A integração da comunicação alternativa e ampliada através do protocolo Picture Exchange Communication System PECS® no aumento da frequência de mandos em um aluno com transtorno do espectro autista

Autores

  • Simone Rosa da Silva
  • Claudete Martins

Palavras-chave:

Autismo, Educação, infantil, Comunicação, alternativa, ampliada

Resumo

Algumas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) incluídas na Educação Infantil de escolas regulares apresentam ausência ou limitações significativas na linguagem oral, sendo consideradas não verbais. Embora algumas utilizem gestos, expressões corporais ou outras estratégias para compensar a ausência da fala, nem sempre essas formas de comunicação são compreendidas ou contextualizadas pelos diferentes parceiros comunicativos, o que pode dificultar a expressão de desejos e necessidades e favorecer a ocorrência de comportamentos disruptivos. Nesse sentido, estratégias de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) podem contribuir para ampliar as possibilidades de comunicação, interação e participação dessas crianças nos diferentes contextos em que estão inseridas. Entre essas estratégias destaca-se o Picture Exchange Communication System PECS®, sistema baseado na troca de figuras que possibilita ao indivíduo iniciar interações comunicativas e expressar suas necessidades de maneira funcional. O objetivo deste estudo foi analisar a contribuição do protocolo PECS® para a comunicação de uma criança com autismo não verbal inserida na Educação Infantil de uma escola municipal regular, verificando se sua implementação no contexto clínico proporcionaria aumento dos mandos verbais e não verbais do participante no ambiente escolar e favoreceria a generalização desses mandos para diferentes contextos e parceiros de comunicação. Além disso, buscou-se avaliar a percepção da professora quanto à comunicação, interação e comportamento do aluno antes e após a intervenção. Metodologia: Foi utilizado um delineamento quase experimental de pesquisa de caso único (A-B), com coleta de dados durante as fases de baseline e intervenção. Participou do estudo uma criança com TEA, com dois anos e quatro meses de idade, matriculada na Educação Infantil de uma escola regular. A aplicação do protocolo PECS® ocorreu no contexto clínico, enquanto a coleta de dados foi realizada no ambiente escolar, possibilitando verificar a generalização das habilidades comunicativas desenvolvidas durante a intervenção. As observações ocorreram em dois ambientes distintos: na sala de aula, na presença da professora e dos demais colegas, e em outra sala da escola, na presença da mãe e da pesquisadora. A percepção da professora sobre aspectos relacionados à comunicação, interação e comportamento da criança foi investigada por meio de questionário aplicado antes e após a intervenção. Resultados: Observou-se aumento na frequência de mandos verbais, embora sem mudanças significativas entre as fases analisadas. Em relação aos mandos não verbais, entretanto, foi identificada diferença expressiva na utilização das figuras no ambiente escolar após a implementação do PECS®. Os resultados indicaram que a criança conseguiu apropriar-se do protocolo e utilizar as figuras como recurso funcional para comunicar desejos e necessidades, apresentando aumento na frequência de mandos por meio desse recurso. A utilização das figuras em um ambiente diferente daquele no qual ocorreu a intervenção também demonstrou possibilidades de generalização da habilidade comunicativa para o contexto escolar e para diferentes parceiros de comunicação. Esses achados reforçam a importância de estratégias que favoreçam a comunicação funcional da criança com TEA, especialmente em ambientes inclusivos, nos quais a possibilidade de expressar necessidades, realizar escolhas e estabelecer interações pode ampliar sua participação nas atividades cotidianas e pedagógicas. Conclusão: O estudo apresenta dados empíricos que sustentam o PECS® como uma estratégia de Comunicação Aumentativa e Alternativa viável e promissora para crianças com autismo no contexto escolar de ensino comum. Os resultados evidenciam, especialmente, sua contribuição para o aumento dos mandos não verbais mediados por figuras e apontam possibilidades de generalização das habilidades comunicativas desenvolvidas no contexto clínico para o ambiente escolar. Entretanto, considerando as características do delineamento e o número de participantes, os resultados devem ser interpretados com cautela. Destaca-se a necessidade de novos estudos que contemplem maior participação dos professores no processo de intervenção, maior número de participantes e delineamentos experimentais mais robustos, a fim de ampliar as evidências acerca da eficácia e aplicabilidade do PECS® para favorecer a comunicação, a interação e a participação de crianças brasileiras com TEA na Educação Infantil inclusiva.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2026-10-02

Como Citar

A integração da comunicação alternativa e ampliada através do protocolo Picture Exchange Communication System PECS® no aumento da frequência de mandos em um aluno com transtorno do espectro autista. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123657. Acesso em: 21 out. 2026.