Yoga no Contexto Universitário: Percepções Iniciais Sobre Bem-estar e Saúde Mental
Palavras-chave:
Autocuidado, Estudantes, universitários, Práticas, corporaisResumo
A trajetória universitária pode ser marcada por mudanças de cidade, moradia, rotina e vínculos sociais, além de exigências acadêmicas que interferem no cotidiano e no bem-estar. Nesse contexto, as práticas corporais podem constituir espaços de convivência, autocuidado e atenção às experiências corporais. Entre elas, o yoga reúne posturas, exercícios respiratórios, relaxamento e meditação, despertando interesse de estudantes que buscam maneiras de lidar com o cansaço e as tensões percebidas. Entretanto, as expectativas dos participantes não devem ser confundidas com efeitos comprovados, especialmente quando os dados são produzidos no início de um projeto. Este trabalho tem como objetivo compreender as percepções iniciais dos participantes do projeto Yoga Numa Casca de Nozes sobre a prática e suas possíveis contribuições para a vida acadêmica, considerando bem-estar, saúde mental, saúde física, concentração, estresse e organização da rotina. Trata-se de um estudo descritivo, desenvolvido mediante a aplicação de um questionário a 12 integrantes, dos quais 11 se identificaram como iniciantes e um como praticante de nível intermediário. O instrumento buscou conhecer motivações, expectativas e aspectos da rotina e do bem-estar percebido. As respostas foram organizadas por meio de frequências simples, considerando que os participantes poderiam mencionar mais de uma motivação ou expectativa. Por se tratar de um levantamento inicial, os dados não foram utilizados para avaliar mudanças produzidas pelo projeto nem estabelecer relações de causa e efeito entre yoga e saúde. Os resultados indicaram que os termos ansiedade e estresse aparecem nas respostas como percepções ou motivação autorreferidas para procurar a atividade. A intenção de acalmar-se foi mencionada quatro vezes, demonstrando que parte dos estudantes buscava uma prática associada ao relaxamento e à redução das tensões percebidas. Também apareceram manifestações de cansaço e desânimo, aspectos que ajudam a contextualizar a procura pelo projeto, mas que não correspondem, isoladamente, a diagnósticos de saúde mental. Em relação às expectativas, o bem-estar foi mencionado 11 vezes, constituindo o aspecto mais recorrente. A saúde mental apareceu em nove respostas e a saúde física em oito, revelando que os participantes atribuíam à prática possibilidades relacionadas a diferentes dimensões do cuidado. Também foi manifestado interesse por conhecimentos e técnicas de meditação. Esses dados demonstram que a procura pelo projeto não estava relacionada somente à realização de movimentos, envolvendo expectativas de relaxamento, autoconhecimento, concentração e organização da rotina. Ao mesmo tempo, a predominância de iniciantes exige cautela, pois as respostas expressam principalmente expectativas anteriores a uma experiência continuada com o yoga. A quantidade de menções também não permite afirmar que os participantes apresentavam transtornos de ansiedade, estresse clínico ou outros problemas de saúde. Os resultados descrevem percepções autorreferidas e interesses relacionados ao momento inicial do projeto. Ainda assim, o levantamento contribuiu para conhecer o grupo e pode subsidiar o planejamento dos encontros, respeitando os objetivos e os limites de uma prática corporal no ambiente universitário. O projeto pode oferecer um espaço de convivência e autocuidado, mas não substitui acompanhamento psicológico, médico ou outros serviços quando necessários. A continuidade dos encontros semanais poderá ser acompanhada por nova aplicação do instrumento, possibilitando comparar as percepções antes e depois de determinado período. Para isso, será importante manter perguntas equivalentes, registrar a frequência e definir previamente os aspectos analisados. A concentração, o estresse percebido, a autoestima, o bem-estar e a organização da rotina poderão ser investigados como percepções, sem atribuir automaticamente eventuais mudanças ao yoga, pois outros fatores da vida acadêmica podem interferir. Entre as limitações estão o número reduzido de participantes, a predominância de iniciantes e a ausência de comparação entre diferentes períodos. Esses elementos impedem generalizações para a população universitária e não permitem avaliar a eficácia da prática. Conclui-se que o levantamento identificou interesse dos participantes por uma atividade associada ao bem-estar, ao autocuidado e às dimensões física e mental da saúde. As respostas revelaram expectativas positivas em relação ao yoga e a presença autorreferida de cansaço, desânimo, ansiedade e estresse na rotina de parte do grupo. Os dados justificam a continuidade da investigação, mas devem ser compreendidos como diagnóstico inicial das motivações e expectativas. O acompanhamento poderá contribuir para compreender como os estudantes percebem a experiência ao longo do projeto e quais sentidos atribuem à prática no contexto universitário.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Yoga no Contexto Universitário: Percepções Iniciais Sobre Bem-estar e Saúde Mental. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123661. Acesso em: 22 out. 2026.