bolsistas, o projeto constituiu um espaço de aprendizagem sobre planejamento, mediação pedagógica e avaliação das respostas das turmas. A necessidade de reformular a proposta inicial evidenciou que o planejamento não deve ser rígido, mas demanda observação, diálogo e capacidade de adaptação. Também foi possível relacionar conhecimentos construídos na universidade às situações concretas da escola e reconhecer que a participação depende dos conteúdos selecionados e das estratégias empregadas. Conclui-se que as práticas esportivas não convencionais podem diversificar as aulas de Educação Física e ampliar o acesso às manifestações da cultura corporal, mesmo em contextos com limitações de espaço. O frisbee e o badminton mostraram-se possibilidades capazes de despertar curiosidade, promover interação e favorecer a experimentação de novos movimentos. A experiência reforça a importância de escutar os(as) estudantes e reavaliar as propostas quando elas não produzem a participação esperada. Dessa forma, a atuação no PIBID contribuiu para ampliar as experiências corporais das turmas e fortalecer uma formação docente baseada no planejamento, na reflexão e na construção de alternativas adequadas à realidade escolar.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Práticas Esportivas Não Convencionais na Educação Física Escolar: Experiência do Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123670. Acesso em: 1 nov. 2026.