Todos Participam? Inclusão nas Aulas de Educação Física a Partir das Experiências do Pibid
Palavras-chave:
Participação, estudantil, Diversidade, Mediação, pedagógicaResumo
A Educação Física escolar pode constituir um espaço de aprendizagem, convivência e participação, desde que suas práticas considerem a diversidade existente nas turmas. Garantir a presença dos estudantes na aula não significa assegurar sua inclusão, pois diferentes barreiras podem limitar o envolvimento, a interação e o pertencimento. Uma prática inclusiva exige reconhecer que os estudantes possuem características, interesses, ritmos e experiências corporais distintas e podem participar de diferentes maneiras. Este trabalho tem como objetivo relatar e refletir sobre experiências vivenciadas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), analisando como a observação do cotidiano e as práticas pedagógicas podem contribuir para a inclusão, a interação e a participação dos estudantes nas aulas de Educação Física. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, desenvolvido com uma turma do 6º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Elvira Ceratti CAIC, em Uruguaiana, Rio Grande do Sul. As inserções ocorreram entre meados de junho e o mês de julho de 2026, envolvendo aproximadamente 30 estudantes e cerca de 10 aulas acompanhadas pelos bolsistas. O relato foi construído a partir das inserções dos bolsistas na escola, envolvendo a observação da turma, o acompanhamento das aulas e a reflexão coletiva sobre as situações vivenciadas com os estudantes. Durante esse processo, o olhar dos acadêmicos voltou-se para as formas de envolvimento nas propostas, as interações entre os colegas, as manifestações de interesse ou afastamento e as condições que poderiam favorecer ou dificultar a participação. As observações permitiram perceber que participar de uma aula de Educação Física não se resume a executar movimentos ou apresentar determinado desempenho motor. A participação também envolve comunicar-se, cooperar, tomar decisões, contribuir com o grupo, experimentar dentro de suas possibilidades e sentir-se pertencente à aula. Essa compreensão ampliou o olhar dos bolsistas para estudantes que poderiam ser considerados pouco participativos quando avaliados somente pela execução das atividades, mas que se envolviam por meio da interação, da observação, do auxílio aos colegas ou de outras formas de presença. A experiência também evidenciou que propor a mesma atividade para todos não garante condições iguais de participação. As diferenças demandam que o professor observe as respostas da turma e esteja disponível para reorganizar regras, materiais, espaços, tempos e formas de envolvimento. Essas adaptações não representam redução das possibilidades de aprendizagem, mas estratégias para enfrentar barreiras e permitir que cada estudante participe de maneira significativa. Conhecer a realidade da turma mostrou-se fundamental para evitar que dificuldades individuais fossem interpretadas como desinteresse, incapacidade ou recusa. As situações acompanhadas reforçaram a importância de um ambiente baseado no respeito, no diálogo e na cooperação. Quando diferentes formas de participação são reconhecidas, as aulas podem favorecer a convivência e a construção coletiva, sem concentrar as oportunidades nos estudantes com maior experiência ou habilidade. Ao mesmo tempo, inclusão não significa ausência de objetivos, desafios ou aprendizagens. O trabalho docente consiste em criar condições para que os estudantes enfrentem desafios adequados, ampliem suas possibilidades e acessem os conhecimentos da cultura corporal sem serem expostos, isolados ou desvalorizados. Para os acadêmicos do PIBID, a inserção na escola pública aproximou os conhecimentos da formação inicial das situações do cotidiano escolar. O acompanhamento da turma evidenciou que o planejamento não pode ser rígido, pois precisa ser avaliado e ajustado conforme as necessidades percebidas durante as aulas. Também favoreceu a compreensão de que a atuação do professor envolve observar, escutar, mediar relações e tomar decisões que interferem nas oportunidades de participação. Como não foram utilizados instrumentos sistemáticos de avaliação, os resultados correspondem às percepções construídas pelos bolsistas e não permitem generalizações para outras turmas. Conclui-se que uma Educação Física comprometida com a inclusão precisa valorizar não apenas aqueles que apresentam maior facilidade ou desempenho, mas garantir oportunidades para que todos aprendam, interajam e contribuam conforme suas possibilidades. As experiências no 6º ano reforçaram que participação significativa envolve pertencimento, reconhecimento e acesso aos conhecimentos trabalhados. No PIBID, a vivência contribuiu para a construção de um olhar docente atento à diversidade e para a compreensão de que práticas inclusivas são produzidas continuamente por meio do planejamento, da observação, da mediação e da reflexão sobre a realidade escolar.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Todos Participam? Inclusão nas Aulas de Educação Física a Partir das Experiências do Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123668. Acesso em: 4 nov. 2026.