Ações de Educação e Prevenção Acerca da Sífilis com Militares do Exército Brasileiro

Autores

  • Alan Felipe Prado Werneck
  • Angelo Ramos Junior
  • Eduarda de Almeida Menezes
  • Luisy Cristine da Silveira
  • João Felipe Perez Rezer
  • Jenifer Harter

Palavras-chave:

Sífilis, Educação, Saúde, Comportamentos, Risco

Resumo

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida principalmente por relações sexuais desprotegidas e de forma vertical. Segundo o Ministério da Saúde, apresenta diferentes estágios clínicos, classificados em primário, secundário, latente e terciário, podendo permanecer assintomática durante a fase latente, o que dificulta o diagnóstico e favorece a manutenção da cadeia de transmissão. Embora seja uma infecção prevenível, diagnosticável e tratável, permanece como importante problema de saúde pública, especialmente entre adultos jovens e a população masculina. No Rio Grande do Sul, os indicadores epidemiológicos reforçam a necessidade de ações contínuas de vigilância, prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. Nesse contexto, o efetivo variável do Exército Brasileiro constitui uma população predominantemente jovem e sexualmente ativa, tornando-se um público estratégico para ações de promoção da saúde sexual e prevenção das IST. A educação em saúde, associada ao incentivo à testagem e ao uso adequado de métodos de barreira, pode contribuir para o fortalecimento do autocuidado e para a redução da vulnerabilidade às infecções. O objetivo deste trabalho é relatar os resultados de uma ação extensionista de educação em saúde sobre sífilis e do levantamento de hábitos comportamentais de risco no efetivo variável de um batalhão do Exército Brasileiro. Trata-se de uma experiência extensionista desenvolvida pelos grupos TUAREG e NUPPEDIC, realizada em quartéis do Exército Brasileiro, em um município da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, com foco na educação em saúde, prevenção e rastreamento da sífilis. Inicialmente, foram realizadas três sessões educativas, por meio de palestras expositivas e dialogadas, em parceria com a rede municipal de saúde, abordando formas de transmissão, manifestações clínicas, prevenção, uso de preservativos, importância da testagem e tratamento. Posteriormente, foi aplicado voluntariamente um questionário sociocomportamental, contemplando aspectos relacionados ao perfil dos participantes, práticas sexuais, utilização de métodos de barreira, consumo de álcool durante as relações e histórico de testagem. Participaram das palestras aproximadamente 150 militares, dos quais 74 responderam ao questionário. Destes, 91,9% (n=68) declararam-se solteiros. No aspecto comportamental, 37,8% (n=28) relataram múltiplos parceiros sexuais nos últimos 12 meses. Identificou-se importante inconsistência na percepção do autocuidado: embora 50,0% (n=37) afirmaram utilizar preservativo em todas as modalidades de relação, apenas 28,4% (n=21) relataram uso contínuo, respondendo sempre. Além disso, 29,7% (n=22) utilizavam barreiras apenas em relações vaginais, negligenciando outras vias de transmissão, enquanto 20,3% (n=15) relataram não utilizar preservativo. Adicionalmente, 43,2% (n=32) informaram manter relações sexuais sob efeito de álcool, situação que pode favorecer decisões menos seguras e reduzir a adesão às medidas preventivas. Embora 55,4% (n=41) considerassem possuir bom conhecimento sobre sífilis, 74,3% (n=55) nunca haviam realizado um teste rápido na vida, evidenciando uma lacuna entre o conhecimento percebido e a adoção de práticas de prevenção e diagnóstico. Os achados demonstram que a vulnerabilidade às IST não está relacionada apenas à falta de informação, mas também à inconsistência na adoção de comportamentos preventivos e à baixa procura pela testagem. Conclui-se que a ação educativa possibilitou identificar fragilidades relacionadas ao uso de métodos de barreira, às práticas sexuais e ao conhecimento aplicado ao autocuidado, além de evidenciar baixa adesão à testagem. Nesse sentido, destaca-se a necessidade de ações permanentes de educação em saúde, incentivo ao diagnóstico precoce, ampliação do acesso à testagem e fortalecimento das estratégias de prevenção entre jovens militares. A experiência demonstra que a extensão universitária, articulada à Rede de Atenção à Saúde e às instituições militares, constitui estratégia relevante para aproximar conhecimento científico e práticas de cuidado, fortalecer o autocuidado e promover a saúde sexual e reprodutiva dessa população.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Ações de Educação e Prevenção Acerca da Sífilis com Militares do Exército Brasileiro. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123662. Acesso em: 25 out. 2026.