Ensinar Voleibol Além da Quadra: Adaptações Metodológicas no Contexto da Educação Física Escolar

Autores

  • Matheus Adolpho
  • Leticia Marmet
  • Gabrielle Machado Gonçalves
  • Miriam Raquel de Freitas Monteiro
  • Diego de Matos Noronha
  • Mauren Araujo

Palavras-chave:

Adaptação, pedagógica, Participação, estudantil, Formação, docente

Resumo

A Educação Física escolar contempla diferentes práticas corporais, entre elas os esportes. Entretanto, as condições de infraestrutura e os materiais disponíveis nem sempre correspondem às necessidades de determinadas modalidades. No ensino do voleibol, a ausência de quadra demarcada, rede e quantidade suficiente de bolas pode limitar as experiências quando o planejamento se restringe ao jogo formal. Diante dessa realidade, as adaptações metodológicas constituem possibilidades para garantir o acesso ao conteúdo, sem naturalizar a precariedade dos espaços e recursos. Este trabalho tem como objetivo relatar e analisar as adaptações utilizadas no ensino do voleibol em uma escola pública com limitações de espaço e materiais, destacando suas contribuições para a aprendizagem e a participação dos estudantes. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, desenvolvido no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), na Escola Municipal Cabo Luiz Quevedo, em Uruguaiana, Rio Grande do Sul. Participaram aproximadamente 20 estudantes do 8º e do 9º ano do Ensino Fundamental. O projeto teve duração aproximada de três meses, com encontros semanais. Embora a escola dispusesse de um anexo destinado a práticas corporais, as atividades foram realizadas no pátio central, localizado entre as salas de aula e sem as marcações de uma quadra. Havia cinco bolas de voleibol disponíveis para o grupo. Diante dessas condições, foram realizadas adaptações no espaço, nos materiais e na organização dos participantes. Os conteúdos contemplaram saque, toque, manchete, recepção e ataque. O pátio foi delimitado com cones para representar o espaço de jogo, enquanto uma corda foi utilizada no lugar da rede. As atividades de toque e manchete foram desenvolvidas principalmente em quartetos, buscando distribuir as bolas e ampliar as oportunidades de contato com o material. Para trabalhar a recepção, os participantes eram posicionados de maneira semelhante à organização de uma equipe na quadra e recebiam bolas direcionadas para a realização da manchete. No ensino do ataque, foram abordadas a passada e a execução do movimento por meio de lançamentos, considerando a ausência de uma rede adequada. As aulas eram organizadas em aquecimento, atividades específicas do fundamento selecionado, circuitos e, ao final, brincadeiras ou jogos adaptados. Durante o projeto, os bolsistas perceberam avanços na execução dos fundamentos e na compreensão das regras. Parte significativa dos estudantes possuía pouco ou nenhum contato anterior com a modalidade, mas, ao longo das intervenções, demonstrou maior familiaridade com os movimentos e conseguiu sustentar a circulação da bola por mais tempo nos jogos adaptados. Como não foram utilizados instrumentos específicos de avaliação, essas mudanças correspondem às percepções produzidas durante o acompanhamento e não constituem medidas objetivas de evolução técnica. A participação permaneceu constante e foi ampliada pela chegada de novos integrantes no decorrer do projeto. O interesse também se manifestava nas perguntas dirigidas à professora responsável sobre os próximos encontros e a continuidade das atividades. Outro aspecto significativo foi a roda de toque, sugerida pelos estudantes desde a primeira aula e incorporada com frequência ao final dos encontros. Essa iniciativa evidenciou que os participantes não apenas executavam as propostas, mas também contribuíam para a organização das vivências. Além das aprendizagens do voleibol, foi percebida uma aproximação gradual entre estudantes e bolsistas, especialmente entre aqueles que inicialmente demonstravam vergonha ou dificuldade para participar. No decorrer das aulas, esses estudantes passaram a se envolver com maior frequência e demonstraram mais confiança na interação com os colegas e professores. Para os bolsistas, a experiência permitiu compreender que adaptar não significa oferecer um conteúdo reduzido, mas reorganizar estratégias para preservar os objetivos de aprendizagem diante das condições concretas. O uso de cones, corda, quartetos, circuitos e jogos modificados permitiu abordar diferentes elementos da modalidade. Conclui-se que as limitações encontradas não impediram o desenvolvimento do projeto, mas exigiram planejamento, criatividade e avaliação contínua. As estratégias possibilitaram aos estudantes conhecer fundamentos, compreender regras e participar de situações de jogo, além de favorecerem interesse, interação e confiança. No PIBID, a experiência contribuiu para a formação inicial dos bolsistas ao aproximá-los dos desafios da escola pública e possibilitar a construção de saberes docentes relacionados à adaptação das práticas, à mediação pedagógica e à participação estudantil.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Ensinar Voleibol Além da Quadra: Adaptações Metodológicas no Contexto da Educação Física Escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123666. Acesso em: 22 out. 2026.