Entre o Movimento e o Pertencimento: Experiências Socioesportivas em Uma Escola Pública Periférica

Autores

  • Julia da Rosa Pires
  • Alisson Pinto Sabedra
  • Diego de Matos Noronha
  • Mauren Araujo

Palavras-chave:

Cultura, corporal, Formação, docente, Participação, estudantil

Resumo

A escola pública constitui um importante espaço de formação, convivência e acesso a experiências que ultrapassam a sala de aula, especialmente em contextos nos quais crianças e adolescentes encontram oportunidades reduzidas de participação em práticas esportivas, culturais e de lazer fora do ambiente escolar. Nesse cenário, os projetos socioesportivos assumem relevância pedagógica ao ampliar o contato dos estudantes com diferentes manifestações da cultura corporal e criar outros modos de participação no cotidiano da instituição. O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre as experiências construídas a partir da inserção em uma escola pública periférica do município de Uruguaiana/RS, buscando compreender de que maneira os projetos socioesportivos desenvolvidos nesse contexto se relacionam com o acesso às práticas corporais, a participação dos estudantes, a construção de vínculos e o sentimento de pertencimento ao ambiente escolar. Trata-se de um relato de experiência de natureza qualitativa, construído a partir da participação no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, que possibilitou acompanhar continuamente o cotidiano da escola por período superior a um ano. O percurso envolveu observações de aulas de educação física, participação em reuniões pedagógicas, acompanhamento de atividades realizadas no contraturno e envolvimento direto na organização e no desenvolvimento de um projeto de iniciação ao jiu-jitsu, além da observação de outras práticas socioesportivas desenvolvidas pela instituição. A reflexão foi construída a partir dos registros produzidos durante esse acompanhamento sistemático, considerando especialmente situações relacionadas ao acesso às práticas corporais, à participação estudantil, às relações estabelecidas e ao pertencimento à escola. Entre os aspectos observados, destaca-se o interesse dos estudantes em permanecer na instituição após o encerramento das aulas e participar continuamente das atividades oferecidas. Para parte das crianças e adolescentes acompanhados, a escola representava uma das principais oportunidades de acesso a determinadas modalidades esportivas, evidenciando seu papel na ampliação das experiências relacionadas à cultura corporal. A participação no projeto de iniciação ao jiu-jitsu permitiu observar de maneira mais próxima como a prática corporal poderia ultrapassar a aprendizagem de técnicas específicas, criando situações de cooperação, respeito e interação entre diferentes estudantes. Outro elemento relevante foi perceber como os espaços escolares eram ocupados durante essas atividades, passando a ser reconhecidos não apenas como locais destinados às aulas formais, mas também como ambientes de encontro, participação e construção coletiva de experiências. Nesse processo, a escola pública periférica revelou-se também como território de produção e circulação de saberes corporais, relações e formas de pertencimento. A presença de estudantes egressos que continuavam vinculados a algumas atividades esportivas da instituição mesmo após a conclusão da educação básica também ampliou a reflexão sobre os vínculos construídos durante a trajetória escolar. As experiências vivenciadas indicam que os projetos socioesportivos, quando inseridos no cotidiano escolar com intencionalidade pedagógica, podem constituir espaços de ampliação do repertório corporal, convivência, participação e fortalecimento das relações entre estudantes, professores e instituição. Essas práticas, contudo, não constituem soluções isoladas para as desigualdades vivenciadas pelos estudantes. Sua contribuição depende da forma como são planejadas, mediadas e articuladas aos objetivos educacionais da escola. Conclui-se que a presença de projetos socioesportivos na escola pública pode favorecer a democratização do acesso às práticas corporais e produzir experiências significativas de pertencimento, especialmente quando os estudantes são reconhecidos como sujeitos ativos dessas ações. Refletir sobre essas experiências permite ampliar a compreensão da Educação Física escolar para além do ensino técnico das modalidades e reforça a necessidade de práticas pedagógicas comprometidas com a formação integral, com a escuta dos estudantes e com a construção de uma escola na qual eles possam participar, estabelecer vínculos e reconhecer-se como parte da comunidade escolar.

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Publicado

2026-10-02

Como Citar

Entre o Movimento e o Pertencimento: Experiências Socioesportivas em Uma Escola Pública Periférica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123660. Acesso em: 28 out. 2026.