Diversificação das Práticas Corporais na Educação Física Escolar: Experiências do Pibid

Autores

  • Maria Eduarda de Oliveira Santana
  • Miriam Raquel de Freitas Monteiro
  • Diego de Matos Noronha
  • Marta Íris Camargo Messias da Silveira

Palavras-chave:

Cultura, corporal, Educação, Física, escolar, práticas, pedagógicas

Resumo

A Educação Física escolar possibilita aos estudantes conhecer e experimentar diferentes manifestações da cultura corporal. Entretanto, em parte das realidades escolares, as aulas ainda apresentam predominância de algumas modalidades esportivas tradicionais, restringindo o contato com outras possibilidades de movimento. Essa limitação também está relacionada à infraestrutura, aos materiais e às experiências presentes em cada comunidade. Nesse contexto, a inserção de práticas corporais pouco conhecidas pode diversificar as aulas e democratizar o acesso a conhecimentos que nem sempre estão disponíveis fora da escola. Este trabalho tem como objetivo relatar e analisar as contribuições e os desafios de um projeto de diversificação das práticas corporais desenvolvido no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), em uma escola pública localizada em região periférica de Uruguaiana/RS. O estudo apresenta abordagem qualitativa e caracteriza-se como relato de experiência, elaborado a partir da observação, do planejamento, do desenvolvimento e da reflexão sobre as atividades realizadas. O projeto foi divulgado para turmas do 6º e do 7º ano do Ensino Fundamental, resultando na inscrição de 19 estudantes. Em alguns encontros, também participaram alunos que não haviam realizado a inscrição inicial. As aulas ocorreram às sextas-feiras, à tarde, com duração aproximada de uma hora e vinte minutos. Como a escola não dispõe de quadra ou ginásio em sua sede, as práticas foram realizadas no pátio e adaptadas às condições existentes. Foram previstas seis práticas: frisbee, badminton, tênis, tênis de mesa, capoeira e beisebol. Por se tratar de um projeto em andamento, este relato contempla sua etapa inicial, desenvolvida com atividades de frisbee e introdução ao badminton. As demais permaneceram previstas para as etapas seguintes de 2026. As aulas de frisbee envolveram familiarização com o implemento, lançamento e recepção, regras básicas, atividades em pequenos grupos e iniciação ao Ultimate Frisbee. Posteriormente, foram iniciadas atividades de badminton, com apresentação dos materiais, experimentação de movimentos e aproximação com a dinâmica da modalidade. As propostas foram organizadas progressivamente, valorizando a experimentação, a participação e a compreensão das práticas, sem estabelecer o rendimento como finalidade principal. Como resultados parciais, observou-se que muitos estudantes não possuíam contato anterior com as práticas apresentadas, especialmente com o frisbee utilizado de forma sistematizada e com o Ultimate Frisbee. A novidade despertou perguntas sobre materiais, regras e formas de jogar, além de favorecer a disposição para experimentar movimentos pouco conhecidos. O comparecimento de estudantes não inscritos inicialmente foi compreendido como indício de interesse, embora não seja suficiente para avaliar efeitos sobre a participação escolar. Também foram observadas dificuldades nos lançamentos, na recepção do frisbee e na compreensão inicial das regras. Essas situações exigiram demonstrações, repetição das tarefas, reorganização dos grupos e adaptações nas distâncias e nos objetivos. A ausência de uma quadra com marcações não impediu as aulas, mas demandou delimitação do espaço e adequação das situações de jogo ao pátio. A experiência evidenciou que diversificar as práticas corporais não significa somente substituir modalidades tradicionais por conteúdos diferentes. É necessário estudar cada prática, organizar uma sequência pedagógica, adaptar materiais e criar condições para a participação de estudantes com experiências distintas. Também se tornou importante evitar que a novidade fosse apresentada somente como curiosidade, garantindo oportunidades para conhecer fundamentos, regras, sentidos culturais e formas de organização. Para os bolsistas, o projeto proporcionou aprendizagens relacionadas ao planejamento, à mediação e à tomada de decisões diante das condições da escola. Os resultados indicam que práticas pouco presentes no cotidiano dos estudantes podem ser desenvolvidas em contextos com infraestrutura limitada, desde que o planejamento considere o espaço, os materiais e as características do grupo. A experiência também reforçou que o esporte escolar pode ultrapassar a reprodução técnica e a busca por desempenho, valorizando a experimentação, a cooperação e a ampliação do repertório cultural. Conclui-se que a etapa inicial do projeto contribuiu para aproximar os estudantes de práticas corporais pouco conhecidas e demonstrou possibilidades de diversificação das aulas em uma escola periférica. Contudo, por se tratar de uma experiência em andamento e sem instrumentos formais de avaliação, não é possível afirmar efeitos duradouros sobre os participantes. A continuidade das ações permitirá acompanhar o envolvimento dos estudantes e desenvolver as demais práticas previstas, ampliando as reflexões sobre acesso, participação e cultura corporal no contexto escolar.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Diversificação das Práticas Corporais na Educação Física Escolar: Experiências do Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123667. Acesso em: 28 out. 2026.