Humanização dos Espaços Terapêuticos em Um Caps: Relato de Uma Ação Extensionista
Palavras-chave:
Saúde, Mental, Atenção, Psicossocial, AcolhimentoResumo
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) constituem dispositivos estratégicos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e desempenham papel fundamental na oferta de cuidado territorializado, comunitário e humanizado às pessoas em sofrimento psíquico. Inseridos no contexto da Reforma Psiquiátrica Brasileira e orientados pelos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), esses serviços buscam superar práticas centradas na institucionalização, valorizando a autonomia, a convivência, a participação social e a singularidade dos usuários. Nesse contexto, o presente trabalho relata uma ação extensionista desenvolvida no Centro de Atenção Psicossocial II (CAPS II) de Uruguaiana, vinculada à experiência acadêmica de aproximação com a realidade dos serviços públicos de saúde mental. A atividade teve como objetivo contribuir para a humanização e valorização dos espaços de convivência do serviço, promovendo maior acolhimento, integração e participação dos usuários, trabalhadores e acadêmicos. A experiência foi desenvolvida a partir de observação participante da dinâmica institucional e posterior planejamento e execução coletiva de uma intervenção de caráter artístico e decorativo. Foram utilizados materiais de papelaria obtidos por meio de doações da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), incluindo cartolinas, papéis coloridos, folhas de EVA, fitas, tesouras e colas. A proposta consistiu na elaboração manual de bandeiras, painéis, faixas, enfeites suspensos e outros ornamentos alusivos à Copa do Mundo, utilizando predominantemente as cores da bandeira nacional. Após a confecção, os elementos foram distribuídos em diferentes ambientes do CAPS II, como portas, janelas, corredores e áreas de convivência, respeitando a rotina do serviço e integrando-se às atividades desenvolvidas pela equipe multiprofissional. A intervenção apresentou resultados positivos, evidenciados pela valorização estética dos espaços e pela percepção de um ambiente mais acolhedor e agradável. Observou-se receptividade por parte dos usuários e profissionais, com manifestações de interesse e comentários positivos acerca das modificações realizadas. A atividade também proporcionou momentos de interação entre acadêmicos, trabalhadores e usuários, fortalecendo vínculos e estimulando a participação coletiva. A experiência permitiu compreender que ações aparentemente simples de transformação do ambiente podem contribuir para o bem-estar e para a construção de espaços de convivência mais acolhedores, especialmente em serviços de saúde mental nos quais o vínculo, a socialização e o sentimento de pertencimento constituem componentes importantes do cuidado. Além disso, a vivência extensionista favoreceu a aproximação entre universidade e comunidade, possibilitando aos acadêmicos uma compreensão mais ampla das necessidades e potencialidades do serviço e reforçando o compromisso social da formação em saúde. Entre as dificuldades encontradas estiveram a necessidade de adaptação aos materiais disponíveis e a organização do tempo para execução da atividade sem interferir na rotina institucional. Tais desafios foram enfrentados por meio de planejamento prévio, colaboração entre os participantes e utilização criativa dos recursos disponíveis. A experiência evidencia que a humanização dos espaços terapêuticos pode atuar como estratégia complementar às demais práticas de cuidado desenvolvidas no CAPS II, contribuindo para a qualificação do ambiente e para o fortalecimento das relações interpessoais. Conclui-se que a ação extensionista alcançou seu propósito ao promover uma intervenção coletiva de baixo custo, favorecer a integração entre universidade, serviço e usuários e demonstrar que o cuidado em saúde mental ultrapassa a dimensão estritamente clínica, abrangendo também aspectos relacionados ao ambiente, à convivência, à expressão criativa e à participação social. A experiência reforça, ainda, a importância da extensão universitária como instrumento de aproximação com os serviços públicos e de formação acadêmica crítica, reflexiva e comprometida com os princípios da Reforma Psiquiátrica e do SUS.Downloads
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Publicado
2026-10-02
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Humanização dos Espaços Terapêuticos em Um Caps: Relato de Uma Ação Extensionista. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 18, 2026. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/123654. Acesso em: 7 nov. 2026.